No tabuleiro político-eleitoral do Espírito Santo, o
exército de Lorenzo Pazolini tem duas torres: Erick Musso e Evair de Melo. Tem
vários peões na linha de frente, incluindo um com chapéu, Muribeca, que parece
até “peão boiadeiro”. Não tem nenhum cavalo (pois estes só podem andar em “L”). E,
no lugar do par de bispos, tem uma Bispa: sua candidata a vice-governadora, a
pastora Eliane Leal (PL), indicação pessoal do senador Magno Malta (PL).
No xadrez, os bispos só andam em diagonal, podendo percorrer
todo o tabuleiro em qualquer direção. Mas não é o caso, até aqui, da Bispa
Eliane Leal. Até o momento, sua movimentação e sua participação na campanha de
Pazolini têm sido bastante discretas. Nas atividades de rua, intensamente
realizadas por Pazolini, sua presença ao lado do titular da chapa é raríssima.
Desde que foi anunciada por Pazolini como sua companheira de
chapa, no dia 14 de agosto, véspera do pedido de registro da chapa ao TRE-ES, o
ex-prefeito de Vitória já publicou 64 posts em seu Instagram oficial de
campanha, num intervalo de 22 dias.
A contagem da coluna no feed
se encerrou às 21h de domingo (6). As postagens incluem registros das dezenas
de caminhadas já realizadas por Pazolini em feiras livres nas quatro maiores
cidades da Região Metropolitana, além de carreatas e várias visitas do
candidato do Republicanos a cidades do interior, incluindo municípios vizinhos
a Colatina, terra de Eliane Leal, como Nova Venécia, Linhares, Vila Pavão e São
Domingos do Norte.
Com base em tais registros, a candidata a vice só participou
presencialmente de duas dessas atividades ao lado de Pazolini. As duas foram em
Vila Velha. No dia 22 de agosto, ela andou com Pazolini na feira da Glória. Na
última sexta-feira (4), participou ao lado dele de uma carreata na Grande Terra
Vermelha, na carroceria do “carro abre-alas” (uma caminhonete). Nos dois posts, ela apenas aparece
incidentalmente. Não recebe o menor destaque.
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A tímida presença da própria candidata a vice chama ainda
mais a atenção por contraste, quando comparada ao papel ostensivo cumprido
pelos respectivos vices de Ricardo Ferraço (MDB) e Helder Salomão (PT).
Camillo Neves (PP) é visto com frequência ao lado de Ricardo
em comícios e atividades registradas nas redes sociais do governador – ou vai representá-lo
em outras tantas. Já a Professora Valdirene (PT) é praticamente indissociável
de Helder, que exibe orgulhosamente sua vice desde antes do período oficial de
campanha.
Incialmente escalada como candidata a deputada estadual na
chapa do PL, com o nome de urna Bispa Eliane Leal, a pastora evangélica da
Igreja Tabernáculo de Adoração em Colatina acabou indicada por Magno,
presidente estadual do PL, e aceita por Pazolini, para compor a chapa do
ex-prefeito de Vitória.
No anúncio feito em 14 de agosto, ao lado de Magno e
Maguinha Malta, Pazolini destacou a história de vida de superação da sua
companheira de chapa, que já foi empregada doméstica, tornou-se policial
militar e hoje está na reserva da corporação.
No nome de urna da chapa de Pazolini, o Republicanos retirou
o título “Bispa”. Ficou só Eliane Leal. Logo na primeira semana de campanha,
após representação da coligação de Ricardo na Justiça Eleitoral, a campanha do
ex-prefeito retirou do ar alguns posts
que não faziam constar o nome da candidata a vice. Isso não voltou a ocorrer.
A verdade é que, até o momento, sabe-se muito pouco sobre a
Bispa Eliane Leal, além da sua idade (50 anos), sua profissão (policial da
reserva), seu endereço (Colatina), seu trabalho pastoral e sua profunda conexão
com o senador Magno Malta, de cuja costela nasceu na política. Com o nome Bispa
Eliane Leal, ela também foi candidata a vice-prefeita de Colatina, na chapa do
PL encabeçada por Luciano Merlo em 2024.
