“Sim, uai! Por quê?” Assim, sem disfarçar seu espanto, o
prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos (PSB), responde ao
primeiro questionamento da coluna: se ele realmente defende que o ex-prefeito
da Serra Sérgio Vidigal (PDT) seja o candidato a vice-governador de Ricardo
Ferraço (MDB), completando a chapa da situação nas eleições estaduais.
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Enivaldo é um dos líderes do movimento de aliados de Ricardo
e de Casagrande em defesa do nome de Vidigal como companheiro de chapa do atual
governador.
Com a experiência de quem acumula 76 anos de idade e 40 de
vida pública, o “Coronel do Noroeste” – como é chamado no meio político – é o
principal mobilizador da campanha de Ricardo em sua região.
A primeira reação de Enivaldo, diante da nossa pergunta,
denota a naturalidade com que ele concebe a possível escalação de Vidigal. Ele
mesmo apresenta os argumentos:
“Precisamos de um nome que tenha experiência e prestígio
político para somar. A eleição não está ganha ainda. Temos que somar forças, e
a Serra, além de ser a base de Vidigal, é o maior colégio eleitoral da Grande
Vitória.”
Enivaldo dos Anjos, prefeito de Barra de São Francisco
Poderíamos acrescentar: o maior do Espírito Santo.
Liderada no Espírito Santo por Marcelo Santos (União) e, principalmente,
por Josias da Vitória (PP), a chamada “superfederação” reivindica a indicação
do companheiro ou companheira de chapa de Ricardo e entende ter tamanho
condizente com tal pretensão. Em termos de volume de recursos e tempo de TV e
rádio, é bem maior, por exemplo, que o PDT de Vidigal.
Sentindo-se ameaçados em seu pleito, os líderes da federação
no Estado reabriram conversas com emissários de Lorenzo Pazolini (Republicanos),
mandaram mensagens subliminares de independência via Instagram e, na segunda-feira
(27), adiaram para o dia 5 de agosto, à noite, a convenção inicialmente marcada
para o próximo sábado (1º).
Agora, a convenção do União Progressista será realizada no
limite do prazo legal para definições de candidaturas, paralelamente à do MDB
de Ricardo e Euclério Sampaio.
Questionado sobre esse “efeito colateral”, Enivaldo, em seu
velho estilo, não tergiversa. Para ele, a federação tem de parar de “pensar
individualmente” e passar a pensar no que é melhor para o conjunto de aliados reunidos
em torno de Ricardo e naquilo que mais favorece a vitória do governador nas
urnas.
A federação já foi atendida com vários candidatos a federal, inclusive Messias e Amaro. Eles têm que ajudar a ganhar e não pensar individualmente.”
Enivaldo dos Anjos, prefeito de Barra de São Francisco
Enivaldo refere-se à ajuda dada pelo Palácio Anchieta na
montagem da chapa do União Progressista para a Câmara dos Deputados. Em março,
durante a janela para mudanças de partido, os deputados Messias Donato e Amaro
Neto trocaram o Republicanos de Pazolini pela federação. Messias entrou no
União Brasil, enquanto Amaro foi para o PP.
As duas transferências se operaram graças a articulações de bastidores
de Casagrande e do próprio Ricardo Ferraço. A chegada de Messias e Amaro,
candidatos à reeleição, fortalece a chapa da federação e, por conseguinte, as
chances de sucessos nas urnas dos próprios Da Vitória e Marcelo. Ambos também
são candidatos a federal, na mesma chapa.
É isso que Enivaldo quer dizer ao sustentar que a federação
já foi “atendida”. Afinal, Da Vitória e Marcelo precisam, antes de tudo,
garantir a própria eleição.
E Vidigal?!?
O próprio Vidigal já afirmou e reafirmou, incontáveis vezes, que não pretende ser vice-governador.
Reitera sua decisão de não ser candidato a nada, nem agora nem em 2028. Diz ter
pendurado as chuteiras políticas, até para guardar coerência com o que ele
mesmo anunciou em março de 2024.
Naquela oportunidade, o então prefeito comunicou que não
seria candidato à reeleição, que apoiaria Weverson Meireles (efetivamente
eleito, sete meses depois) e que desejava se dedicar mais à família e voltar a
exercer sua profissão e primeira vocação: a psiquiatria. Ele chegou mesmo a tornar a dar expediente como médico em unidades de saúde da Serra.
Enivaldo, porém, lidera o lobby em prol de Vidigal, ao lado do prefeito de Cariacica, Euclério
Sampaio, que também confirma a “campanha”. Euclério é não somente o presidente estadual
do MDB de Ricardo como um dos primeiros e mais engajados apoiadores do
governador. Se Enivaldo é o “coronel” da campanha dele no Norte e no Noroeste,
Euclério é o capitão na Grande Vitória.
Segundo Enivaldo, os dois não estão sozinhos nesse movimento,
que ganhou força em um almoço com prefeitos aliados promovido no último sábado
(25) por Ricardo e Casagrande, em um cerimonial no bairro Santa Lúcia, em
Vitória.
“Vários prefeitos estão nesse movimento! O da Serra, o de
Baixo Guandu, o de Marilândia, o de Pinheiros... Vários! Euclério e eu estamos
fazendo o trabalho de comunicar com todos, mas, no almoço de sábado dos
prefeitos e vice-prefeitos, todos acharam a ideia boa!”
Para o prefeito de Barra de São Francisco, o companheiro de
chapa de Ricardo deve ser um líder da Grande Vitória com alto recall político e densidade eleitoral (alguém,
enfim, que some votos).
Na Grande Vitória, temos Serra, Cariacica, Vila Velha e Viana. E a Grande Vitória merece ter o vice, até porque Vidigal é uma força política reconhecida por todos os prefeitos.
Enivaldo dos Anjos, prefeito de Barra de São Francisco
Enivaldo refere-se ao fato de que, nos quatro municípios
citados, os respetivos prefeitos apoiam Ricardo para governador e Casagrande
para senador: Weverson (PDT) na Serra, Euclério em Cariacica, Arnaldinho Borgo
(PSDB) em Vila Velha e Wanderson Bueno (Podemos) em Viana.
Na Região Metropolitana da Grande Vitória, apenas a prefeita
da Capital, Cris Samorini (PP), posiciona-se como aliada do seu antecessor no
cargo, Lorenzo Pazolini, um dos oponentes de Ricardo na disputa pelo cargo de
governador. O deputado federal Helder Salomão (PT) não tem prefeitos aliados.
Além disso, reconhecidamente, Ricardo tem maior capilaridade
no interior do Estado.
“O Obstinado”
Esse é o título da biografia autorizada de Enivaldo Euzébio
dos Anjos, lançada em 2024. O livro foi escrito pelo jornalista José Caldas da
Costa e tem prefácio do cientista político João Gualberto Vasconcellos.
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