No primeiro dia de propaganda eleitoral gratuita na televisão, a maior parte dos concorrentes aos cargos majoritários no Espírito Santo em disputa nas Eleições 2026 (Senado e governo) optou pela conhecida fórmula de fazer uma retrospectiva da carreira, de mandatos anteriores e até da vida privada. Outros associaram a própria candidatura a um aliado de peso.
Durante o horário eleitoral, exibido na TV das 13h às 13h25 — parte do tempo também foi utilizada por candidatos a deputado estadual —, poucos concorrentes se dedicaram a fazer promessas à população e a apresentar propostas para um possível futuro mandato.
Confira como os candidatos aproveitaram o tempo de propaganda eleitoral:
Disputando o comando do Executivo estadual pela primeira vez, Lorenzo Pazolini (Republicanos) usou seu tempo de propaganda para resgatar políticas sociais implementadas durante sua gestão como prefeito de Vitória, que, segundo ele, teriam resultado em mudanças positivas para a população. O candidato também fez críticas à gestão estadual nas áreas da saúde, educação e segurança pública.
"Eu sei que dá pra fazer. Com gestão, responsabilidade, respeito ao dinheiro público, honestidade e planejamento, mudamos muitas realidades. Agora, estamos colocando nossa experiência à disposição do Espírito Santo. Com humildade, fé, trabalho e 'mãos limpas', chegaremos a quem está abandonado há muito tempo. Fazer o cuidado chegar, fazer a oportunidade chegar. É tempo de paz", diz Pazolini na propaganda.
Na gravação, o ex-prefeito ainda explora imagens de monumentos e pontos turísticos de Vitória, Colatina e Ibiraçu, por exemplo. Em outro momento de críticas indiretas a adversários, o ex-prefeito afirma que, se eleito, governará com as “mãos limpas” e com base em seu slogan de campanha, intitulado “Tempo de Paz”.
Em seguida, foi apresentada a propaganda de Helder Salomão (PT). Nela, o candidato, nascido em Colatina, no Noroeste capixaba, relembrou sua infância e a chegada a Cariacica para estudar. Também citou ter sido prefeito desse município, cargo que ocupou entre 2005 e 2012. Depois, no tempo presente, ele se identificou como o candidato a governador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e buscou demonstrar proximidade com os trabalhadores capixabas.
“Minha história é parecida com a história de tantos capixabas, que desde cedo trabalharam por uma vida melhor. Fomos nós, capixabas, que ajudamos a construir um Estado de prosperidade e equilíbrio”, disse na TV.
Afirmando que não aceita retrocesso, que é professor e exerceu três mandatos na Câmara dos Deputados, em Brasília, ele reforçou que, antes de tudo, é uma pessoa que aprendeu a ter fé, viver na simplicidade, ser humilde e que se preparou para o cargo de chefe do Executivo.
O programa terminou com Helder ao lado de Lula, destaque da propaganda. Neste momento, o presidente da República disse ter orgulho do que está sendo feito no Estado e também pediu votos ao “amigo”, antes de o abraçar.
Com o mote “Agora é o futuro”, Ricardo Ferraço (MDB) procurou imprimir a ideia de que para avançar é preciso valorizar o que está sendo construído hoje no Espírito Santo. Assim, destacou realizações do atual governo e reforçou a parceria com o ex-governador Renato Casagrande (PSB), a quem sucedeu quando o socialista deixou o cargo em abril para concorrer ao Senado Federal.
Para fortalecer a proposta de continuidade, do início ao fim, a propaganda de Ricardo apresentou uma espécie de "bate-bola" dele com Casagrande, que apareceu no vídeo, inclusive, antes do próprio candidato ao governo do Estado, a quem fez elogios. "Eu vi de perto como você trabalha. Eu sei que o Espírito Santo está em boas mãos", disse o ex-governador.
Quando Casagrande fazia menção a avanços alcançados em uma determinada área, o emedebista complementava com dados e resultados obtidos durante a gestão. Desse modo, falaram de educação, saúde e segurança. No fim, Ricardo agradeceu pela parceria com Casagrande: "É isso aí, amigo! Agora é seguir acelerando, porque agora é o futuro."
Os outros dois concorrentes ao Palácio Anchieta, Breno Barcelos (Missão) e Rafael Demuner (UP), não participam do horário eleitoral na TV porque representam partidos que não superaram a chamada cláusula de barreira, dispositivo que estabelece regras para acesso ao fundo partidário e à propaganda eleitoral.
Candidato pela primeira vez, Professor Fabian (PSol) utilizou o tempo disponível de propaganda para defender a “comida boa na mesa”, o fortalecimento da agricultura familiar, da agroecologia e das redes de agricultura urbana.
Renato Casagrande (PSB) optou por reforçar, na primeira propaganda, o que o motiva a permanecer na política, mesmo após uma longa trajetória na vida pública. Ele disse que considera uma missão da qual se orgulha e que, além das pessoas, a espiritualidade lhe dá forças para continuar.
Do mesmo grupo governista, Rose de Freitas (MDB) tenta retornar ao Senado Federal e ressaltou na TV sua experiência no Congresso Nacional e a atuação municipalista que garantia recursos federais para as cidades capixabas.
Disputando uma vaga pelo PSD, Sérgio Meneguelli afirmou que sua candidatura é um sonho que quase foi impedido. Ele se apresentou como um concorrente contra um “sistema corrompido”, sem alianças e “do povo”. Para finalizar, disse ter planos para melhorar a vida dos capixabas.
Candidato à reeleição, Marcos do Val (Avante) apareceu com uma fita preta cobrindo a boca e exibindo manchetes de reportagens que relembraram os bloqueios às contas bancárias e aos perfis dele. Por fim, deixou uma mensagem ao eleitor dizendo que venceu a perseguição “para seguir a luta”.
Já Callegari, candidato do DC, apresentou-se ao eleitor dizendo que vai combater a “ditadura de toga” e lutar por anistia. Pelo pouco tempo disponível na propaganda eleitoral, usou mensagem direcionando o eleitor para suas redes sociais.
Fabiano Contarato (PT), que busca a reeleição, relembrou sua trajetória como delegado da Polícia Civil por 27 anos. Também foram utilizados trechos de discursos dele no Senado, com falas defendendo a segurança pública como dever do Estado e a necessidade de cuidado com as famílias dos policiais “alvejados em confronto”.
A publicitária Maguinha Malta (PL) questionou o andamento das obras de duplicação do trecho capixaba da BR 101. A candidata disse que os termos do contrato de concessão da rodovia não foram devidamente cumpridos. E afirmou que pretende lutar no Senado para que contratos de interesse público sejam respeitados.
Integrante do mesmo grupo político de Maguinha Malta, o deputado federal Evair de Melo (Republicanos) investiu grande parte de seu tempo de propaganda com um resgate de sua trajetória, relembrando suas vivências em família, bem como suas passagens pela Câmara dos Deputados por três mandatos consecutivos
Assim como no caso do governo, os outros candidatos ao Senado, Leonardo Monjardim (Novo) e Rodney Miranda (PRTB) não têm direito à participação no horário eleitoral devido à cláusula de barreira.
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