Cinco pessoas vão sentar no banco dos réus, nesta quarta-feira (12), por um ataque promovido ao bairro Ilha do Príncipe, em Vitória, em 2020. Naquela madrugada, um jovem morreu e outros dois ficaram feridos.
Um dos acusados participará do júri popular por videoconferência, pois está custodiado no presídio federal de Porto Velho, em Rondônia. Trata-se de Geovani Andrade Bento, mais conhecido como Vaninho, que, até o final do ano passado, já acumulava cerca de 280 anos em condenações anteriores.
Além dele, também vão ser julgados: Tiago Guimarães, Felipe de Souza Oliveira, Thaian Silva de Almeida e o advogado Lucas Depolo. Ao todo, nove pessoas foram denunciadas pelos crimes, sendo quatrodelas já condenadas.
Tentativa de cancelar o júri
No final da noite desta segunda-feira (10), uma decisão do juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, da 1ª Vara Criminal de Vitória, responsável pelo Tribunal do Júri, informa sobre um pedido da defesa de Lucas Depolo que poderia resultar no cancelamento do júri.
O advogado Matheus Segantine, que representa Depolo, pleiteou o desmembramento do júri, ou seja, que a sessão para o seu cliente fosse realizada em outra data, o que não foi aceito pelo magistrado.
O argumento foi o de que o Segantine foi citado várias vezes para se manifestar no processo, na última fase, mantendo-se em silêncio. Informa ainda que o Juízo não havia sido comunicado sobre nenhuma liminar por parte do Tribunal de Justiça que impedisse a realização do júri.
"Importa asseverar, ainda, que o Douto Advogado já adotou conduta semelhante (inércia deliberada seguida de arguição de nulidade)", diz o magistrado ao se referir a outro processo que tramita também na 1ª Vara Criminal de Vitória, com alegação de "suposto cerceamento de defesa".
É dito na decisão que o réu Depolo vem sendo representado por um defensor público e faz uma advertência: "Na hipótese de o réu expressar o desejo de ser assistido pelo Dr. Matheus Simões Segantine, este fica DESDE JÁ ADVERTIDO que a sessão plenária NÃO SERÁ ADIADA, visto que o advogado assume ou reassume o processo no estado em que este se encontra." (o destaque está na decisão)
Acrescenta que Segantine tem conhecimento do processo, considerando que apresentou um pedido de supostas nulidades. "Algo que demanda estudo profundo do conteúdo probatório, o que demonstra preparação para a defesa técnica em plenário na próxima quarta-feira".
Por último, assinalou que em caso de possível "manobra considerada protelatória", o Ministério Público será instado a se manifestar sobre a prisão de Depolo.
O crime
Na madrugada do dia 29 de setembro de 2020, segundo denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), parte dos acusados foi à Ilha do Príncipe promover o ataque a mando de Vaninho. O objetivo era atingir o grupo rival, liderado na ocasião liderado por Yago Saib Bahia da Silva, o “Passarinho”.
Logo que chegaram, os criminosos passaram a atirar nas vítimas ao imaginarem que se tratavam de traficantes rivais. Um dos jovens atingidos morreu.
O objetivo do ataque era expandir o território da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV). Só naquele ano, em meio à pandemia, foram pelo menos três ataques. No ano anterior, outros episódios semelhantes já haviam sido registrados .
A região sempre esteve na mira dos traficantes por estar próximo ao porto, onde já foram localizadas drogas em caso de navios, e à rodoviária, oferecendo acesso a diversas saídas da Capital, como as pontes para Cariacica e Vila Velha, além da via no sentido orla de Camburi.
Trata-se de uma localização estratégica que favorece fugas e tende a gerar alto lucro com o tráfico de drogas devido à facilidade de acesso para os compradores.
Parte do grupo que executou o ataque ainda permaneceu no bairro, aguardando reforço para consolidar a hegemonia na região, mas os suspeitos acabaram sendo presos após denúncia à Polícia Militar. Os demais envolvidos foram identificados posteriormente pelas investigações. Entre os réus está um advogado, acusado de repassar aos criminosos em liberdade as ordens expedidas por Vaninho de dentro do presídio.
Horas antes do ataque à Ilha do Príncipe, outros criminosos vinculados ao PCV mataram seis jovens ao confundir trabalhadores com traficantes rivais, no crime conhecido como a “Chacina da Ilha”.
Os advogados dos acusados não foram localizados, mas o espaço segue aberto a eventuais manifestações.
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