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Letícia Gonçalves

PSD, partido de Hartung, vive sinuca de bico no Espírito Santo

Sigla adiou convenção para o último dia do prazo. Entenda os possíveis caminhos da legenda e por que a coluna avalia que o ex-governador dificilmente vai ser candidato

Publicado em 29 de Julho de 2026 às 10:28

Públicado em 

29 jul 2026 às 10:28
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Lívia Vasconcelos, Paulo Hartung, Renzo Vasconcelos e Aridelmo Teixeira Divulgação/PSD
O PSD, partido do ex-governador Paulo Hartung, adiou a realização da convenção estadual do dia 2 para o dia 5, limite do prazo estipulado pela legislação eleitoral. A sigla corre contra o tempo.

Na disputa pelo governo do Espírito Santo, pode ficar no palanque do governador Ricardo Ferraço (MDB), no do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) ou lançar candidatura própria, que seria a de Hartung.

Considero esta a opção menos provável. De qualquer forma, o partido está em uma sinuca de bico, sem saber onde e como se encaixar.

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À exceção da alternativa de se lançar sozinho na disputa, o destino do partido não depende apenas do PSD.

O presidente estadual da legenda, o prefeito de Colatina Renzo Vasconcelos, já afirmou que faz questão de que a sigla ocupe lugar numa chapa majoritária.

Isso quer dizer indicar o vice ou um dos candidatos ao Senado. O pré-candidato do PSD a senador é o deputado estadual Sérgio Meneguelli.

Para vice, Renzo já sugeriu a própria esposa, Lívia Vasconcelos, para compor com Pazolini. Não obteve sucesso. Principalmente após a chegada do PL do senador Magno Malta ao palanque do republicano. 

No palanque de Ricardo, seria mais complicado ainda. Os aliados do governador já estão em meio a uma briga fratricida, pressionando o emedebista a escolher um dos nomes já postos. 
O PSD aparecer com mais uma opção dificilmente iria ajudar.

Sem contar que Lívia Vasconcelos não atende ao perfil buscado por aliados de Ricardo: alguém que tenha votos na Grande Vitória, onde o governador mais precisa.

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Na corrida pelo Senado, também seria difícil emplacar Meneguelli. Uma das vagas na chapa já é do ex-governador Renato Casagrande (PSB) e a outra está quase nas mãos da ex-senadora Rose de Freitas (MDB).


Ela, aliás, recebeu mais uma mensagem de apoio do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, para obter espaço para concorrer.

Casagrande, principal aliado do governador, e o próprio Ricardo, já disseram que o partido de Hartung é bem-vindo, mas não necessariamente a figura de Hartung.

Os termos da conversa são tratar com "CNPJ e não com CPF", ou seja, com o partido enquanto instituição, não com seus membros mais proeminentes.

A questão do PSD, porém, acabou por perder protagonismo e foi substituída pela disputa interna entre prefeitos — notadamente os de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), e de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos (PSB) — e dirigentes partidários da federação União Progressista.

Os prefeitos defendem que o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal (PDT) seja o vice de Ricardo. A federação quer a vaga para si.

Como Casagrande lembrou, em entrevista à coluna, é natural haver divergências em uma base aliada tão ampla.

A eventual chegada do PSD, porém, apesar de admitida pela maioria dos aliados, teria o potencial de ampliar essas divergências.

POR QUE É IMPROVÁVEL HARTUNG SER CANDIDATO

Como Renzo Vasconcelos já destacou mais de uma vez, nada impede que o PSD se lance sozinho na disputa. Com Hartung candidato ao governo e Meneguelli ao Senado, sem coligação, sem o apoio de mais ninguém.

Os dois são nomes competitivos e dariam trabalho aos adversários.

Mas disputariam com tempo limitado no horário eleitoral gratuito e sem candidatos a deputado estadual e federal que poderiam atuar como cabos eleitorais.

Ainda enfrentariam a máquina do governo do estado e a da Prefeitura de Vitória.
Pesquisa Quaest divulgada duas semanas atrás mostrou Hartung tecnicamente empatado em primeiro lugar com Ricardo e Pazolini.

Mas observe, leitor e leitora, que é empate, não uma vantagem insuperável.

É um resultado impressionante, claro, considerando que o ex-governador nem fez campanha, 
nem se disse pré-candidato e já largou na dianteira.

Hartung, entretanto, se iniciasse esse processo agora, além dos obstáculos já mencionados, encontraria um cenário em que a maioria das forças políticas já está posicionada ou com Ricardo ou com Pazolini.

O PSD, na prática, foi preterido pelo ex-prefeito de Vitória, que viu no PL um aliado mais valioso. 

O Partido Liberal tem mais tempo no horário eleitoral, mais dinheiro do fundo eleitoral e, principalmente, mais estrutura, mais filiados e potenciais cabos eleitorais no Espírito Santo.
O PL tem chapas completas de candidatos a deputado federal e a deputado estadual, ao contrário do PSD.

O partido de Renzo e Hartung é forte no cenário nacional, mas no estado tem um desempenho tímido. 

O ex-governador está em São Paulo, onde atua na iniciativa privada.

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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