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História

Auschwitz de novo? Quando nos damos conta de que essa ameaça ainda existe

Ao ler a notícia da intenção extremista tupiniquim de se criar um campo de prisioneiros, fazemos memória dos horrores da história que produziu tanto sofrimento e dor à humanidade

Publicado em 16 de Dezembro de 2024 às 00:00

Públicado em 

16 dez 2024 às 00:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra Verônica Bezerra

vcbezerra@gmail.com

A notícia de que militares discutiam a construção de um "campo de prisioneiros", nos modelos de Auschwitz, foi estarrecedora. Intenção estava em conversas encontradas pela Polícia Federal, durante a investigação sobre a tentativa de golpe de Estado, em grupo criado com Mauro Cid para falar com militares.
Ao detalhar o planejamento, desvelou-se que os militares "kids pretos" envolvidos no plano de golpe de Estado após as eleições de 2022 chegaram a conversar sobre a criação de um "campo de prisioneiros de guerra". De acordo com o relatório da Polícia Federal, o diálogo ocorreu em um grupo de WhatsApp intitulado "Dosssss!!!", criado pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A notícia, de denotada incredulidade por parte das pessoas que têm a compreensão do horror que nela reside, revela o quanto existe de desumanidade nas pessoas e que a intenção macabra de eliminação do outro não ficou no passado, nem a Declaração dos Direitos Humanos (1948) foi capaz de conter.
Para quem ainda não compreende a gravidade, poque não estudou história ou porque não tem compromisso com o princípio da dignidade da pessoa humana, Auschwitz é o nome do mais mortal e famoso campo de concentração nazista, onde foram assassinadas mais de um milhão de pessoas, sendo a grande maioria formada por cidadãos judeus.
O campo de concentração de Auschwitz foi uma rede de campos de concentração e extermínio localizados no sul da Polônia, operados pelo 3º Reich e colaboracionistas. Considerado o maior símbolo do Holocausto, perpetrado pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.
Décadas depois da liberação do campo nazista alemão Auschwitz-Birkenau, em 27 de janeiro de 1945, uma enorme produção literária e histórica foi produzida. Milhares de volumes em todas as línguas escritos. Todos esses livros de testemunhas, entre outros, são marcados, cada um a sua maneira, pela experiência impossível de transmitir, impossível de entender, e que, entretanto, estão nas suas palavras.
80% dos deportados que chegavam a Auschwitz eram enviados imediatamente para as câmaras de gás, e nenhum deles sobreviveu. Não existe, portanto, nenhum testemunho da experiência que mais define o horror de Auschwitz, do centro do extermínio industrial que transforma o Holocausto em um crime sem comparação na história.
Holocausto
Holocausto: campo de concentração Auschwitz-Birkenau Crédito: Pixabay
Ao ler a notícia da intenção extremista tupiniquim de se criar um campo de concentração tipo Auschwitz, fazemos memória dos horrores da história que produziu tanto sofrimento e dor à humanidade, mas ainda existem pessoas, de denotada insanidade e maldade, que insistem em recriar para reviver.
É violador. É doentio. É inadmissível.
Por isso, não podemos compactuar, inclusive por omissão, com essa aberração.

Verônica Bezerra

Verônica Bezerra Verônica Bezerra

É advogada, doutoranda em Ciências Sociais, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais, especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

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