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Letícia Gonçalves

"Velha política" e "falta de experiência" viram armas entre candidatos ao governo do ES

Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço trocaram farpas durante debate realizado por A Gazeta e CBN Vitória. Helder Salomão distribuiu alfinetadas

Publicado em 22 de Setembro de 2026 às 14:42

Públicado em 

22 set 2026 às 14:42
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Debate CBN e A Gazeta com os candidatos ao governo do ES, Lorenzo Pazolini, Helder Salomão e Ricardo Ferraço
Debate CBN e A Gazeta com os candidatos ao governo do ES, Lorenzo Pazolini, Helder Salomão e Ricardo Ferraço Fernando Madeira
Candidato à reeleição, o governador Ricardo Ferraço (MDB) quer colar um rótulo em seu principal adversário, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos): "Inexperiente".

O republicano, por sua vez, pretende emplacar em Ricardo a pecha de integrante da "velha política".

As duas estratégias ficaram evidentes durante o debate realizado por A Gazeta e CBN Vitória nesta terça-feira (22). 

Helder Salomão (PT), que corre por fora, em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, ficou mais à vontade para alfinetar tanto Pazolini quanto Ricardo.

A 12 dias da votação no primeiro turno das eleições 2026, os ânimos começaram a esquentar entre os concorrentes ao Palácio Anchieta. Mas num nível civilizado, até contido.

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Contribui para isso o fato de que Pazolini e Ricardo não são lá muito bons oradores e são pouco performáticos, de forma que o debate não contou com grandes arroubos de retórica.

Mas teve momentos interessantes.

Pazolini, ao responder a uma pergunta do jornalista de A Gazeta Danilo Meirelles a respeito da falta de integração entre a Prefeitura de Vitória e o governo estadual na época em que comandava o Executivo municipal, saiu-se com esta:

"Essa integração existe plenamente na área técnica, naquilo que interessa para a vida dos capixabas. Não precisa ter integração com a velha política, você não precisa coadunar com aqueles princípios e valores antigos da política tradicional, aquilo que não leva paz e prosperidade, aquilo que não leva a políticas públicas."
 
Foi aí que começou a menção à "velha política" no embate

Já Ricardo, ao responder a um questionamento de Pazolini sobre mortes no trânsito, fez a primeira incursão/alerta aos eleitores:

Existem candidatos, como é o caso do que me antecedeu (Pazolini), que, por falta de experiência e de conhecimento do que está acontecendo no estado do Espírito Santo, parece que vive num mundo imaginário

Ricardo Ferraço (MDB) Candidato ao governo do ES

"Ele trata o Espírito Santo como se o Espírito Santo tivesse a realidade da nossa querida capital, Vitória. Não. A realidade do Espírito Santo exige muito mais experiência", completou.


As peças da campanha do governador no horário eleitoral e avaliações de aliados dele, nos bastidores, seguem a mesma toada: convencer os eleitores de que a gestão do ex-prefeito não foi assim tão maravilhosa e que, mesmo que tivesse sido, não é possível replicar o modelo para "todos os 78 municípios", como Pazolini gosta de frisar.


O ex-prefeito revidou rapidamente:

A experiência de ter o nome em lista de propina, a experiência de ter o nome em escândalos financeiros, esse tipo de experiência eu não quero (...) Quando eu nasci, o senhor já era vereador

Lorenzo Pazolini (Republicanos) Candidato a governador do ES

Ricardo Ferraço foi vereador em Cachoeiro de Itapemirim, de 1983 a 1988, seu primeiro mandato. Pazolini nasceu em 1982.

O dilema do eleitor é escolher entre um político experiente, conhecido e chancelado pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB), que foi um gestor bem avaliado, e Pazolini, que se apresenta como "o novo", em tese apto a romper com hábitos antigos e oxigenar a política capixaba. 


Helder Salomão, experiente, mas não tão tradicional quanto Ricardo, é a terceira opção.

O petista fez pontuações relevantes no debate, como esta, dirigida a Pazolini:

Velha política, candidato? O senhor não pode falar de nova política se o senhor se aliou ao que há de mais velho na política capixaba e na política nacional

Helder Salomão (PT) Candidato a governador do ES

O ex-prefeito aliou-se ao PL dos senadores Magno Malta e Flávio Bolsonaro. 


