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Crônica

Agora vai dar certo

Publicado em

04 abr 2025 às 02:00
O tema desta crônica me veio à cabeça no comecinho da manhã de quarta-feira, quando nadava de pé, na praia deserta. As frases foram escritas ao longo do dia, corrigidas e completadas na manhã de quinta e enviadas ao jornal para serem publicadas nesta sexta (4).
A motivação do tema está relacionada com o que deverá acontecer na noite desta sexta-feira, lá no edifício da Findes. A ideia surgiu ao perguntar a Carol o que eu deveria dizer aos amigos e empresários do setor de software que atuam no Espírito Santo e Brasil afora, em agradecimento à homenagem que lá receberei. Será a mesma que pretendiam fazer em meados de 2024, impossibilitada por uma grave falta de energia na região do aeroporto.
Pensando bem, naquele salão repleto de gente animada, estarei sob forte pressão das lembranças de fatos relevantes que aconteceram, dos resultados e das piruetas dadas para conseguir as coisas.
Acho bastante improvável conseguir relembrar algumas passagens sem gaguejar, sem falar palavras truncadas e, bem pior, sem começar a chorar em público, mesmo que por justa causa e sob o olhar amistoso de gente querida.
Lá estarão pessoas que acreditaram, no começo dos anos 1990, que valeria a pena dedicar esforços em favor do fortalecimento das empresas capixabas de informática, como se dizia. As pioneiras, pra falar a verdade.
Pois foi na fila do caixa de uma padaria, na Praia do Suá, que Fátima Albuquerque, minha vizinha, hoje grande amiga, se apresentou e puxou conversa. Ela disse que sabia do que eu havia feito em favor das empresas dos setores de mármore e granito, metalmecânica, confecções e café. E com a maior cara boa deste mundo, perguntou se seria possível dar uma forcinha para as de software também.
Falou que todas elas, cada qual a seu modo, estavam desenvolvendo seus produtos e serviços, definindo rumos e buscando mercados promissores. Isso, na raça e na coragem, sem qualquer apoio de governo e de empresas locais. Muitos de seus líderes, tinham atuado nos CPDs de grandes empresas e de órgãos governamentais e saíram para se aventurar em busca de sonhos.
Computador
Empresa de tecnologia Crédito: Pixabay
Para quem não sabe, digo que foi relativamente fácil criar o CTSOFT - Centro de Tecnologia de Software - que instalamos no prédio da Prodest. Para começar a trabalhar, juntamos empresários associados, definimos pautas e buscamos apoios. Nessa leva, recebemos um núcleo do Softex, do governo federal, criamos o Ponto de Presença da Internet, conseguimos dinheiro do CNPq para instalações e projetos, e assim por diante.
Nessa época, a TecVitória, ainda pouco demandada, optou por dedicar suas melhores atenções ao setor, inclusive abrigando as suas entidades de representação e sediando todas as conversas e iniciativas. A primeira empresa que foi incubada, a ISH, era de informática. A criação do Polo de Software de Vitória foi fruto da conjugação de muitas forças e interesses positivos. O programa de certificação de empresas e a criação de incentivos fiscais rendem bons frutos até hoje. Não tenho os números, mas posso garantir que a economia do Espírito Santo se beneficia enormemente com a geração de empregos, renda, impostos, divisas e serviços desse setor.
Por tudo isso, estou acreditando que essa homenagem expressa a valorização dos entendimentos e das práticas que tenho adotado ao longo da vida para conseguir bons resultados com o apoio de muita gente, incluindo: inventar moda é algo muito prazeroso; acreditar possível é uma atitude fundamental; começar pequeno ajuda a viabilizar o grande e o complexo; mobilizar muitas pessoas amplia e sustenta os resultados; trabalhar para muitos é opção generosa e gratificante; fazer bem feito compensa.
Dito tudo isso, é ficar esperando a hora da festa, aguentar firme e partir pros abraços apertados.
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