Como os grandes impérios da história da humanidade, a atividade petrolífera é marcada por ascensão e queda. E o ciclo do petróleo no Espírito Santo está prestes a entrar na curva descendente, como mostrou o Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural do Espírito Santo.
Com 68,7% dos campos capixabas classificados como maduros, definidos assim quando se encontram no estágio avançado do ciclo produtivo, já se avista o declínio natural das curvas de produção. A expectativa é a de que, em 2027, sejam produzidos 248,4 mil barris/dia, com tendência de encolhimento a partir de 2028.
E as atividades exploratórias, destinadas à descoberta de novas jazidas, também entraram em franco decréscimo desde 2015.
Há, portanto, previsibilidade, que é da própria natureza da atividade. E isso demanda preparação. Neste período eleitoral, o tema deve estar em destaque na agenda propositiva. Os candidatos ao governo estadual, e mesmo aos cargos legislativos em nível estadual e federal, devem expor como pretendem agir diante dessa realidade que está dada, em um processo que, obviamente, não vai acontecer da noite para o dia, mas vai exigir planejamento e estratégia.
Pensar e executar a transição energética passa a ser necessidade de primeira hora, com o Espírito Santo avançando ainda mais, com regularidade, na prospecção de projetos cada vez mais robustos.
A gestão do Fundo Soberano, criado também com o propósito de subsidiar a substituição dessa indústria em seu ocaso, deve estar no radar daqueles que pretendem tomar as decisões importantes para o Estado nos próximos quatro anos. E, de forma mais imediata, também será preciso lidar com as definições do STF sobre a partilha dos royalties entre os estados e os municípios, um impasse que, aparentemente, está perto de acabar.
Hoje, o setor de petróleo e gás responde por mais de 20% do PIB industrial capixaba. É muito relevante para a economia local, mas é uma relevância com prazo de validade. E o Espírito Santo deve estar preparado para esse fim de ciclo amplamente anunciado, buscando diversificação e dinamismo econômico. Um candidato que entre na corrida eleitoral sem essa perspectiva vai estar deliberadamente de olhos vendados no presente para deixar um Estado inteiro de mãos atadas no futuro.
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