Além das idas e vindas ao sistema prisional, a ficha criminal de Pernalonga, como é conhecido Bruno Ramos Leite Andrade, inclui ser resgatado por comparsas em ambulância e fuga para o Rio após cortar a tornozeleira eletrônica. Fato ocorrido no início do mês passado.
O tópico mais recente surgiu após a Operação Aratu, realizada na última quarta-feira (12), sob coordenação da Polícia Federal. Na ocasião foi localizado um tonel de drogas enterrado em um manguezal de Cariacica.
As investigações apontam que Bruno, que vai completar em setembro 28 anos, seria o proprietário do material. A defesa contesta as informações (veja abaixo).
Contra ele, há mandado de prisão temporária por crimes relacionados ao tráfico, situação que o levou a ter um histórico de passagens pelo sistema prisional.
Confira:
De 2015 a abril de 2016 - um dos primeiros registros
De abril de 2019 a 27 de abril de 2023 - período em que esteve preso até fugir de uma unidade do regime semiaberto
De 14 de fevereiro de 2024 a setembro de 2025 - preso após recaptura
De 21 a 27 de maio de 2026 - retorno ao sistema prisional
A partir de 28 de maio de 2026 - início do monitoramento por tornozeleira eletrônica
Em 7 de julho - rompimento do equipamento
Bruno havia saído da prisão e manteve o monitoramento por pouco mais de um mês. Até que no dia 7 de julho o equipamento foi violado, impedindo o monitoramento eletrônico, fato comunicado ao Judiciário.
As apurações indicam que ele fugiu para o Rio de Janeiro e estaria escondido em uma comunidade local, abrigado por lideranças da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), da qual seria integrante.
E o “resgate” da ambulância?
A situação aconteceu após a fuga de Bruno de uma unidade prisional do regime semiaberto, em 2023. Após meses foragido, em fevereiro de 2024, ele sofreu um acidente de moto. Ao ser socorrido, a ambulância acabou sendo cercada por seus amigos do crime, que o “resgataram”.
Dias depois o ferimento se agravou, e ele precisou acionar novamente o serviço médico. Desta vez, a equipe foi ao local com apoio de policiais militares. Como havia dois mandados de prisão em aberto contra ele, preso e retornou ao sistema penitenciário em 14 de fevereiro de 2024.
Operação Aratu
A droga apontada como sendo de Bruno, foi localizada no último dia 12, durante a Operação Aratu, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular uma organização criminosa que atua em Cariacica. No manguezal, foram apreendidos 22 tabletes e 695 buchas de maconha, que estavam dentro de um tonel enterrado.
Coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (Ficco/ES), a ação cumpriu quatro mandados de prisão temporária e três de busca e apreensão. Duas pessoas foram presas e outras duas são consideradas foragidas.
Em nota, a Polícia Federal informou que as investigações começaram em maio de 2026, após dois suspeitos serem presos com maconha e dinheiro. A partir dessa abordagem, outros integrantes do grupo foram identificados.
Defesa aponta outro cenário
A defesa de Bruno conteta as inforfmações e aponta um outro cenário. O seu advogado, Ricardo Luiz de Oliveira Rocha Filho, alega inconsistências já na ação realizada em maio deste ano, quando o seu cliente foi preso em flagrante.
Na ocasião, relata, foi apreendida com Bruno uma pequena quantidade de maconha (32 gramas). “No flagrante, não havia indícios de que ele e a outra pessoa que também foi detida estivessem cometendo o crime de tráfico de drogas. Diante da pequena quantidade e de ausência de variedade de drogas, o juiz das garantias, acertadamente, entendeu haver a possibilidade de submeter meu cliente a medidas cautelares diversas da prisão, dentre elas o uso de tornozeleira”, explicou o advogado.
A defesa pontua, que causa estranheza a insistência em querer apontar Bruno como sendo o dono da droga, quando elementos da própria investigação mostram o contrário.
“Querem atribuir a propriedade da droga encontrada em outro contexto, completamente diferente, ao Bruno, sendo que a investigação policial em nada aponta para o bairro onde ocorreu a apreensão”, assinala.
De acordo com o advogado, o entorpecente foi encontrado em Flexal II, enquanto a investigação está concentrada em Porto Novo. “São bairros distintos”, acrescenta.
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