O que o Espírito Santo viveu na segurança pública nas últimas duas décadas se tornou uma inspiração para o Brasil. Aquilo que parecia impossível, uma redução sistemática e consistente dos homicídios, enraizou-se como resultado de um trabalho que se manteve pelos diferentes governos no Palácio Anchieta. É um exemplo palpável do que devem ser as políticas de Estado, tão difíceis de se consolidar no país.
Ano após ano, com alguns sobressaltos (a crise de segurança pública de 2017 entre eles), as estatísticas foram decrescendo a ponto de, em 2025, chegarmos ao registro de menos de 800 assassinatos em 12 meses, o menor número em 30 anos. Para um Estado que já registrou mais de duas mil mortes e sempre figurava em destaque nos rankings nacionais de violência, as políticas públicas deram mesmo resultado.
Políticas de Estado e fortalecimento institucional foram encarados como prioridade para tirar o Espírito Santo desse abismo. Toda política que produziu resultado, em qualquer área, precisa ser explicitada, avaliada e blindada da descontinuidade eleitoral. Esses pontos devem ser inegociáveis.
O trabalho incessante das polícias, com operações da Polícia Militar para apreender armas e prender traficantes, bem como o aumento da taxa de resolução de homicídios pela Policia Civil, mostra que a punição é capaz de mostrar que o preço a se pagar pelo crime pode ser alto.
Ficaram também mais consistentes as ações destinadas às regiões de maior vulnerabilidade para gerar mais oportunidades e mais envolvimento das comunidades. Não existe poder paralelo onde a presença do Estado é sólida. Ainda é possível avançar muito mais nesse sentido, diante de um problema que permanece: a presença de facções criminosas.
Esse é, inclusive, o ponto a ser enfrentado pelos candidatos que estão se dispondo aos cargos destas eleições. O enfrentamento dessas organizações criminosas — que, além da Grande Vitória, estão se imiscuindo pelo interior — não pode ser relegado somente à responsabilidade do governo do Estado. Cada vez mais se tem a certeza de que, sem ações integradas com os municípios e apoio federal, nada evolui. E a participação de deputados, estaduais e federais, e senadores é imprescindível para calibrar a legislação.
O caso dos homicídios, com suas vitórias anuais, serve de inspiração não somente para o combate à criminalidade persistente no Espírito Santo, como no enfrentamento de outros problemas que afligem a sociedade capixaba, como a violência no trânsito. Nada é impossível quando há empenho coletivo e vontade política.
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