Esta sexta-feira (14) é um dia decisivo para Lorenzo
Pazolini. A menos de 48 horas do fim do prazo legal para registros de
candidaturas e chapas, o ex-prefeito de Vitória precisa definir sua candidata a
vice-governadora. Tudo indica que será uma mulher, filiada ao Partido Liberal
(PL), o mais importante parceiro na coligação liderada pelo Republicanos.
O martelo não está batido. Nesta tarde, haverá reuniões
decisivas, inclusive com o senador Magno Malta, presidente estadual do PL. Mas,
a esta altura, a relação de “mais cotadas” se afunila para três mulheres. Duas
delas, literalmente, vêm de Colatina – mesmo município da primeira-dama Lívia
Vasconcelos (PSD), a “vice dos sonhos” para Pazolini, até o PSD desistir de
entrar na coligação do ex-prefeito.
Uma delas é a empresária Valkineria Cristina Meirelles Bussular,
ou, simplesmente, Val Meirelles (PL), presidente do Sindibores (Sindicato da
Indústria da Borracha e da Recauchutagem de Pneus no Estado do Espírito Santo)
e conselheira da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
Nas eleições municipais de 2016, ela foi candidata a
vice-prefeita de Colatina, na chapa encabeçada por Luciano Merlo. Foi a eleição
vencida por Sérgio Meneguelli. Na época, ela estava no Solidariedade. Nesta eleição,
a princípio, Val não está registrada como candidata a nada.
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A outra colatinense que passou a ser fortemente cotada é a
policial militar Eliane Leal Vieira, mais conhecida como Bispa Eliane, por seu
trabalho como pregadora evangélica (inclusive em praças públicas). No momento,
ela é uma das candidatas a deputada estadual na chapa do PL.
Em conversa telefônica com o colunista no início da tarde
desta sexta, a própria Eliane disse estar na estrada, em deslocamento de
Colatina, para se reunir com Magno Malta em Vitória, atendendo a um chamado
dele.
“Fui chamada pelo meu presidente para uma reunião. Mas não tenho
ciência do que se trata. Sobre essa questão da vice, estou sendo informada pelo
senhor.”
Com 50 anos, casada, cristã e muito conservadora, a Bispa
tem profunda proximidade com Magno Malta, “seu presidente”.
Correndo por fora, ainda resta um terceiro nome do PL, o da
Enfermeira Laryssa, também candidata a deputada estadual na chapa do partido.
Candidata a vice-prefeita de Vila Velha, pela mesma sigla em 2024 (com o
Coronel Ramalho), Laryssa completa 30 anos precisamente nesta sexta-feira –
idade mínima para ser candidata a vice-governadora.
Quem mais agrada ao
Republicanos
A coluna apurou que, no QG do Republicanos, há preferência
pelo nome de Val Meirelles. Seria, por assim dizer, um quadro do partido de Magno
endossado pelo partido do prefeito – a quem caberá, ao fim e ao cabo, a
decisão, de maneira pessoal e intransferível.
Graduada em Gastronomia, empresária bem-sucedida do setor de
pneus, dirigente de sindicato patronal e ainda por cima conselheira da atual
diretoria da Findes, ela se assemelha um pouco ao perfil de Cris Samorini (PP),
vice de Pazolini na eleição municipal de 2024 e atual prefeita de Vitória.
Val também é suplente do Conselho Regional do Sesi/ES, como
representante das atividades industriais. Pazolini precisa alcançar maior
inserção junto ao meio empresarial, no qual o governador Ricardo Ferraço (MDB),
por exemplo, nada de braçada.
Ela ainda tem experiência em gestão pública: foi secretária
de Administração no governo de Sérgio Meneguelli em Colatina, de 2017 a 2020.
Com 58 anos, casada e católica conservadora, Val ainda por
cima é de uma das maiores cidades do interior capixaba – e a campanha de
Pazolini sabe que ele precisa aumentar sua presença no interior. Esse era um
dos principais fatores de sua predileção por Lívia Vasconcelos como candidata a
vice.
Além disso, Val ainda tem, digamos, um perfil atlético: é
praticante de beach tennis (tênis de
praia), modalidade crescente no Estado, no país e no mundo.
Como dissemos, a primazia da indicação é do PL, mas não se
pode descartar inteiramente o nome de dona Hélida Loreto, 66 anos, líder comunitária
de Goiabeiras, apoiadora de Pazolini e uma das fundadoras da Associação das
Paneleiras do bairro. Ela foi indicada pelo pequeno Democrata, que também
integra essa coligação de direita.
Porém, para Hélida vir a ser a escolhida por Pazolini, só
mesmo se houver um impasse incontornável entre o Republicanos e o PL. A esta
altura, a chance é muito remota.
Por que não uma vice
do Republicanos?
O PL (leia-se Magno Malta) já havia conseguido emplacar a
publicitária Maguinha Malta, uma das filhas do senador, como uma das candidatas
ao Senado na chapa de Pazolini, com o apoio do ex-prefeito. O outro é Evair de
Melo (Republicanos).
Se confirmado o preenchimento do posto de vice também pelo
PL, isso será mais uma prova maiúscula do tamanho da influência do partido de
Magno (e do próprio) nessa coligação, bem como do peso atribuído e reconhecido
por Pazolini a seu principal partido aliado, a sigla bolsonarista por
excelência.
Mas a “concessão desse espaço” ao PL também tem outra
explicação, de natureza mais prática: a escassez de opções viáveis dentro do
próprio Republicanos.
Desde o início, Pazolini não abriu mão de ter uma mulher
como vice. Depois do desmoronamento da “solução Lívia Vasconcelos”, o
Republicanos olhou para dentro... e não encontrou ninguém 100% viável e em
condições de completar a própria chapa.
Na chapa completa do Republicanos para a Câmara Federal, há quatro
mulheres.
A vice-prefeita de Guarapari, Tatiana Perim, pode disputar
para deputada, mas, por não ter renunciado ao mandato de vice-prefeita, não
pode ser candidata a vice-governadora.
A pedagoga Cris Silva não tem o perfil buscado.
Só as outras duas foram seriamente consideradas.
No entanto, Bruna Soares, “missionária da Assembleia de Deus”,
só completa 30 anos em abril do ano que vem. Não pode se candidatar a
vice-governadora.
Adriana Boas, ativista dos direitos das pessoas do espectro autista e seus familiares, foi quem mais chegou perto. Mas, na eleição passada a federal, ela teve 6.429 votos. Seria muito difícil substituí-la na chapa a esta altura do processo.
Numa eleição duríssima como a que teremos para a Câmara no
Espírito Santo, quaisquer mil votos poderão fazer muita diferença entre atingir
ou não o quociente eleitoral e garantir a eleição de pelo menos um deputado
federal.
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