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Letícia Gonçalves

Governo do ES impõe multa milionária a empresa por fraude no abastecimento de veículos oficiais

Processo Administrativo de Responsabilização concluiu que o combustível custava mais caro que o valor que aparecia nas bombas dos postos

Publicado em 24 de Agosto de 2026 às 14:12

Públicado em 

24 ago 2026 às 14:12
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Abastecimento de combustível: erro de posto gerou indenização
Combustível que abastecia os carros do governo do Espírito Santo custava mais caro que o normal Marcello Casal Jr./Agência Brasil
A Secretaria de Estado de Controle e Transparência do Espírito Santo (Secont) aplicou multa administrativa no valor de R$ 1.327.149,36 à empresa Link Card Administradora de Benefícios Ltda, que mantinha contrato com a Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger).

A empresa prestava serviços de gerenciamento do abastecimento de combustível da frota oficial de veículos e equipamentos, incluindo a implantação e operação de sistema informatizado de gestão de frota, via internet, e cartões magnéticos, para aquisição de combustíveis na rede de postos credenciados.

De acordo com a conclusão de um Processo Administrativo de Responsabilização (PAR), na prática, o combustível para abastecer os carros do governo custava mais caro que o normal.

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A Link Card
cobrava dos postos uma taxa que variava entre 4,5% e 7% sobre as operações.

Para compensar, os postos passaram a praticar preços diferenciados e superiores ao valor indicado no visor da bomba.

"A conduta foi enquadrada como fraude à execução de contrato administrativo e manipulação ou fraude do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, nos termos do artigo 5º, inciso IV, alíneas 'd' e 'g', da Lei Federal nº 12.846/2013 (Lei Anticorrupção)", informou a Secont à coluna.

"A decisão aponta que a Link Card, na condição de gerenciadora da rede credenciada e centralizadora das operações e do  fluxo financeiro, dispunha de mecanismos para fiscalizar, glosar valores, reter repasses e descredenciar estabelecimentos, mas não os utilizou de forma eficaz para impedir a continuidade das irregularidades", diz ainda a nota da secretaria.

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A sanção foi publicada no Diário Oficial no último dia 18.


O contrato nº 018/2017 firmado entre a Link Card e a Seger tinha vigência de 24 meses e valor global máximo de R$ 63.737.289,19, de acordo com registro feito no Diário Oficial em fevereiro de 2018.

"As irregularidades começaram a ser identificadas em meados de 2018", de acordo com a Secont.

"Em setembro do mesmo ano, a Diretoria de Administração de Frota da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) comunicou a Seger sobre a situação. Posteriormente, a Gerência de Serviços Corporativos (Gecor) da Seger esteve presencialmente nos postos credenciados e conseguiu constatar a persistência da cobrança diferenciada."

LINK DIZ QUE JAMAIS PRATICOU QUALQUER ILEGALIDADE

O PAR é um procedimento previsto na Lei Anticorrupção. A empresa tem direito a se defender no processo.

Também pode recorrer da decisão.

Em nota enviada à coluna, a Link disse estar "
confiante de que as autoridades reconhecerão o equívoco da decisão" e que jamais praticou "qualquer ilegalidade".


A NOTA DA EMPRESA, NA ÍNTEGRA

A decisão ainda não é definitiva e comporta recurso administrativo com efeito suspensivo. Estamos aguardando o desfecho na esfera administrativa, confiante de que as autoridades reconhecerão o equívoco da decisão e da penalidade, pois jamais praticamos qualquer ilegalidade e acreditamos firmemente que essa equivocada decisão será revertida.

Link Benefícios

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Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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