Em uma vitória histórica, com direito a discurso idem, o
deputado estadual e ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli (PSD) deu a volta
por cima, prevaleceu aos 45 minutos do segundo tempo e enfim concretizou seu
sonho, adiado há quatro anos: será candidato a senador.
Em radical mudança de última hora em relação ao quadro publicado aqui, o PSD no fim das contas decidiu não apoiar ninguém na
eleição para o Governo do Espírito Santo, mantendo a neutralidade. Decidiu,
ainda, homologar a candidatura de Meneguelli ao Senado. Assim, o PSD disputará
as eleições majoritárias no Espírito Santo com uma chapa avulsa, sem outros
partidos coligados, somente com a candidatura de Meneguelli a senador.
As decisões foram anunciadas pelo presidente estadual do
PSD, Renzo Vasconcelos, prefeito de Colatina, durante a convenção estadual do PSD, realizada em um hotel de Vitória.
“Declaro que o PSD não vai se coligar com outro partido na
chapa majoritária ao Governo do Espírito Santo. Declaro, assim, uma opção pela
neutralidade no arranjo estadual. Essa neutralidade protege os nossos candidatos,
sem imposição de um palanque único para o governo, fortalecendo a chapa do PSD
e, portanto, fortalecendo o Espírito Santo.”
Em seguida, o nome de Meneguelli como candidato ao Senado
foi submetido à convenção e aclamado. Chorando de emoção, ele bateu fortemente com as duas mãos na mesa, levantou-se e se abraçou com Renzo, efusivamente.
O discurso de Meneguelli foi uma bomba. Um desabafo
histórico, no qual ele pôs para fora sua mágoa acumulada desde 2022, quando tentou ser candidato ao Senado pelo Republicanos, mas foi barrado pelos
dirigentes do próprio partido.
Sem suavizar as palavras, o ex-prefeito de Colatina citou
várias vezes Erick Musso, o atual presidente estadual do Republicanos. Em 2022,
Erick teve protagonismo na “derrubada” de Maneguelli, que acabou obrigado a se
contentar em disputar um lugar na Assembleia (tendo sido eleito como o campeão de votos para o cargo), enquanto o
próprio Erick assumiu o lugar dele e foi candidato ao Senado (perdendo aquela eleição).
O ex-prefeito de Colatina também citou o senador Magno
Malta, presidente estadual do PL, chamando-o de “maligno”. Meneguelli sempre
acusou Magno de ter operado, nos bastidores, para ajudar a impedir sua
candidatura em 2022, a fim de facilitar seu próprio retorno ao Senado.
Além disso, no presente processo eleitoral, ao levar o PL para a coligação
de Lorenzo Pazolini (Republicanos), Magno vetou a candidatura de Meneguelli na
chapa liderada pelo ex-prefeito de Vitória. O PSD já havia até declarado apoio
a Pazolini para governador, mas acabou se afastando – e agora, opta pela neutralidade formal na
corrida ao Palácio Anchieta.
Meneguelli disparou:
“Hoje os vejo como moleques, enganadores, que usam até o
nome de Deus! Canalhas, me venderam, me rifaram, como se eu fosse um objeto!
[...] Quatro anos atrás, me enganaram, me humilharam, me venderam, me trocaram por
Fundo Partidário, impedindo que eu fosse candidato a senador. Somente me
permitiram, ainda se quisesse, a deputado estadual.”
Chamando Erick literalmente de “guloso”, Meneguelli sugeriu
que o presidente estadual do Republicanos, hoje candidato a deputado federal,
não pratica o que prega.
“Se eu perder, vou perder democraticamente. Não é a
canalhice que Erick Musso e sua corriola fizeram comigo!”, exclamou.
“Agora ele tá lá, na igreja, rezando, mas Deus sabe: ele foi
covarde comigo! E agora tô com um homem sério: Renzo Vasconcelos!”
Erick frequenta uma igreja de denominação evangélica. Com
frequência, nas redes sociais, faz postagens de cunho religioso.
Enquanto detonou Magno e Erick, Meneguelli encheu Renzo de
elogios.
“Quero desmascarar os que duvidaram de mim, os que duvidaram
da hombridade de Renzo Vasconcelos!”, salientou.
“Estou mexendo com homem sério, não com porcaria que vive
quatro anos de Fundo Partidário e depois vai para a igreja pregar, como se
fosse puritano. Aqui em Vitória tem vários!”
