Se a corrida em direção ao Palácio Anchieta fosse uma prova
de Fórmula-1, poderíamos dizer que Ricardo Ferraço (MDB) fez a pole position. A corrida para valer acabou
de começar, com a propaganda nas ruas e nas redes liberada desde o dia 16. Após
fazer uma boa largada, Ricardo manteve a liderança nas primeiras voltas da
prova e, hoje, segue firme na ponta. Mas vê seu principal adversário, Lorenzo
Pazolini (Republicanos), aproximar-se pelo retrovisor, numa corrida ainda totalmente
aberta, com o final indefinido e imprevisível.
Helder Salomão (PT), por sua vez, largou bastante atrás e
precisa crescer na prova se quiser ter esperanças de chegar ao segundo turno.
Eis o cenário geral trazido pela nova pesquisa da Quaest sobre
a corrida eleitoral no Espírito Santo, divulgada nesta quinta-feira (27) para a
Rede Gazeta.
Na intenção de voto estimulada, Ricardo tem 35%, contra 28%
de Pazolini e 10% de Helder.
Breno Barcelos (Missão) obtém 2% das menções, enquanto
Rafael Demuner (UP) marca 1%.
Para o atual governador, a melhor notícia da pesquisa, é claro, é o fato de ele seguir na liderança. É preciso, porém, fazer algumas ponderações.
Segundo turno
Quando analisamos as simulações de segundo turno, observamos
situação parecida: Ricardo segue firme na liderança contra Pazolini, com
vantagem fora da margem de erro, mas Pazolini reduz um pouco a diferença.
Em julho, Ricardo tinha 43% das intenções de voto no segundo
turno, ante 30% de Pazolini.
Agora, o atual governador tem 45% das intenções, ante 35% do
candidato do Republicanos.
Nesse caso, a diferença oscilou suavemente, de 13 para 10
pontos.
Pode-se considerar que, se houvesse um segundo turno hoje
entre eles, Ricardo estaria em situação relativamente cômoda, mas que não
admitiria comodismo. Com muita campanha pela frente, 10 pontos não são uma diferença
que permita “cantar vitória”...
Espontânea
Na espontânea, boa notícia para o ex-prefeito de Vitória –
ainda que na extraordinário...
Numericamente, é ele quem aparece na frente, com
o maior percentual de citações: mas são apenas 10%.
Ricardo, com 9%, está tecnicamente empatado com Pazolini.
Helder é citado espontaneamente por 3% dos entrevistados,
empatado com Ricardo no limite da margem de erro.
Na verdade, o que a espontânea realmente informa é que,
neste momento, mesmo com a campanha oficialmente inaugurada há dez dias (o campo
da Quest se encerrou no dia 26), a eleição ainda não “entrou” na mente do
eleitor, ou o contrário: o eleitor ainda não “entrou” de verdade na eleição
para governador do Estado.
O percentual de indecisos é de 74%. Em abril, eram 76%. Significa
que, em cada quatro entrevistados, três não sabem dizer em quem vão votar para
govenador sem ter acesso a uma relação de nomes.
Consolidação de voto
Pazolini é quem tem o eleitorado com a decisão de voto mais
consolidada: 66% dos que dizem votar nele afirmam que a decisão é definitiva.
Os outros 34% admitem que ainda podem mudar.
Helder tem grau de consolidação muito próximo: para 64% de
seus eleitores, a escolha é final, enquanto 36% ainda podem mudar.
No caso de Ricardo, 54% consideram a escolha definitiva, mas
46% ainda podem mudar.
Potencial de votos e
rejeição
Ricardo é quem tem o maior potencial de votos no momento:
46% dos entrevistados dizem que o conhecem e votariam nele. Sua rejeição é de
30%. Os outros 24% respondem que não o conhecem.
Pazolini tem potencial de votos próximo ao de Ricardo: 42% o
conhecem e votariam nele. O ex-prefeito segue sendo quem tem a menor rejeição
(22%), outra boa notícia para ele apresentada pela Quaest. Enquanto isso, 36%
ainda desconhecem o ex-prefeito.
Helder é quem tem a maior rejeição: 34% o conhecem e não
votariam nele. Também é quem tem o menor potencial de votos: só 15% o conhecem
e votariam nele. E é o menos conhecido: 51% ainda não sabem quem ele é.
No caso de Ricardo e Helder, na comparação com os resultados
de julho, praticamente não houve variação.
No de Pazolini, sim. E isso pode ajudar a explicar o
crescimento de 5 pontos de Pazolini nesses últimos 40 dias.
O que explica o
crescimento de Pazolini?
Da última rodada (16 de julho) para cá, Pazolini foi o único
candidato que se tornou percentualmente mais conhecido pelo eleitorado. Em
julho, 45% diziam não conhecê-lo, enquanto 34% diziam que o conheciam e
poderiam votar nele.
Agora, 36% ainda não o conhecem, enquanto 42% votariam nele.
“Não o conheço” caiu de 45% para 36%.
De modo inverso, “conheço e votaria nele” subiu de 34% para
42%.
A rejeição dele permanece praticamente a mesma. A
transferência, de oito pontos, foi direta de “não o conheço” para “conheço e
votaria nele”.
Obviamente, os entrevistados não foram os mesmos. Mas, para
simplificar o raciocínio, quem passou a conhecer Pazolini passou a dizer que
votaria nele.
Vale lembrar que, para disputar o governo, Pazolini precisou
renunciar ao cargo de prefeito. Ficou sem mandato e sem a exposição na mídia
inerente ao cargo. Enquanto isso, Ricardo ascendeu ao cargo de governador, com
toda a visibilidade que vem junto.
Agora, com a largada da campanha, isso se equilibra um pouco
mais – ainda que a coligação e o tempo de propaganda de Ricardo sejam bem
maiores.
Outro ponto é que, na rodada de julho da Quaest, Pazolini
ainda não era “o candidato bolsonarista”. Sua declaração de apoio a Flávio Bolsonaro
(PL), diante deste, em Vitória, deu-se precisamente dois dias depois: no dia 18
de julho. A aliança com o PL foi firmada poucos dias depois.
Por um lado, o bolsonarismo pode gerar rejeição a Pazolini junto
a uma parcela de eleitores que refuta o ex-presidente e seu filho; por outro, o
eleitorado bolsonarista é fiel.
A informação de que Pazolini é o “candidato que apoia e é
apoiado por Flávio” pode estar chegando ao conhecimento desse segmento do
eleitorado.
A pesquisa traz um último número muito eloquente quanto a
isso: 51% dos eleitores que se declaram bolsonaristas dizem que votarão em
Pazolini. Nesse nicho, Ricardo hoje só teria o voto de 27%.
O que explica a boa
posição de Ricardo?
Quanto à liderança de Ricardo, é inequívoco que ele chegou
ao início da corrida com um combo de vantagens: o fato de ser o atual
incumbente (com a máquina estadual nas mãos); o apoio de Renato Casagrande
(PSB), governador bem avaliado; o fato de liderar a maior coligação e de ter, a
seu favor, o maior exército de aliados, incluindo o maior número de prefeitos,
deputados, vereadores e líderes políticos em geral do Espírito Santo.
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