O 32º Grito dos Excluídos e Excluídas levou às ruas de Vitória, neste domingo (7), manifestações em defesa da moradia, da terra, da paz e da soberania. Com o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, o ato chamou atenção para a crise habitacional no país e para a violência contra as mulheres.
A concentração ocorreu pela manhã, no Portal do Príncipe, no Centro da Capital. De lá, pastorais sociais, movimentos populares, centrais sindicais e outras entidades seguiram em caminhada até o Palácio Anchieta, onde reforçaram as reivindicações do movimento.
Realizado anualmente em diversas cidades brasileiras, o Grito dos Excluídos mantém como tema “Vida em Primeiro Lugar!” e busca relacionar as demandas dos movimentos sociais com a realidade política, econômica e social do país.
A mobilização também dialoga com o tema da Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Segundo o padre Kelder Brandão, vigário episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica, o movimento é organizado pela Igreja e por movimentos sociais há mais de três décadas para dar visibilidade a essas demandas.
Neste ano, a manifestação deu destaque à situação das mulheres. O movimento chamou atenção para o avanço da violência de gênero e citou dados que apontam mais de 1.500 mulheres assassinadas no Brasil em 2025.
A crise habitacional também esteve entre os principais temas do ato. Segundo os organizadores da manifestação, dados da Fundação João Pinheiro apontam que o Brasil tem 5,97 milhões de domicílios em déficit habitacional.
A secretária executiva do Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica, Maria de Fátima Castelan, destacou a importância de levar as reivindicações às ruas em um período de disputa eleitoral.
“O 32º Grito traz uma pauta muito importante para esse tempo que estamos vivendo. É muito importante estarmos nas ruas neste 7 de setembro. Nós queremos dizer que somos um país independente, queremos as mulheres vivas e as pessoas vivendo com dignidade em suas casas”, afirmou.
Para ela, a garantia de direitos é condição para que a sociedade alcance a paz. “Quando todas as pessoas tiverem seus direitos garantidos e respeitados, é que nós vamos poder falar de paz. A paz é fruto da justiça”, disse.