“Brasília em chamas”. Um arguto observador da cena política brasileira se referiu assim à escalada de uma crise inédita no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana. Além de ser inédita, a crise já mostra sinais de alvejar tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio Bolsonaro.
A campanha de Lula por causa do processo do INSS, que tem Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, como alvo de investigação.
E a campanha de Flavio Bolsonaro por causa do filme “Dark Horse”, realizado com apoio do Banco Master.
Todos vimos com olhos de ver as graves denúncias contra o ministro Alexandre Moraes, visto pela oposição ao governo como inimigo do bolsonarismo e com certa proximidade com o governo.
Todos viram a alta das tensões entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O ministro André Mendonça é visto na polarização brasiliense como próximo ao bolsonarismo.
Tudo tem a ver com os processos do “Caso Master” e do “Caso INSS”.
Por ora, a resultante é o aumento da turbulência política, com claros sinais de atingir as eleições presidenciais. Essas eleições se tornaram ainda mais imprevisíveis. E ainda mais sujeitas ao improvável.
Neste momento, o improvável, mas não impossível, é a aceleração das intenções de votos em Augusto Cury, candidato à Presidência da República pelo partido Avante. A nova pesquisa da Quaest, desta semana, mostra uma aceleração impressionante. Cury quebrou a barreira dos dois dígitos, chegando a 10% das intenções de votos. Um salto de 2% para 10%.
Tudo somado, as eleições presidenciais continuam em aberto.
Sim, a pesquisa Quaest registra ainda 41% de indecisos na menção espontânea. O salto de Cury é o sintoma da permanência da volatilidade.
O salto vem dos eleitores independentes: 24% dos independentes já dizem votar nele no primeiro turno. Os independentes representam 32% do eleitorado. Estão acima de Flavio (30%) e perto de Lula (37%). A maioria dos independentes rejeita Lula e Flavio. São os “nem nem”.
Portanto, continua com os independentes os rumos das eleições. A volatilidade ainda vai definir as eleições. Podendo abrir caminho para uma (até agora) improvável ida de Augusto Cury para o segundo turno – no lugar de Flávio Bolsonaro.
Felipe Nunes, analisando a pesquisa na Globo News, ressaltou que Flavio só tem maioria na extrema direita. Registrou que só 33% dizem que o Flavio é o melhor da direita. E que 45% da direita dizem que ele não é o melhor.
Isso mostra, segundo Felipe, potencial para engajamento e transferência de voto. Ainda mais porque as rejeições de Flavio e Lula continuam altas. 55% para Flavio e 53% para Lula.
Portanto, há espaço eleitoral ainda aberto para o eventual crescimento de um candidato de terceira via. 41% de indecisos. Com 29% que ainda não resolveram em quem votar.
Felipe mostra que o potencial de voto de Cury aumentou para mais 21%, embora seu conhecimento ainda seja baixo. Só agora o eleitor começa a identificar o Cury candidato com o Cury escritor.
Os eleitores desanimados e/ou indignados podem ir na direção de uma terceira via com Augusto Cury. A sua moderação e coragem, com propostas para governar, chamou a atenção.
Segundo Nunes, a direita não bolsonarista e moderada pode sair do Flavio. Potencial para a eventual continuação da escalada de Cury.
No eleitorado nacional, existe a demanda por uma terceira via. Mas faltava a oferta.
Estaria chegando agora?
“O que a vida quer da gente é coragem”, dizia Guimarães Rosa.
As pesquisas continuam mostrando o cansaço com a polarização; a busca de um projeto de futuro; o encontro do liberal com o social.
Um potencial para uma candidatura de centro e moderada chegar a conquistar piso eleitoral de até 30%. E ser capaz de disputar um segundo turno.
A sociedade agradeceria.
Vale repetir: o Brasil de 2027/2031, diante dos desafios externos e internos já colocados agora em 2026, terá grandes dificuldades de governança e governabilidade se as eleições de 2026 não confluirem para a vitória de uma Frente Ampla.
Ainda mais com os vestígios da situação de “Brasília em chamas” mostrados nesta semana.
Em seu novo livro, “A Oligarquia dos Poderes”, Joaquim Falcão mostra que, pela primeira vez, o arranjo oligárquico de poder no Brasil é produzido “pelo Estado dentro dele próprio. Vem das autoridades, das ambições internas. Do progressivo descolamento entre o eleitor e o Estado Democrático de Direito”.
Pois bem. A oligarquia dos poderes se manifestou em Brasília nesta semana.
É essa “nova oligarquia” regressiva, em pleno século XXI, que uma Frente Ampla poderia conter, com legitimidade para reconectar Estado e Sociedade.