Fotomontagem
Candidato da Federação Brasil da Esperança ao Palácio
Anchieta, o deputado Helder Salomão (PT) declara apoio ao ex-governador Renato
Casagrande (PSB) como segundo candidato ao Senado. O primeiro, naturalmente, é
o senador Fabiano Contarato (PT), que postula a reeleição e foi o único lançado
pela chapa da federação de esquerda no Espírito Santo.
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Disciplinado, Helder segue a decisão tomada e anunciada no último dia 10 pela Executiva Estadual do PT no Espírito Santo: “[...]
considerando que, nesta eleição, serão eleitos dois senadores, e considerando a
Coligação Nacional entre o PT e o PSB, a Executiva do PT-ES deliberou por
indicar apoio ao nome de Renato Casagrande (PSB) para segunda vaga ao Senado”,
informou o órgão partidário, em nota.
Helder confirma que dará seu segundo voto para
Casagrande: “Sim, né? Já tem uma decisão tomada. É uma orientação da federação,
e nós estaremos seguindo a orientação da nossa federação”.
Se há uma orientação, a nossa militância será
orientada ao segundo voto no Casagrande. É isso, né? Isso vale pra mim e vale
pra todos os filiados.
Helder Salomão (PT), candidato a governador do ES
No plano da disputa estadual, Casagrande
simplesmente não pode retribuir esse apoio a Helder para governador, nem a
Contarato para senador.
Isso porque o ex-governador faz parte da coligação que tem Ricardo Ferraço (MDB), atual ocupante do cargo, como candidato a governador, e também Rose de Freitas (MDB) como candidata a senadora.
Helder não pode subir no palanque de
Casagrande (o mesmo de Ricardo), mas pedirá votos para ele à militância do PT.
Casagrande, por sua vez, não vai subir no palanque de Helder nem vai pedir
votos para ele (pois está com Ricardo).
Segundo Helder, essa situação desnivelada (na
qual Casagrande ganha apoio, mas não dá em troca) não o deixa pessoalmente
desconfortável. Até porque, segundo Helder, ele está confiante de que chegará
ao segundo turno.
“Não fico desconfortável com isso, porque
estou confiante na minha ida para o segundo turno e eu quero ter o apoio do
governador [Casagrande] no segundo turno.”
Casagrande com Lula
Se não apoia nem pode apoiar Helder para
governador no primeiro turno, Casagrande já declarou apoio a Lula, o candidato
do PT, na eleição presidencial. “Meu candidato à Presidência é o Lula”, disse ele, em entrevista coletiva, logo após a convenção estadual do PSB, na qual teve homologada sua candidatura ao
Senado, em 25 de julho.
Como afirma Helder, essa declaração inclusive
foi muito importante, na medida em que ajudou a direção estadual do PT a tomar
a sua decisão em benefício de Casagrande, anunciada 16 dias depois. “É
importante, né? Ajudou muito na nossa definição.”
Mas vamos combinar uma coisa: até agora foi só
essa frase, “meu candidato à Presidência é o Lula”, ponto. Foi só isso, até o
momento.
Na eleição passada, mesmo tendo a Fe Brasil em
sua coligação, Casagrande fez a mesma coisa, deu a mesma declaração logo no
início da campanha, mas não foi além disso. Não fez campanha de fato para Lula
nas ruas e na propaganda eleitoral.
E desta vez? Helder por acaso espera uma
participação mais efetiva de Casagrande na campanha de Lula, ainda mais agora
que ele tem o apoio do PT? Foi o que perguntamos ao candidato petista
Helder responde que ainda vai conversar com
Casagrande sobre isso, mas espera que sim.
“Esperamos [que ele participe da campanha de
Lula] e vamos dialogar com ele, com o PSB, com o nosso vice-presidente Geraldo Alckmin...
Vamos conversar com o João Campos, que é o presidente nacional do PSB, claro. O
PSB é um partido aliado nacionalmente.”
Mas o que Helder mais deseja mesmo, como
desponta de suas palavras, é ter o apoio de Casagrande no 2º turno, ao qual
acredita que chegará.
“Estivemos juntos na eleição passada aqui. Nessa
eleição, não estamos juntos no primeiro turno. Mas eu tenho certeza que vou ter
o apoio do ex-governador Casagrande, eu estou confiante nisso, porque estou
confiante que eu vou para o segundo turno.”
De qualquer maneira, afirma Helder, desta vez “com certeza o Lula vai ter uma campanha forte aqui”, já que o PT terá um candidato próprio a governador e um palanque estadual para acomodar a candidatura de Lula à reeleição – algo que não existiu em 2022.
Em tempo: só se for contra Pazolini...
Das palavras de Helder, a única interpretação
possível é que ele acredita que irá para o segundo turno contra Lorenzo Pazolini,
o candidato do Republicanos, apoiado pelo PL e por Flávio Bolsonaro. É a única
possibilidade de Helder vir a ter o apoio de Casagrande no segundo turno.
Aliás, nesse caso (e somente nesse caso), as
chances de isso se concretizar seriam enormes, não só porque PT e PSB são
aliados nacionais, mas porque Helder restaria como a única alternativa para
Casagrande tentar derrotar Pazolini.
Agora, na outra hipótese – se Helder for para
o segundo turno contra Ricardo –, aí que Casagrande não o apoiará mesmo...
Nesta análise combinatória, há, é claro, a
terceira hipótese: um segundo turno sem Helder, disputado entre Ricardo e
Pazolini.
Aí as perguntas passam a ser outras. Ninguém
tem a menor dúvida de que Helder e o PT não ficarão com Pazolini. Mas será que
estarão dispostos a apoiar Ricardo Ferraço para derrotar o bolsonarismo? E
Ricardo vai querer esse apoio?
São temas para futuras análises.
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