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Vitor Vogas

Caso Gilvan: o dilema de Magno Malta e o risco político para o PL

Na hipótese de o deputado ser barrado pelo TRE-ES, se ele não for trocado na chapa até segunda-feira (14) e seus recursos no TSE não prosperaram, a chapa ficará por demais prejudicada, bem como suas chances na disputa por espaço na Câmara dos Deputados

Publicado em 11 de Setembro de 2026 às 15:40

Públicado em 

11 set 2026 às 15:40
Vitor Vogas

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Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Gilvan da Federal, Magno Malta e Carlos Salvador exibem a ficha de filiação do vereador ao PL
Gilvan da Federal, Magno Malta e Carlos Salvador exibem a ficha de filiação do então vereador de Vitória ao PL Divulgação/PL

O requerimento de registro de candidatura do deputado Gilvan da Federal (PL) será julgado nesta sexta-feira (11) pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), em sessão marcada para as 17h. Tecnicamente, ele está inelegível, pela prática do crime de violência política contra mulher, em condenação confirmada em três instâncias: decisões do juízo eleitoral de Vitória, do próprio TRE-ES e do relator de seu recurso eleitoral especial no TSE, ministro Ricardo Villas Boas Cueva.


No dia 28 de agosto, Cueva negou o recurso e um habeas corpus criminal pedido por Gilvan. Revogando liminar anterior, do ministro Nunes Marques, o relator manteve a condenação do deputado e, portanto, sua inelegibilidade. Por sua vez, a Procuradoria Regional Eleitoral do Espírito Santo impugnou a candidatura de Gilvan, isto é, pediu ao TRE-ES a negativa do registro. A Federação PSol/Rede fez o mesmo. É isso que será julgado nesta sexta.


Enquanto isso, os advogados de Gilvan entraram com dois recursos (agravos regimentais) no TSE, também sob a relatoria de Cueva: um no âmbito do recurso especial, outro no do habeas corpus. Basicamente, pedem a restauração dos efeitos da liminar concedida em julho por Nunes Marques, com a consequente suspensão da inelegibilidade de Gilvan. O TSE não tem data para julgar tais agravos. Em caso de recusa do registro dele pelo TRE-ES, esse será o último fio de esperança para o deputado bolsonarista.


Pelo calendário eleitoral, se Gilvan tiver mesmo a candidatura barrada pelo TRE-ES, a direção estadual do PL (leia-se Magno Malta) terá até segunda-feira (14) para substituí-lo na chapa.


Se não o fizer, apostando tudo numa incerta reviravolta vinda do TSE, Gilvan até poderá constar nas urnas eletrônicas, no dia 4 de outubro.


Mas, se não houver decisão favorável a ele até lá, os votos que vier a receber serão todos anulados. Esse é o entendimento prevalente, com base na jurisprudência atual do TSE. Para alguns advogados, porém, o prazo para eventual “salvação” vinda do TSE iria até a data da diplomação dos eleitos: 18 de dezembro.


De todo modo, independentemente da “data fatalíssima”, da real extensão da “sobrevida”, o fato é que o PL tem uma decisão crucial a tomar, relativa a outro prazo mais urgente: não trocar Gilvan na chapa, até segunda-feira (14), mesmo após eventual indeferimento no TRE-ES, corresponde a assumir um enorme risco político.


Significa ir para o tudo ou nada e apostar todas as fichas no sucesso junto ao TSE, ou seja, no incerto “provimento” de um recurso em tempo hábil para trazê-lo de volta ao jogo.


Se eles não substituírem Gilvan a tempo e o recurso dele no TSE não prosperar, a chapa ficará por demais prejudicada, bem como suas chances na disputa por espaço na Câmara dos Deputados.


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A real situação da chapa do PL-ES

Ora, sejamos francos: apesar de toda a força do bolsonarismo, não é como se estivessem sobrando candidatos competitivos na chapa federal do PL no Espírito Santo...


Na verdade, desde o início, a chapa montada por Magno Malta sempre esteve dependente de dois pilares, Gilvan e o deputado estadual Lucas Polese, para fazer de um a dois federais.


Sem Gilvan, vai-se uma das duas pernas, e a chapa fica manca, por demais dependente do desempenho eleitoral de Polese, que inclusive está fazendo campanha na TV ao lado de Nikolas Ferreira e se apresentando como uma espécie de Nikolas capixaba.


Sem a nêmeses de Camila Valadão (PSol), a chapa do PL-ES poderá fazer, no máximo, um federal (Polese), ainda assim com muito esforço, se o deputado estadual de Colatina “pocar a urna”.


Agora, se Gilvan não for trocado por ninguém até a próxima segunda-feira (14) e acabar mesmo fora em definitivo, esse esforço terá de ser ainda maior, pois, em vez de totalizar 11 candidatos somando seus votos para superar o quociente eleitoral, a chapa do PL concorrerá com apenas 10. É como um time de futebol já entrar em campo com um jogador a menos.


Já se Gilvan for trocado a tempo por um candidato a estadual que seja alçado para a chapa federal e possa ajuntar seus 20 mil ou 30 mil votos, este na certa não chegará perto do potencial desempenho individual de Gilvan, mas pelo menos aliviará o esforço e tornará bem mais tangível a meta de superar o quociente eleitoral e garantir, pelo menos, a eleição de Polese.


Enfim, se Gilvan perder no TRE-ES, a menos que se dê um milagre em prol do deputado no TSE (daqueles de fazer jus a filme de Rocky Balboa), a alternativa mais realista para o PL neste momento parece ser jogar a toalha e substituir Gilvan na chapa até segunda.

Posicionamento do PL-ES

A assessoria de imprensa do PL-ES informou que a direção nacional do partido se pronunciará sobre o caso de Gilvan até a próxima segunda-feira (14). 

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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