Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Civilidade

Novo marco do saneamento é um salto duplo "twist" carpado

Criou-se, assim, um ambiente para que possam coexistir empresas públicas competitivas, parcerias público-privadas e empresas privadas prestadoras de bons serviços a preços competitivos

Publicado em 01 de Julho de 2020 às 06:00

Públicado em 

01 jul 2020 às 06:00
Delfim Netto

Colunista

Delfim Netto Delfim Netto

ideias.consult@uol.com.br

Saneamento descentralizado será pauta de Bancada Ativista em 2020
Apenas 80% dos cidadãos têm água encanada e limpa, e menos de 50% têm esgoto tratado no Brasil Crédito: Pixabay
O que define uma sociedade civilizada é a perseverança com que ela promove a igualdade de oportunidades para seus cidadãos. É ela que minimiza os efeitos da história e da geografia, ou seja, do ambiente do nascimento sobre o destino de cada um. O objetivo moral permanente do Estado deve ser, portanto, coordenar e dar efetividade à sua construção.
Pois bem. A igualdade de oportunidades começa com políticas públicas que cuidem da gestante com relação à sua saúde e alimentação e do suprimento de dois bens dos quais ninguém pode ser privado: água limpa encanada e esgoto tratado. Numa larga medida, são estes que determinam a higidez e a capacidade cognitiva do futuro cidadão.
Há 32 anos, a Constituição determinou que compete aos municípios os serviços de água e saneamento, mas ainda amargamos vergonhosos índices nos dois mais importantes supridores de igualdade de oportunidades: apenas 80% dos cidadãos têm água encanada e limpa, e menos de 50% têm esgoto tratado, sem falar no desperdício da água já tratada, que ronda 38%. Enquanto isso, o marco regulatório do setor dormia no Congresso desde 2001!
Na semana passada, tivemos uma epifania, que revelou que as instituições estão funcionando. A competente colaboração dos presidentes Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia com o ministro Paulo Guedes ajudou a aprovar o excelente projeto relatado pelo ilustre senador Tasso Jereissati, que cria, afinal, o novo marco legal do saneamento.
Para dar garantia jurídica aos novos contratos, o setor será regulado por uma reforçada Agência Nacional de Águas (ANA). Criou-se, assim, um ambiente para que possam coexistir empresas públicas competitivas, parcerias público-privadas e empresas privadas prestadoras de bons serviços a preços competitivos.
Abriu-se um formidável espaço para investimentos – qualquer coisa entre R$ 500 bilhões e R$ 700 bilhões em dois ou três anos – que, ao mesmo tempo em que aumentará a igualdade oportunidades, economizará em gastos de saúde e, primordialmente, aumentará a eficiência da educação. Basta lembrar que 49% das escolas primárias dispersas pelo Brasil não estão ligadas à rede de esgoto, 26% não têm acesso a água limpa encanada e quase 20% delas não têm nem sequer banheiro dentro do prédio em que funcionam.
Para surpresa geral, com um presidente comandado pelos piores preconceitos identitários e religiosos, demos um salto duplo "twist" carpado e pusemos em marcha uma importante medida civilizatória: o início da redução da desigualdade de oportunidades que até agora infelicitou a sociedade brasileira.

Delfim Netto

Delfim Netto Delfim Netto

Delfim Netto é um dos colunistas de A Gazeta

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Sede da Apex Partners na Praia do Suá, Vitória.
Grupo de 150 investidores da Apex avalia formar associação para negociar com empresa
Imagem de destaque
Como a guerra do Irã reacendeu a disputa pelo Canal do Panamá
Imagem de destaque
Por que restaurantes estão acabando com as gorjetas nos EUA

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados