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Vitor Vogas

“Apertem os cintos... a Bispa sumiu”?!? Mais ou menos...

No xadrez, bispos só andam em diagonal, podendo percorrer todo o tabuleiro em qualquer direção. Mas não é o caso, até aqui, da Bispa Eliane Leal. Sua movimentação e sua participação na campanha de Pazolini têm sido bastante discretas

Publicado em 07 de Setembro de 2026 às 05:00

Públicado em 

07 set 2026 às 05:00
Vitor Vogas

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Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Bispa Eliane Leal em bandeiraço de campanha Reprodução do Instagram

No tabuleiro político-eleitoral do Espírito Santo, o exército de Lorenzo Pazolini tem duas torres: Erick Musso e Evair de Melo. Tem vários peões na linha de frente, incluindo um com chapéu, Muribeca, que parece até “peão boiadeiro”. Não tem nenhum cavalo (pois estes só podem andar em “L”). E, no lugar do par de bispos, tem uma Bispa: sua candidata a vice-governadora, a pastora Eliane Leal (PL), indicação pessoal do senador Magno Malta (PL).


No xadrez, os bispos só andam em diagonal, podendo percorrer todo o tabuleiro em qualquer direção. Mas não é o caso, até aqui, da Bispa Eliane Leal. Até o momento, sua movimentação e sua participação na campanha de Pazolini têm sido bastante discretas. Nas atividades de rua, intensamente realizadas por Pazolini, sua presença ao lado do titular da chapa é raríssima.


Desde que foi anunciada por Pazolini como sua companheira de chapa, no dia 14 de agosto, véspera do pedido de registro da chapa ao TRE-ES, o ex-prefeito de Vitória já publicou 64 posts em seu Instagram oficial de campanha, num intervalo de 22 dias.


A contagem da coluna no feed se encerrou às 21h de domingo (6). As postagens incluem registros das dezenas de caminhadas já realizadas por Pazolini em feiras livres nas quatro maiores cidades da Região Metropolitana, além de carreatas e várias visitas do candidato do Republicanos a cidades do interior, incluindo municípios vizinhos a Colatina, terra de Eliane Leal, como Nova Venécia, Linhares, Vila Pavão e São Domingos do Norte.


Com base em tais registros, a candidata a vice só participou presencialmente de duas dessas atividades ao lado de Pazolini. As duas foram em Vila Velha. No dia 22 de agosto, ela andou com Pazolini na feira da Glória. Na última sexta-feira (4), participou ao lado dele de uma carreata na Grande Terra Vermelha, na carroceria do “carro abre-alas” (uma caminhonete). Nos dois posts, ela apenas aparece incidentalmente. Não recebe o menor destaque.


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A tímida presença da própria candidata a vice chama ainda mais a atenção por contraste, quando comparada ao papel ostensivo cumprido pelos respectivos vices de Ricardo Ferraço (MDB) e Helder Salomão (PT).


Camillo Neves (PP) é visto com frequência ao lado de Ricardo em comícios e atividades registradas nas redes sociais do governador – ou vai representá-lo em outras tantas. Já a Professora Valdirene (PT) é praticamente indissociável de Helder, que exibe orgulhosamente sua vice desde antes do período oficial de campanha. 

Helder Salomão abraça Professora Valdirene; Ricardo Ferraço e Camillo Neves mostram adesivo
Helder Salomão abraça Professora Valdirene; Ricardo Ferraço e Camillo Neves mostram adesivo Fotomontagem (reprodução do Instagram)

Incialmente escalada como candidata a deputada estadual na chapa do PL, com o nome de urna Bispa Eliane Leal, a pastora evangélica da Igreja Tabernáculo de Adoração em Colatina acabou indicada por Magno, presidente estadual do PL, e aceita por Pazolini, para compor a chapa do ex-prefeito de Vitória.


No anúncio feito em 14 de agosto, ao lado de Magno e Maguinha Malta, Pazolini destacou a história de vida de superação da sua companheira de chapa, que já foi empregada doméstica, tornou-se policial militar e hoje está na reserva da corporação.


No nome de urna da chapa de Pazolini, o Republicanos retirou o título “Bispa”. Ficou só Eliane Leal. Logo na primeira semana de campanha, após representação da coligação de Ricardo na Justiça Eleitoral, a campanha do ex-prefeito retirou do ar alguns posts que não faziam constar o nome da candidata a vice. Isso não voltou a ocorrer.


A verdade é que, até o momento, sabe-se muito pouco sobre a Bispa Eliane Leal, além da sua idade (50 anos), sua profissão (policial da reserva), seu endereço (Colatina), seu trabalho pastoral e sua profunda conexão com o senador Magno Malta, de cuja costela nasceu na política. Com o nome Bispa Eliane Leal, ela também foi candidata a vice-prefeita de Colatina, na chapa do PL encabeçada por Luciano Merlo em 2024.


Na última sexta-feira (4), ligamos para a candidata. Ela atendeu ao telefonema e, em seguida, desligou. Por mensagem, explicamos que gostaríamos de falar com ela sobre sua participação na campanha. Ela disse que estava na estrada, não voltou a atender nem deu resposta. 

A estreia na TV

Por outro lado, justiça seja feita: no mesmo dia (4), Eliane Leal foi a primeira dos candidatos a vice-governador a ter algum destaque no horário eleitoral. À noite, no programa de TV de Pazolini, ela apareceu (sozinha) por cerca de 30 segundos no vídeo. O programa foi sobre segurança pública. Logo no começo, enchendo a tela, ela disse o seguinte texto:


“Em 2025, o Espírito Santo registrou um golpe a cada 10 minutos. Uma mulher sofreu violência cada 27 minutos. E no campo, roubos de café, pimenta e outros cultivos continuam levando embora meses de sustento de famílias. Na Polícia Civil, 42% das vagas previstas em lei não estão preenchidas. Na Polícia Militar, faltam quase 2 mil policiais em relação ao efetivo previsto.”


Depois disso, a edição destacou Pazolini.


O combate à violência em geral, e à violência contra as mulheres em particular, é uma das principais bandeiras de campanha de Pazolini. Sempre que pode, ele destaca o fato (ou feito) de Vitória ter passado mais de 650 dias sem registro de feminicídio. Até quando firmou sua aliança pessoalmente com Flávio Bolsonaro (PL), em Vitória, no dia18 de julho, Pazolini sugeriu a Flávio que adotasse em seu plano de governo medidas tomadas por Vitória nessa área.


A exposição da vice, ainda que curta, num dos primeiros programas da campanha na TV, prova que não há a deliberação de “escondê-la”. Mas é fato, como provado acima, que sua presença na campanha de rua e nas redes sociais de Pazolini, até aqui, é discretíssima.


Também não se sabe se, no horário eleitoral, só lhe serão reservados esses “30 segundos de fama”, ou se a campanha de Pazolini aos poucos ampliará o espaço e a visibilidade da bispa. 

Bandeiraço para Pazolini, campanha com Magno e Maguinha e manifestação bolsonarista

Em seu Instagram, Eliane Leal com frequência reposta as publicações oficiais de Pazolini. Em seu próprio perfil, ela tem aumentado seu volume de postagens desde a semana passada.


Recentemente, mostrou que tem disposição de ir para a linha de frente da campanha como, digamos, “qualquer outra apoiadora”. No sábado (5), postou sua participação em um bandeiraço da campanha em São Pedro (sem a presença de Pazolini, a não ser nos adesivos e bandeiras), realizado na noite de sexta (4) “Quem estava com a tropa do 10 ontem?”, publicou.


Eliane também tem participado de atividades de campanha de Maguinha ao Senado, ao lado dela e de Magno – e sem Pazolini. São atividades paralelas, independentes da programação de campanha do candidato a governador. Na sexta-feira, por exemplo, Eliane participou, conforme disse, de “um culto de consagração ao Senhor” no comitê de Maguinha.


No sábado, postou fotos de uma carreata que fez com Maguinha e Magno em Linhares. Dividiu com eles o trio elétrico, na chamada “Caravana 22” (número do PL). “Hoje pela manhã foi dia de marcar presença em Linhares, é tempo de um Brasil diferente, de um estado diferente. Nós cremos!” Também passou com Maguinha e Magno por Santa Teresa, onde já atuou como PM.


No domingo (6), ela publicou uma “convocação” para o ato marcado por bolsonaristas neste 7 de setembro, com travessia da Terceira Ponte, às 12h.


“Sim, nós precisamos lutar pela independência do Brasil, não por um partido, mas pra nós continuarmos livres, livre da corrupção, livre desse povo aí que está tentando tirar o nosso direito de permanecer falando, cuidando da nossa família e nos dedicando à nossa fé.”

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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