Na última sexta-feira (4), ligamos para a candidata. Ela
atendeu ao telefonema e, em seguida, desligou. Por mensagem, explicamos que
gostaríamos de falar com ela sobre sua participação na campanha. Ela disse que
estava na estrada, não voltou a atender nem deu resposta.
A estreia na TV
Por outro lado, justiça seja feita: no mesmo dia (4), Eliane
Leal foi a primeira dos candidatos a vice-governador a ter algum destaque no
horário eleitoral. À noite, no programa de TV de Pazolini, ela apareceu (sozinha)
por cerca de 30 segundos no vídeo. O programa foi sobre segurança pública. Logo
no começo, enchendo a tela, ela disse o seguinte texto:
“Em 2025, o Espírito Santo registrou um golpe a cada 10
minutos. Uma mulher sofreu violência cada 27 minutos. E no campo, roubos de
café, pimenta e outros cultivos continuam levando embora meses de sustento de
famílias. Na Polícia Civil, 42% das vagas previstas em lei não estão
preenchidas. Na Polícia Militar, faltam quase 2 mil policiais em relação ao
efetivo previsto.”
Depois disso, a edição destacou Pazolini.
O combate à violência em geral, e à violência contra as mulheres
em particular, é uma das principais bandeiras de campanha de Pazolini. Sempre
que pode, ele destaca o fato (ou feito) de Vitória ter passado mais de 650 dias
sem registro de feminicídio. Até quando firmou sua aliança pessoalmente com
Flávio Bolsonaro (PL), em Vitória, no dia18 de julho, Pazolini sugeriu a Flávio
que adotasse em seu plano de governo medidas tomadas por Vitória nessa área.
A exposição da vice, ainda que curta, num dos primeiros programas
da campanha na TV, prova que não há a deliberação de “escondê-la”. Mas é fato,
como provado acima, que sua presença na campanha de rua e nas redes sociais de
Pazolini, até aqui, é discretíssima.
Também não se sabe se, no horário eleitoral, só lhe serão
reservados esses “30 segundos de fama”, ou se a campanha de Pazolini aos poucos
ampliará o espaço e a visibilidade da bispa.
Bandeiraço para Pazolini, campanha com Magno e Maguinha e manifestação bolsonarista
Em seu Instagram, Eliane Leal com frequência reposta as publicações
oficiais de Pazolini. Em seu próprio perfil, ela tem aumentado seu volume de
postagens desde a semana passada.
Recentemente, mostrou que tem disposição de ir para a linha
de frente da campanha como, digamos, “qualquer outra apoiadora”. No sábado (5),
postou sua participação em um bandeiraço da campanha em São Pedro (sem a
presença de Pazolini, a não ser nos adesivos e bandeiras), realizado na noite
de sexta (4) “Quem estava com a tropa do 10 ontem?”, publicou.
Eliane também tem participado de atividades de campanha de
Maguinha ao Senado, ao lado dela e de Magno – e sem Pazolini. São atividades
paralelas, independentes da programação de campanha do candidato a governador.
Na sexta-feira, por exemplo, Eliane participou, conforme disse, de “um culto de
consagração ao Senhor” no comitê de Maguinha.
No sábado, postou fotos de uma carreata que fez com Maguinha
e Magno em Linhares. Dividiu com eles o trio elétrico, na chamada “Caravana 22”
(número do PL). “Hoje pela manhã foi dia
de marcar presença em Linhares, é tempo de um Brasil diferente, de um estado
diferente. Nós cremos!” Também passou com Maguinha e Magno por Santa
Teresa, onde já atuou como PM.
No domingo (6), ela
publicou uma “convocação” para o ato marcado por bolsonaristas neste 7 de
setembro, com travessia da Terceira Ponte, às 12h.
“Sim, nós precisamos
lutar pela independência do Brasil, não por um partido, mas pra nós
continuarmos livres, livre da corrupção, livre desse povo aí que está tentando
tirar o nosso direito de permanecer falando, cuidando da nossa família e nos
dedicando à nossa fé.”
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