Bruno Pimentel Coimbra estava lotado no cargo de agente de serviço técnico, ganhando R$ 3,6 mil brutos por mês. Ele é filho do irmão mais velho de Lelo, José Coimbra (já falecido), que chegou a ser vereador de Vitória. Já Laila Freitas Coimbra atuava como assessora especial no órgão de defesa do consumidor, com salário de R$ 5,7 mil brutos. Ela é filha de Lauro Coimbra, delegado da Polícia Civil e também irmão mais velho de Lelo.
Os atos de exoneração foram publicados na edição desta quarta-feira do Diário Oficial do Estado. Aliados de Lelo entendem que só há uma interpretação possível para a medida: retaliação direta do governo Casagrande ao ex-deputado, por conta do teor de sua entrevista à coluna, publicada na véspera.
Na entrevista, Lelo acusou o governo estadual e o próprio governador de estarem interferindo diretamente contra ele na disputa interna do MDB pela presidência estadual do partido (hoje exercida por Lelo). Em uma barriga que se arrasta há cerca de nove meses, a disputa põe em lados opostos o grupo do próprio Lelo e os emedebistas ligados ao ex-deputado federal Marcelino Fraga.
Na segunda-feira (17), Lelo deu a entrevista à coluna, publicada no dia seguinte. Segundo ele, Casagrande teria inclusive recebido delegados do MDB pessoalmente no Palácio Anchieta na semana passada para orientar apoio à chapa de Marcelino Fraga contra a dele. Tudo porque, segundo Lelo, o governador estaria convencido de que, se ele permanecer na presidência estadual, o MDB será usado como plataforma política pelo ex-governador Paulo Hartung – de quem Lelo é histórico aliado e Casagrande, inimigo mortal.
Em resposta publicada na quarta-feira (19) – mesmo dia das exonerações –, falando em nome do Palácio Anchieta, o secretário estadual de Governo, Tyago Hoffmann (PSB), rebateu as declarações de Lelo no mesmo tom. Disse que o governo acompanha de longe a eleição no MDB-ES e que Lelo busca “responsabilizar terceiros para esconder sua incompetência na condução do próprio partido”.