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Letícia Gonçalves

A saia justa de Lorenzo Pazolini na convenção do PL

Ex-prefeito é apoiado pelo partido de Magno Malta, mas isso tem um custo

Publicado em 03 de Agosto de 2026 às 08:55

Públicado em 

03 ago 2026 às 08:55
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini durante Convenção Estadual do PL. Ao seu lado, na mesa, o senador Magno Malta e sua filha Maguinha
O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini durante a convenção estadual do PL Foto: Carlos Alberto Silva
O senador Magno Malta, presidente estadual do PL, contou, durante a convenção estadual do partido, no último sábado (1º), que foi aconselhado a não falar sobre um certo assunto. Mas falou mesmo assim.

Perto dele, sentado à mesa com outros convidados, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) ouviu tudo. Magno chamou as vacinas contra Covid-19 de "desgraça" e propagou desinformação ao afirmar que quem se vacinou "tem que tomar remédio todo dia para afinar o sangue".

Por mais de uma vez, o senador atacou a ciência e as políticas públicas adotadas durante a pandemia, em 2021, quando Pazolini era prefeito da Capital.

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O republicano também ouviu Magno Malta sustentar que é impossível separar política e religião e, assim, defender quase um Estado teocrático.

Pazolini não o contradisse, mas pareceu pouco à vontade.

O PL apoia o ex-prefeito como pré-candidato a governador do Espírito Santo e, pragmaticamente falando, é um parceiro importante.

Garante maior tempo de exposição no horário eleitoral gratuito, dinheiro para fazer campanha e um potencial exército de cabos eleitorais.

Mas o efeito da aliança vai além disso. Tem um preço.

Ao se associar a Magno, Pazolini, indiretamente, relaciona a própria imagem ao discurso da ala mais radical da direita e a um dos nomes com maior rejeição no cenário político capixaba, o próprio senador.

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E ainda deixa várias questões no ar: num eventual governo do republicano, qual seria a influência do PL?

As ideias que o partido prega seriam colocadas em prática? Quadros da sigla ocupariam secretarias?

Em que medida o ex-prefeito concorda com as declarações de Magno Malta?

Não foi possível perguntar nada disso a Pazolini, uma vez que ele saiu literalmente correndo da convenção e não concedeu entrevistas.

É preciso lembrar, entretanto, que a Prefeitura de Vitória, sob a gestão do republicano, promoveu a vacinação contra Covid-19.

Prestou um serviço muito bom, inclusive, com agendamento on-line utilizado até por moradores de outras cidades.

Mas a pandemia é um assunto delicado, por vezes utilizado por adversários do ex-prefeito.

Em 2020, quando era deputado estadual, Pazolini e um grupo de parlamentares de oposição fizeram uma visita surpresa ao Hospital Dório Silva, na Serra, pouco depois de o então presidente Jair Bolsonaro exortar apoiadores a invadirem unidades de saúde para filmar leitos.

Pazolini sempre negou a pecha de "invasor de hospital" e já disse que a visita ao Dório Silva nada teve a ver com o pedido de Bolsonaro.

A postura mais voltada à centro-direita e um tanto "em cima do muro"  preservou o ex-prefeito dessas polêmicas. Até agora.

Ele, como a coluna mostrou, decidiu apoiar em 2026 a candidatura do filho de Jair, Flávio Bolsonaro (PL), à Presidência da República. Abraçou o bolsonarismo, ao menos simbolicamente.

Isso deve agradar aos eleitores de direita, mas pode também afastar aqueles que preferiam a postura mais centrada até então adotada pelo ex-prefeito.

ROUBO DE CELULAR PARA "CERVEJINHA"

Pazolini discursou brevemente durante a convenção estadual do PL. Não abordou os temas citados por Magno.

O ex-prefeito preferiu elogiá-lo pela atuação como senador e fez mesuras a Maguinha Malta, candidata ao Senado pelo PL.

O foco do discurso de cerca de cinco minutos foi o combate à violência doméstica e familiar, a proteção às mulheres e a segurança pública.

Ele também agradeceu à "militância do PL", "que desde o primeiro momento nos acolheu".

Em dado momento, o ex-prefeito também espalhou desinformação. 

"Tem uma turma que diz aí que não tem problema o roubo de celular que é só para quê?"

"Para tomar uma cervejinha", completou a plateia.

A referência é a um vídeo editado para fazer crer que o presidente Lula (PT) relativizou o roubo de celular.

Essa fake news é bastante propagada em ciclos bolsonaristas. E, agora, por Pazolini.

Magno, ao ser questionado se considera Pazolini um autêntico bolsonarista, avaliou que o republicano é "parecido"  com isso. O que já está de bom tamanho.

E repetiu, no discurso. "Temos que nos juntar com quem é mais parecido conosco. Cada um é cada um. Ninguém é igual a você, Pazolini".

Na convenção, o ex-prefeito usou uma camisa amarela, mas com a seguinte inscrição: "Capixabista".



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Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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