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Motorista tentou fugir

Aspirante a oficial da PM é atropelado por advogado do DF na Mata da Praia

O motorista fugiu sem prestar socorro, mas foi seguido pelo militar, que não precisou de atendimento médico; segundo a PMES, o advogado apresentava sinais de embriaguez e não sabia onde estava

Publicado em 02 de Junho de 2024 às 12:49

Caroline Freitas

Publicado em 

02 jun 2024 às 12:49
Farda de gala que aspirante a oficial da PM usaria em casamento do amigo foi danificada
Farda de gala que aspirante a oficial da PM usaria em casamento do amigo foi danificada Crédito: Acervo pessoal
Um aspirante a oficial da Polícia Militar foi atropelado na noite de sábado (1º), enquanto estava a caminho de um casamento na Mata da Praia, em Vitória. O motorista, identificado como o advogado Raphael de Oliveira Pizziolo, do Distrito Federal, fugiu sem prestar socorro, segundo a vítima relatou as autoridades.
Ao repórter Daniel Marçal, da TV Gazeta, o aspirante a oficial Marcos Vinicius Siqueira Gama relatou que, no momento do atropelamento, estava em frente à Paróquia São Camilo de Lellis com a esposa, porque, juntamente com outros colegas, faria a guarda de honra do casamento de um amigo.
“De repente, um carro veio na minha direção e da minha esposa. Estávamos bem próximos à calçada, e me atropelou. Rasgou meu fardamento (de gala), danificou a tela do meu celular, danificou a minha espada (símbolo do oficial). A minha esposa, consegui puxar com tudo [para tirá-la do caminho].”
Gama contou que, ao fugir com o carro, o advogado teria feito movimentos de zigue-zague com o veículo, demonstrando estar desorientado.
“Entrei no meu carro e fui atrás para impedi-lo de seguir, senão iria matar algum inocente. Quando alcancei e o abordei, vi que se tratava de um senhor completamente alcoolizado, que saiu com uma lata de cerveja na mão, com outras várias latas vazias dentro do carro e depois apresentou a carteira da OAB, tratando-se de um advogado. Todas as medidas legais e cabíveis relacionadas aos crimes de trânsito foram tomadas”, diz Gama.
A Polícia Militar esclareceu, por meio de nota, que, ao chegar ao local da ocorrência, a vítima explicou que, após o fato, entrou em seu veículo particular e foi atrás do outro motorista, conseguindo alcançá-lo e pará-lo. Nesse momento, as viaturas chegaram.
“A vítima não quis ser socorrida, pois estava apenas com dores e com a roupa rasgada. Foi ofertado o teste do etilômetro ao condutor, porém, devido ao seu estado de embriaguez, o mesmo não compreendeu. Ele apresentava voz arrastada, desequilibrado, olhos avermelhados e não tinha conhecimento de onde estava”, disse a PM.
Diante da situação, foi lavrado auto de infração por não prestar ou providenciar socorro à vítima e o laudo de constatação da capacidade psicomotora.
O veículo estava com o licenciamento vencido desde 2021 e foi guinchado. O motorista foi encaminhado para a 1ª Delegacia Regional. A OAB foi acionada e um representante esteve presente.
A Polícia Civil informou, em nota, que “o suspeito, de 41 anos, conduzido à Delegacia Regional de Vitória, foi autuado em flagrante por dirigir embriagado, praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor e fugir do local do acidente. Após os procedimentos de praxe, ele foi encaminhado ao Centro de Triagem de Viana (CTV).”
A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) informou, em nota, que Pizziolo está na Penitenciária de Segurança Média 1.

Justiça mantém prisão

O advogado Raphael de Oliveira Pizziolo passou por audiência de custódia na manhã deste domingo (2), e teve a prisão em flagrante convertida para prisão preventiva pela Justiça do Espírito Santo, diante da gravidade dos fatos. 
A defesa de Pizziolo requereu a liberdade provisória, com ou sem aplicação de medidas cautelares, destacando que o indiciado é primário. Solicitou medidas cautelares diversas, como prisão domiciliar e suspensão da CNH, em razão da ausência de sala específica para receber o autuado no Estado.
Entretanto, a Juíza Patrícia Faroni entendeu que, no caso concreto, não há como aplicar medidas cautelares ou conceder a liberdade provisória.
“(...) a liberdade do autuado, neste momento, se mostra temerária e a prisão preventiva oportuna, em especial pela gravidade dos fatos narrados, bem como pelo risco à coletividade e o resultado que poderia ter acontecido, destacando ainda que o autuado faz uso de medicamentos controlados e ingeriu bebida alcoólica, o que demonstra mais ainda a irresponsabilidade do mesmo em expor tamanho risco em via pública, uma vez este em liberdade poderá voltar a cometer atos da mesma natureza, intimidar testemunhas e se evadir do distrito de culpa.”

O outro lado

A reportagem tentou contato pelo número de celular do advogado, sem sucesso, e também acionou a OAB-ES, que ainda não se manifestou. O canal está aberto para posicionamentos.
Com informações de Daniel Marçal, da TV Gazeta
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