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Vitor Vogas

Helder sobe o tom: Pazolini é “autoritário”; Ricardo, um “coadjuvante”

Candidato do PT intensificou a estratégia de buscar se diferenciar dos dois maiores oponentes, sublinhando o que ambos têm em comum, segundo sua avaliação. Mas também os individualizou nas críticas

Publicado em 14 de Agosto de 2026 às 10:40

Públicado em 

14 ago 2026 às 10:40
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Helder Salomão discursa no lançamento do seu plano de governo (13/08/2026)
Helder Salomão discursa no lançamento do seu plano de governo (13/08/2026) Chrystian Henrique / Candela

O candidato do PT ao Palácio Anchieta, Helder Salomão, apresentou na noite de quinta-feira (13) o seu plano de governo para a sociedade capixaba. Apresentou, também, algumas de suas armas para confrontar seus dois principais adversários na campanha eleitoral: o governador Ricardo Ferraço (MDB) e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos). 


Sem os chamar pelo nome, o deputado afirmou que Ricardo não é mais que um “um líder coadjuvante” e classificou Pazolini como “um líder autoritário”.


O ex-prefeito de Cariacica afirmou que, com Ricardo, só há possibilidade de diálogo no 2º turno. Já com Pazolini, segundo Helder, não há diálogo possível, uma vez que o ex-prefeito de Vitória se aliou a Flávio Bolsonaro (PL).


Helder intensificou a estratégia de se diferenciar dos dois maiores oponentes, sublinhando o que ambos têm em comum, segundo sua avaliação. Enquanto busca enfatizar as semelhanças que identifica entre Ricardo e Pazolini, o petista procura se apresentar ao eleitorado como uma alternativa real, que nada tem a ver com os oponentes situados à direita.

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Quando teve a candidatura homologada, na convenção da Federação Brasil da Esperança, o candidato do PT já dissera que Ricardo e Pazolini são “muito parecidos”, assim como já fizera no lançamento de sua pré-candidatura, no início de julho. Agora, logo após lançar seu plano de governo, em um clube no bairro Santo Antônio, Vitória, Helder disse que ambos representam “projetos pessoais”. E enfatizou:


“Os nossos adversários são muito parecidos porque têm métodos parecidos e têm pautas parecidas. Os dois hoje estão disputando os votos da extrema-direita, levantando bandeiras da extrema-direita, e nós não compactuamos com aqueles que não prezam pela democracia. Nós conversamos com todo mundo, com todo mundo que tenha como princípio fundamental a defesa da democracia”.


O deputado emendou: “Não importa que seja do nosso campo, democrático e popular, nós conversamos com o centro, com a direita, conversamos com todo mundo. Só não dá para a gente dialogar com aqueles que não respeitam a democracia”.


A colega Letícia Gonçalves perguntou, então, ao candidato: e quem não respeita a democracia aqui no Estado? “Aqui no Estado, hoje, o candidato que está alinhado ao nosso principal adversário, que é o filho do ex-presidente”, respondeu Helder, de bate-pronto.


A resposta deixa claro que ele tratará assim Lorenzo Pazolini, sobretudo por conta da aliança do ex-prefeito com o PL de Magno Malta e da família Bolsonaro:


Mas e com o Ricardo – perguntei-lhe –, tem diálogo?


“No primeiro turno, não, porque ele é meu adversário”, respondeu Helder.


O petista está convencido e reitera que crescerá no decorrer da campanha e chegará ao 2º turno. Sinaliza que, se avançar para essa etapa contra Pazolini, buscará uma aliança com Ricardo e com a coalizão governista para derrotar o candidato conservador da coligação do Republicanos com o PL. Se chegar contra Ricardo, não procurará Pazolini.

Helder sobre Pazolini

Mas Helder foi além. Não apenas tachou Pazolini como “antidemocrático”, mas também como dono de um perfil político “autoritário”.

Eu quero estabelecer uma diferença política. Vejo, por exemplo, o ex-prefeito de Vitória como um líder autoritário, que não preza pelo bom diálogo e quer sempre impor o que pensa. 

Helder Salomão (PT), candidato a governador do ES

“Então, de um lado, você tem um líder autoritário, que é o ex-prefeito de Vitória, que já demonstrou na sua passagem pela prefeitura que praticamente não existe o diálogo com o Legislativo, o diálogo com a sociedade. Ele acha que governar é ficar dentro do gabinete determinando. Um líder não é aquele que manda. É aquele que faz junto, é aquele que sabe delegar e que sabe ouvir as pessoas.”

Helder sobre Ricardo

Ato contínuo, Helder voltou sua mira para o atual governador, a quem definiu como um “coadjuvante”, isto é, um personagem secundário. Implicitamente, quis dizer que Ricardo se manteria à sombra de Renato Casagrande (PSB), seu antecessor no cargo e principal apoiador.

Por esse prisma, o ex-governador ainda seria o real protagonista da campanha e da coligação governista.


Quanto à gestão de Ricardo, na avaliação do candidato do PT, o atual governador já teria descontruído e retrocedido em relação ao governo Casagrande, em seus poucos meses no cargo. 

O atual governador é apoiado pelo governador Renato Casagrande, que não está conseguindo manter o que o governador Casagrande construiu até aqui. [...] E, com todo o respeito que eu tenho a ele, é um líder coadjuvante. 

Helder Salomão (PT), candidato a governador do ES

“É um líder que não está preparado do ponto de vista de liderar o novo processo de construção de um desenvolvimento econômico e social no Espírito Santo, que vai precisar de uma consertação. Uma consertação que vai envolver não só partidos políticos. Eu não vou governar para o meu partido político. Não vou governar para a minha federação. Eu vou governar para todo o povo capixaba.”

Plano de governo

No lançamento do plano de governo, Helder afirmou à militância que, “pela primeira vez, o Espírito Santo terá um professor no Governo do Estado”.


O plano propriamente dito propõe 276 ações de governo, divididas em 11 eixos temáticos.  No lançamento, Helder apresentou 19 compromissos.


Segundo o petista, ele também se distingue dos outros dois candidatos não só pelo teor do plano como também pela maneira como o programa foi construído – a várias mãos e como resultado de um amplo processo de “escuta social” iniciado no ano passado.


“Pela apresentação que nós fizemos aqui hoje, dá para ver que nós não contratamos uma empresa para fazer o plano. Tivemos a participação de milhares de pessoas, num processo que envolveu a academia, os especialistas, as lideranças dos partidos, dos movimentos sociais, das instituições”, destacou o candidato.


“Então, a construção participativa, democrática e coletiva de um plano de governo mostra que nós não queremos governar a partir do nosso ponto de vista, sem a escuta da população. E os nossos adversários representam projetos pessoais. Eles não demonstraram em nenhum momento, efetivamente, uma preocupação em ouvir as dores do povo. O que nós fizemos aqui foi ouvir as dores. Mas, ao ouvir as dores, nós também ouvimos as esperanças do povo.”

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Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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