Prosseguiu, apontando para Renzo:
“Deus sabe o que esse rapaz enfrentou para manter minha
candidatura! Tive com eles um tratamento que nem minha família que me criou me
deu. Encontrei não só um correligionário, que lutou contra políticos nacionais,
mas um amigo!”
Meneguelli também rendeu elogios e agradecimentos a Gilberto
Kassab, o presidente nacional do PSD.
“Vocês precisam conhecer o tipo de homem que é Gilberto Kassab!
Ele foi pressionado por governador e por senador!”
Logo após o fim da convenção, Meneguelli ligou para Kassab, para lhe agradecer. Conversou com ele por breves instantes e lhe prometeu: “O senhor terá um senador da
República”.
Renzo: “No fio do
bigode”
Segundo Renzo Vasconcelos, ele jamais cogitou rifar
Meneguelli. “A candidatura dele ao Senado está definida desde o dia em que me encontrei
pessoalmente com o Kassab”, afirmou.
“Minha mãe me ensinou que palavra de homem não precisa ser assinada. É no fio do
bigode! Não é porque honradamente ofereceram a vaga de vice-governadora à minha
esposa que minha palavra a Gilberto Kassab não será cumprida.”
Para garantir o PSD na coligação de Pazolini, o Republicanos ofereceu a vaga de candidata a vice-governadora para Lívia Vasconcelos, esposa de Renzo e primeira-dama de Colatina. Ela participou da convenção, na mesa de autoridades, ao lado de Renzo e de Meneguelli.
E Lívia Vasconcelos?
Neste momento, Lívia Vasconcelos não é candidata a nada.
Nas disputas proporcionais, a Executiva Estadual do PSD
registrou, na ata da convenção, uma nominata com 18 candidatos a deputado
estadual e nove candidatos a deputado federal. No Espírito Santo, cada partido ou federação pode
lançar, respectivamente, 31 e 11 candidatos.
Entretanto, na ata da convenção, o partido também delegou à
Executiva Estadual plenos poderes para substituir ou incluir candidatos a
estadual e federal.
Desse modo, até o próximo dia 15, último dia do prazo para
pedidos de registro de candidaturas, o PSD ainda poderá incluir o nome de Lívia
como uma das candidatas a deputada estadual ou federal.
Isso ainda está em avaliação.
Ela realmente queria ser candidata a vice-governadora. Mas
isso não foi possível. Na coligação do Republicanos, Renzo poderia acomodar a
própria esposa como vice de Pazolini, mas, se assim fizesse, não conseguiria cumprir seu
compromisso com Meneguelli, pois não havia mais espaço para ele ser candidato a
senador.
Premido entre a vontade de contemplar a própria esposa (impulsionando
sua carreira política) e a necessidade de atender a Meneguelli, Renzo acabou
escolhendo a segunda opção, em detrimento do desejo maior de Lívia.
E o Republicanos? Aliança informal?
No meio do seu discurso, Meneguelli soltou esta: “Se Renzo
declarar apoio a Pazolini, eu vou apoiar o Pazolini!”
A fala, num primeiro momento, foi interpretada como possível
sinalização de um futuro apoio informal dele mesmo e do PSD a Pazolini, mesmo
com o partido fora da coligação do Republicanos. Uma abertura de caminho para
isso.
Em entrevista após a convenção, nem Renzo nem Meneguelli confirmaram a intenção de partir para essa composição informal. Mas Meneguelli afirmou que gosta de Pazolini e que se identifica mais com o ex-prefeito de Vitória. Reiterou que seguirá o partido e que, se a decisão do PSD for a de apoiar Pazolini, ele fará o mesmo.
Emissários de
Pazolini já constroem plano B com PSD
Aliás, no auditório do hotel onde foi realizada a convenção,
uma presença chamou a atenção: era um dos articuladores políticos de Pazolini, “tentando
entender o que ocorrera nas últimas horas”, já que, segundo ele, o acordo com o
Republicanos já estava mesmo fechado.
O emissário também foi lá com a missão de começar a construir
o plano B com Renzo e com o braço-direito deste no PSD, Nilo Locatelli: a
viabilização da aliança informal do PSD com Pazolini mencionada acima.
Desabafo?
Perguntamos a Meneguelli se o discurso dele foi um desabafo
e se ele se sentiu “de alma lavada”.
“Não, não... Não estou de alma lavada. Para eu ficar de alma
lavada, teria que falar muitas outras coisas...”
Suplentes
Os dois suplentes de Meneguelli ainda não foram definidos.
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