Nesta virada de 2026 para 2027, o que aflige o planeta são os possíveis impactos do Super El Niño, com o passar dos anos as apreensões serão outras, não há datas cravadas para eventos climáticos extremos, apenas a confirmação científica de que o clima vai continuar desafiando nossas convicções sobre ele. E a única certeza a qual se pode apegar é a de que precisamos estar mais preparados.
O "pense globalmente, aja localmente" atualiza seus contornos com as mudanças climáticas, porque as lideranças regionais passam a ter um protagonismo na elaboração e execução de estratégias de redução de danos.
É mão na massa. Um campo aberto inclusive para soluções inovadoras, que mitiguem os impactos das tragédias climáticas, das estiagens prolongadas ao excesso de chuvas e alagamentos. Isso para ficar nas situações mais óbvias.
É essa conexão com a nova realidade do planeta, que é bem verdade já vem sendo anunciada há décadas, que se espera dos pleiteantes aos cargos nestas eleições. Sem negacionismo.
Deputados estaduais e federais, senadores, governador e presidente da República, todos têm papéis a cumprir, inclusive em conjunto, com respostas concretas de preservação ambiental e ações contingenciais.
Um cenário que impõe uma agenda de planejamento e reorganização urbana e planos de adaptação econômica, com foco nos setores sob maior risco, como o agro. É tentar cercar com mais eficiência as vulnerabilidades sociais, com políticas públicas que sejam capazes de proteger a vida diante de uma catástrofe inevitável. Quem se prepara está sempre um passo a frente.
Na sabedoria atribuída a Confúcio, "quem não prevê as coisas longínquas, expõe-se às desgraças próximas". É inaceitável, a esta altura, aceitar de qualquer governante a justificativa de que foi surpreendido por um evento climático.
As informações estão por aí, difundidas à exaustão, e infelizmente as tragédias também, para comprovar. O trabalho, para quem se sagrar nas urnas neste ano, não será pouco.
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