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Escândalo

Arquivos Epstein mostram a naturalização do absurdo

A nudez vergonhosa dos líderes mundiais envolvidos nesses crimes abjetos, execráveis e repugnantes e o silêncio conivente de tantos nos alertam que vivemos uma revolução que poderá nos levar ao fim da existência ética do homem na terra
Elda Bussinguer

Publicado em 

17 fev 2026 às 03:00

Publicado em 17 de Fevereiro de 2026 às 06:00

A história é prodiga em nos lembrar a máxima de que poucos sobreviveriam a uma devassa em suas vidas. Somos todos, em alguma medida, frágeis a exposição pública de nossas intimidades. Viver é conviver com pensamentos que nos colocam frente a frente com nossas contradições, nossas mazelas e nossos horrores internos.
Não somos bons por natureza. Somos carregados de contradições e feiuras internas que nos levam à procura permanente de estratégias que nos permitam sermos vistos como pessoas de bem, comprometidas com a ética, com a verdade e com a justiça.
Muitos de nós, ao contrário, não querem viver de máscaras e lutam a vida toda, não apenas para parecerem bons, honestos e justos, mas para efetivamente serem e se tornarem cada vez mais íntegros, lutando contra uma natureza corruptível.
A busca do bom, do justo, do ético e de sermos reconhecidos como homens e mulheres de bem é um exercício cotidiano, ao qual nos dedicamos com afinco. Buscar um discurso politicamente correto e palatável à moralidade comum sempre nos pareceu uma estratégia virtuosa para sobrevivemos em sociedade sendo respeitados, admirados, tolerados ou amados.
Essa lógica que sempre moveu a humanidade e que levou, especialmente políticos, líderes e homens públicos em geral, a respeitarem um mínimo ético socialmente aceito, parece ter se perdido, havendo hoje uma nova e estranha ordem mundial a reger as condutas dos homens públicos, que parecem estar cada vez mais convencidos de sua onipotência, independentemente dos horrores e dos absurdos que vivem em suas vidas pessoais.
Trump e todos aqueles homens citados nos arquivos secretos Epstein, como tendo participado dos crimes de natureza sexual, da maior vileza e abjeção jamais imaginados por nós pobres mortais, nos apontam que a cultura está se modificando e que a nova ordem mundial caminha no sentido da naturalização do absurdo.
Jeffrey Epstein morreu em 2019
Jeffrey Epstein morreu em 2019 Crédito: Reprodução/YouTube
A nudez vergonhosa dos líderes mundiais envolvidos nesses crimes abjetos, execráveis e repugnantes e o silêncio conivente de tantos nos alertam que vivemos uma revolução que poderá nos levar ao fim da existência ética do homem na terra.
Quando as máscaras caem e poucos se mostram indignados com a absurda face que se mostra e propõem que sigamos em frente, significa que a paz não é mais possível, considerando sua incompatibilidade absoluta com a naturalização do absurdo ético moral.
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