Em uma escola de Jaguaré, no Norte do Espírito Santo, mais de 200 alunos dos ensinos médio e técnico aprendem, na prática, como unir produção agrícola e sustentabilidade. Na Escola Família Agrícola, esterco vira adubo, energia solar é transformada em eletricidade e óleo de cozinha é reaproveitado na produção de sabão.
Todos os dias, os estudantes participam de atividades como cultivo de hortaliças, criação de suínos e aves, piscicultura e compostagem. Parte da produção é destinada ao consumo da própria escola e também a doações.
Produzimos plantações para consumo aqui da escola e para doações para a Casa Lar e pessoas carentes
Yara Soares Gomes | Estudante do 3º ano
A produção do substrato utilizado no plantio também fica por conta dos alunos. O adubo é composto por argila e materiais orgânicos, como palha de café e esterco de bovinos, suínos e aves. Os resíduos vêm tanto da criação de animais na própria unidade quanto de propriedades rurais da região e de famílias de alunos.
O estudante Danilo Martins conta que o adubo é usado não apenas nas hortaliças, mas também no cultivo de mudas no viveiro da escola. "Será uma forma de reflorestar. Inclusive, estamos com mudas de ipê para plantar", disse.
Para gerar parte da eletricidade utilizada na estrutura, a escola conta com placas de energia solar. Além da economia, o sistema mostra aos estudantes como a sustentabilidade pode ser incorporada no campo e permite que coloquem em prática conteúdos aprendidos em sala de aula.
Com as placas, o custo da energia é reduzido e vemos na prática o que estudamos sobre recursos naturais
Octávio Henrick | Estudante
A água também é utilizada dentro de um sistema de reaproveitamento. Segundo o estudante Guilherme Souza Bruschi, o abastecimento vem de um poço artesiano e passa por uma caixa central antes de ser destinado ao uso doméstico. Depois, parte da água segue para os tanques de piscicultura e, posteriormente, é utilizada na produção agrícola.
A água é levada para a produção agrícola e volta para a própria natureza. As hortaliças vão para dentro da nossa cozinha e, assim, fazemos todo o uso consciente
Guilherme Souza Bruschi | Estudante
Na cozinha, os alimentos cultivados pelos próprios alunos são incorporados às refeições. O óleo utilizado no preparo também ganha uma nova função: vira sabão para a limpeza da escola.
“Uma gordura que poderia entupir a pia ou ser jogada fora é utilizada para fazer o sabão”, afirma Octávio. Segundo ele, parte do material produzido também é doada a instituições, como a Casa Lar.
Para o diretor da escola, Eric de Oliveira, o método de ensino busca fazer com que os estudantes levem os conhecimentos adquiridos para suas famílias e comunidades.
“A Escola Família Agrícola trabalha com a pedagogia da alternância. É uma educação própria e apropriada para os jovens do campo. A escola trabalha visando ao protagonismo dos jovens, para que não aconteça o êxodo rural e para que eles possam aprender aqui na prática e levar os aprendizados para suas famílias e comunidades”, afirmou.
Segundo os alunos, o método de ensino já tem reflexos fora da escola. Yara, por exemplo, conta que não sabia fazer o manejo de hortaliças antes de estudar na unidade. Hoje, ela aplica os conhecimentos aprendidos na horta em casa e ajuda na alimentação da família.
Danilo também pretende trabalhar no setor agrícola e diz que utiliza os ensinamentos da escola no dia a dia. “É uma realidade bacana de se viver. Aqui, estou aprendendo bastante para poder levar de volta o conhecimento para a minha família e para a comunidade também”, avaliou.
Guilherme também pretende seguir carreira no campo e destaca a importância da formação para o futuro como técnico em agropecuária. “A pedagogia da alternância e vivência da realidade são de extrema importância para a nossa vida, futuros técnicos em agropecuária. A vivência da teoria na prática é algo essencial”, finalizou.