Após ter sido expulso do Partido Liberal (PL) em razão da proximidade com o governo do Espírito Santo, o prefeito Santa Maria de Jetibá, Ronan Zocoloto, manifestou-se por meio das redes sociais. Mais conhecido como Ronan Fisioterapeuta, o chefe do Executivo municipal refutou as acusações de que teria mudado de lado e resssaltou que sua atuação visa aos interesses da população, e não de dirigentes partidários.
No posicionamento, Ronan frisou que seus valores não dependem de partido político e que os defende muito antes de entrar na vida pública. O prefeito disse, inclusive, que muitas pessoas que se declaram bolsonaristas não praticam os mesmos princípios defendidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
"E continuaremos conversando com quem quer que seja para trazer o melhor da cidade. Quando a gente senta com o governador, mesmo que tenha uma bandeira partidária diferente, é para trazer recursos para o nosso município. Acima de qualquer interesse partidário, estão as necessidades da nossa população", reforçou.
Ronan reafirmou que é de direita e pontuou alguns de seus valores, como a autodefesa armada e a família tradicional, mas lembrou que ele é prefeito não apenas de bolsonaristas, mas também de toda a população de Santa Maria.
"Se a pessoa tem uma necessidade, não interessa se ela é de esquerda ou de direita. Acima dos meus valores pessoais, estão os valores da nossa população."
Sem citar nomes, o prefeito também mencionou que dificuldades na relação partidária não surgiram agora. Ronan contou que, quando decidiu se candidatar, havia afirmado que não pretendia seguir os rumos da "velha política". Mas, ao ser eleito, foi pressionado para, na composição da equipe, abrir espaço para quadros políticos para "valorizar o grupo". O prefeito afirmou que não cedeu, e o desgaste se instalou.
O PL decidiu pela expulsão de Ronan e do vice dele, Rafael Pimentel, eleitos pela legenda em 2024. O pedido de cancelamento da filiação dos dois políticos foi encaminhado à Justiça Eleitoral no último dia 3.
Segundo Bruno da Silva Louzada, presidente do partido em Santa Maria de Jetibá, a exclusão do prefeito e do vice foi motivada pelo afastamento de ambos dos projetos políticos que interessam à sigla atualmente.
“Isso (afastamento) vem desde a posse do prefeito. Ele vem trabalhando em prol da esquerda. Em todos os eventos, ele fica enaltecendo o atual governo. Isso não é certo, porque, quando ele se candidatou, não era nem conhecido na cidade”, afirmou Louzada, na época em que A Gazeta divulgou o pedido de expulsão.
Indagado, o presidente municipal do PL disse se referir à relação que Ronan estaria estabelecendo, desde 2024, com o grupo liderado pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB) e pelo governador Ricardo Ferraço (MDB).
O movimento feito pelo prefeito e por seu vice teria desagradado ao senador Magno Malta, presidente do PL no Espírito Santo.
A crise, no entanto, teria sido agravada por dois outros episódios envolvendo o mandatário, ocorridos em junho deste ano. No primeiro deles, Ronan teria deixado de comparecer a uma agenda de Magno no município visando à apresentação da publicitária Maguinha Malta (PL), filha do senador, como pré-candidata ao Senado.
Já o segundo impasse envolve uma ação judicial movida pelo prefeito contra a vereadora Eliza Ramlow Soares (PL), que teria criticado publicamente a ausência de Ronan em agenda promovida por seu próprio partido.
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