A história é prodiga em nos lembrar a máxima de que poucos sobreviveriam a uma devassa em suas vidas. Somos todos, em alguma medida, frágeis a exposição pública de nossas intimidades. Viver é conviver com pensamentos que nos colocam frente a frente com nossas contradições, nossas mazelas e nossos horrores internos.
Não somos bons por natureza. Somos carregados de contradições e feiuras internas que nos levam à procura permanente de estratégias que nos permitam sermos vistos como pessoas de bem, comprometidas com a ética, com a verdade e com a justiça.
Muitos de nós, ao contrário, não querem viver de máscaras e lutam a vida toda, não apenas para parecerem bons, honestos e justos, mas para efetivamente serem e se tornarem cada vez mais íntegros, lutando contra uma natureza corruptível.
A busca do bom, do justo, do ético e de sermos reconhecidos como homens e mulheres de bem é um exercício cotidiano, ao qual nos dedicamos com afinco. Buscar um discurso politicamente correto e palatável à moralidade comum sempre nos pareceu uma estratégia virtuosa para sobrevivemos em sociedade sendo respeitados, admirados, tolerados ou amados.
Essa lógica que sempre moveu a humanidade e que levou, especialmente políticos, líderes e homens públicos em geral, a respeitarem um mínimo ético socialmente aceito, parece ter se perdido, havendo hoje uma nova e estranha ordem mundial a reger as condutas dos homens públicos, que parecem estar cada vez mais convencidos de sua onipotência, independentemente dos horrores e dos absurdos que vivem em suas vidas pessoais.
Trump e todos aqueles homens citados nos arquivos secretos Epstein, como tendo participado dos crimes de natureza sexual, da maior vileza e abjeção jamais imaginados por nós pobres mortais, nos apontam que a cultura está se modificando e que a nova ordem mundial caminha no sentido da naturalização do absurdo.
A nudez vergonhosa dos líderes mundiais envolvidos nesses crimes abjetos, execráveis e repugnantes e o silêncio conivente de tantos nos alertam que vivemos uma revolução que poderá nos levar ao fim da existência ética do homem na terra.
Quando as máscaras caem e poucos se mostram indignados com a absurda face que se mostra e propõem que sigamos em frente, significa que a paz não é mais possível, considerando sua incompatibilidade absoluta com a naturalização do absurdo ético moral.