Durante o fórum “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, realizado nesta terça-feira (18), em Brasília, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, reafirmou que a descarbonização da cadeia siderúrgica é uma prioridade estratégica para a companhia.
Para o executivo, o movimento em direção ao "aço verde" não é apenas um compromisso ambiental, mas um objetivo de negócio, já que a redução de emissões no mundo amplia a demanda pelo minério de ferro de alto teor produzido pela Vale.
Nesse cenário, o Espírito Santo ganha protagonismo com o avanço no ramp-up (aumento gradual de produção) das plantas de briquete instaladas na unidade de Tubarão, em Vitória, as primeiras da companhia, segundo destacou Pimenta, embora sem apresentar números. O produto complementa a produção de pelotas já existente.
“Segue sendo um mercado importante onde vejo a oportunidade de avançarmos”, afirmou.
O briquete de minério de ferro tem potencial de reduzir em até 10% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) no alto-forno ou possibilitar, no futuro, a produção de aço de zero emissão, quando o hidrogênio verde estiver disponível.
Pimenta destacou que o Estado tem enorme potencial para a mineradora nesses projetos. Além dos briquetes, a Vale estuda o desenvolvimento do HBI (Hot Briquetted Iron) no Brasil, utilizando fontes renováveis de hidrogênio, o que permitiria exportar um produto metálico com maior valor agregado.
Pimenta mencionou que, embora conflitos no Oriente Médio tenham reduzido a velocidade de alguns projetos internacionais, a direção estratégica da Vale para o HBI no Brasil permanece firme.
A respeito do assunto, a Vale explicou que o briquete fornecido é adequado às necessidades operacionais específicas de cada cliente e, de forma geral, destina-se ao uso em alto-forno.
"Nos últimos dois anos, a planta vem passando por um processo contínuo de aprimoramento, com avanços em processos e equipamentos. Entre as melhorias estão o maior controle da umidade na etapa de secagem do minério, o reforço das características de impermeabilidade do briquete, a evolução no design das briquetadeiras e ganhos consistentes na qualidade do produto final", informa a companhia.
No evento em Brasília, na manhã desta terça-feira (18), foi lançado um estudo elaborado pela Vale com a consultoria Accenture, que mapeia as oportunidades para o setor mineral brasileiro até 2035.
O estudo aponta que o mundo vive uma urgência por minerais como cobre, lítio, grafita e níquel. A própria descarbonização está entre as tendências globais que vão impulsionar a demanda por minerais críticos.
O relatório aponta que o Brasil pode alcançar uma arrecadação fiscal de R$ 1,3 trilhão na próxima década (2026-2035), um salto significativo em relação aos R$ 750 bilhões registrados no último ciclo.
Voltado para o desenvolvimento do mercado de mineração de todo o país, o documento será entregue para os candidatos à Presidência da República como uma contribuição para orientar políticas públicas que ajudem a fortalecer e modernizar os fundamentos da mineração brasileira, além de ampliar a atratividade do país para novos projetos minerários.
A urgência por esse crescimento é impulsionada pela demanda exponencial por minerais críticos. O estudo destaca que, até 2030, projeta-se que 40% das vendas globais de carros serão de modelos elétricos, disparando a necessidade de cobre e lítio.
O consumo de energia por centros de dados deve dobrar até 2030 devido ao avanço da inteligência artificial, exigindo infraestruturas ricas em minerais.
O estudo, apresentado por Rodolfo Eschenbach, presidente da Accenture para Brasil e América Latina, mostra que o país detém 67% das reservas mundiais de nióbio e cerca de 25% das de terras raras e grafita, posicionando o país como um parceiro estratégico global.
O destravamento dessas oportunidades pode elevar o número de postos de trabalho na cadeia mineral brasileira de 3 milhões para 5,3 milhões de empregos. De acordo com o levantamento, o ganho de R$ 1,3 trilhão em impostos seria equivalente ao investimento necessário para criar 23,1 milhões de vagas em escolas de tempo integral ou à construção de 870 mil leitos hospitalares.
Para Gustavo Pimenta, a mineração brasileira tem o poder de ser um motor de crescimento econômico e inclusão social.
“Com uma agenda propositiva, a mineração pode se tornar uma plataforma poderosa de compartilhamento de valor com geração de emprego, renda, crescimento econômico e proteção ambiental.”
Contudo, o setor defende que, para capturar esse potencial, o país precisa de licenciamentos ambientais mais céleres, além de uma política nacional focada em minerais estratégicos.
Sobre a companhia entrar no mercado de terras raras e minerais críticos, apontados como promissores pelo estudo, Pimenta destacou que o assunto segue em estudo na empresa.
2. Cadeia mineral integrada: infraestrutura, disponibilidade de energia, processamento mineral e domínio tecnológico ao longo da cadeia.
3. Ambiente de negócios e segurança institucional: aspectos regulatórios, institucionais, financeiros (em um setor intensivo em capital) e tributários.
4. Valor compartilhado: agenda de impacto positivo e geração de valor social e ambiental para as comunidades/ territórios.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), Aloizio Mercadante, reforçou a importância de reconstruir pontes estratégicas com o setor mineral, destacando que o banco está em um momento de expansão de crédito e apoio à neoindustrialização.
Mercadante defendeu que o Brasil não deve ser apenas um exportador de minério bruto, mas buscar a fabricação local de baterias e células de energia.
Segundo o presidente do BNDES, o Brasil possui condições favoráveis para ampliar a participação nas cadeias globais ligadas à produção e ao processamento de minerais estratégicos. Para ele, o avanço da atividade mineral pode estar associado ao desenvolvimento de etapas de maior agregação de valor e ao fortalecimento de setores industriais relacionados.
“O desafio é ampliar a integração entre a produção mineral e as atividades industriais associadas, especialmente em segmentos vinculados aos minerais estratégicos e críticos”, afirmou.
A reportagem viajou a convite da Vale
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