A sigla, aliás, desempenha papel de destaque na coligação do ex-prefeito, com a candidata a vice Eliane Leal e a candidata ao Senado Maguinha Malta.

Em outros momentos do debate, Helder também provocou Ricardo, como ao lembrar que o governador encontrou-se com o presidente Lula (PT) no Aeroporto de Vitória, em maio, mas sem fazer registros em foto ou vídeo.

"Se o presidente, meu adversário (a pergunta, feita pelo jornalista de A Gazeta Tiago Alencar, tratava da hipótese de Flávio Bolsonaro ser eleito presidente da República), viesse ao Espírito Santo, eu não o encontraria com o presidente escondido no aeroporto, sem divulgar nenhuma foto", afirmou o candidato do PT ao Palácio Anchieta. 

"A relação política é uma coisa, a relação institucional é outra. Respeito quem pensa diferente de mim e coloco os interesses do povo em primeiro lugar."

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Ricardo diz praticamente a mesma coisa, mas não respondeu objetivamente se, reeleito, participaria ou não de agendas oficiais de Lula no Espírito Santo (na hipótese de Lula ser reeleito), o que não fez como vice-governador nem no atual mandato. 

Durante as considerações finais do debate, dirigindo-se diretamente aos eleitores, Ricardo mandou o seguinte recado: "Eu ofereço a minha trajetória de vida, ofereço a minha coragem, ofereço a minha tranquilidade, ofereço a minha experiência para que a gente possa continuar fazendo do Espírito Santo um Estado muito respeitado".

A questão central parece ser se falta experiência a Pazolini ou se esse é um item que sobra em Ricardo.

BREAKING NEWS DE 2022

O debate também contou com momentos inusitados de breaking news, ou seja, informações trazidas à tona em primeira mão pelos candidatos.

Ricardo revelou que Pazolini foi recentemente indiciado pela Polícia Federal "porque fez denúncias contra o governo do Estado e não teve capacidade de provar".

É verdade. A coluna teve acesso a um mandado de intimação da PF. Pazolini foi indiciado nos artigos 324 e 326-A da Lei nº 4.737/1965 (o Código Eleitoral brasileiro).

Eles tratam dos crimes de calúnia eleitoral e denunciação caluniosa eleitoral.

Os fatos remontam a 2022, quando Pazolini, ao discursar na inauguração de uma escola em Jardim Camburi, acusou o governo Renato Casagrande de tentativa de fraude em licitação.

O então prefeito fez uma explanação genérica. Depois, disse ter provas, mas nunca as apresentou. O caso foi arquivado pela Procuradoria-Geral da República ainda em 2022.

O indiciamento de Pazolini, porém, ocorreu somente agora.

Isso significa que a PF viu indícios de que o ex-prefeito cometeu os crimes de calúnia eleitoral e denunciação caluniosa.

Mas indício não significa, ainda, culpa ou condenação. Falta o Ministério Público e, sobretudo, o Judiciário se pronunciarem.

BREAKING NEWS DE 2022, DE NOVO

Ainda em meio ao debate, foi a vez de Pazolini fazer uma revelação sobre outro episódio de 2022.

Naquele ano, um vídeo protagonizado por Pazolini e pela então vice-prefeita de Vitória, Capitã Estéfane, viralizou.

Era uma disputa por microfone durante um evento em Jardim Camburi. 

"Quem é que não se lembra, candidato? O senhor arrancou o microfone da mão da sua ex-vice-prefeita da cidade. Isso é exemplo de um homem público?", questionou Helder.


"Eu vou pedir para subir aí nas redes sociais o relatório do Ministério Público Federal, onde ele analisou as imagens, os fatos e a conduta. E ele disse que não houve nenhum delito e além disso, que não houve nada dessa dinâmica que o candidato está dizendo", respondeu o ex-prefeito.

O que Pazolini "subiu nas redes sociais" foi a foto de um documento, a promoção de arquivamento feita pela Procuradoria Regional Eleitoral do Espírito Santo a respeito do caso.

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Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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