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É do Brasil

Yago Dora triunfa em Fiji e devolve título mundial de surfe ao Brasil

Brasileiro supera norte-americano Griffin Colapinto na final; é a oitava conquista do Brasil na WSL

Publicado em 02 de Setembro de 2025 às 10:46

Agência FolhaPress

Publicado em 

02 set 2025 às 10:46
Yago Dora é o mais novo membro do clube dos campeões mundiais de surfe. O brasileiro de 29 anos triunfou nesta segunda-feira (1º), em Fiji, e se juntou aos compatriotas Gabriel Medina, Adriano de Souza, Italo Ferreira e Filipe Toledo, outros vitoriosos membros da "Brazilian Storm", a "tempestade brasileira" que tomou conta do circuito na década passada.
Yago Dora é campeão mundial de surfe pela primeira vez.
Yago Dora é campeão mundial de surfe pela primeira vez. Crédito: @WSL via Instagram
Os atletas do Brasil levaram oito das 11 edições da WSL (Liga Mundial de Surfe, na sigla em inglês) realizadas desde 2014. O único não brasileiro a concluir a temporada em primeiro lugar nesse período foi o havaiano John John Florence, campeão em 2016, 2017 e 2024 -ele ficou fora do circuito neste ano; surfou pelo mundo, sem competir, produzindo rentável material audiovisual.
Sem John John, ninguém foi capaz de tirar o título do campeonato masculino do Brasil. Quem chegou mais perto foi o norte-americano Griffin Colapinto, que avançou até a decisão. Acabou superado pelo curitibano criado em Florianópolis, que se mostrou o surfista mais sólido ao longo de todo o certame.
Em sua temporada de maior regularidade, Dora concluiu a fase de classificação do Mundial com a camisa amarela, usada pelo líder do campeonato. Venceu duas etapas (Portugal e Estados Unidos) e assumiu a primeira posição na décima das 11 paradas do circuito, com o segundo lugar na África do Sul.
A posição no ranking lhe deu vantagem na etapa decisiva, chamada de WSL Finals, disputada pelos cinco primeiros nas cercanias da ilha de Tavarua. Nessa disputa, o quinto colocado enfrenta o quarto pelo direito de enfrentar o terceiro. Sai desse embate o adversário do segundo. E só nesse duelo é conhecido o adversário do dono da camisa amarela.
Um dos candidatos era Italo Ferreira, campeão do mundo em 2019 e dono da primeira medalha olímpica da história do surfe, em 2021. Ele era o único dos cinco finalistas com um título mundial no currículo e começou a etapa derrubando o australiano Jack Robinson. Na sequência, porém, parou em Griffin Colapinto.
O norte-americano, que chegou a Fiji em terceiro, superou o segundo, o sul-africano Jordy Smith. E foi à final contra Yago, que tinha uma vantagem extra para o líder adotada neste ano. Ao primeiro colocado bastaria vencer a primeira bateria da final para erguer o troféu. Em caso de triunfo do desafiante, viraria uma disputa melhor de três.
O brasileiro resolveu a questão logo na primeira bateria. Tirou um 7,33 no início da disputa, assumindo o controle. Depois, obteve um 8,33, totalizando 15,66 na soma de suas duas melhores ondas. Griffin Colapinto não chegou a verdadeiramente ameaçá-lo, com um 6,33 e um 6,00, um total de 12,33.
Foi um desfecho feliz para o paranaense após uma escolha difícil. Ao fim do campeonato de 2024, ele decidiu trocar de treinador. Essa decisão, por si, geralmente não é fácil, mas quem orientava o brasileiro era seu pai, o ex-surfista Leandro Dora, conhecido como Grilo, substituído por Leandro da Silva -com quem Yago competiu e treinou na adolescência.
"Foi uma decisão muito difícil de tomar. Era um trabalho com o meu pai, tem todo o afeto entre pai e filho, mas sinto que tem sido muito positivo. Conheço o Leandro desde moleque, temos uma conexão muito boa. Pai e filho acabam misturando um pouco as coisas. Foi um processo difícil para ambos", disse Yago, antes do WSL Finals.
Deu certo, o que gerou uma situação desconfortável. Grilo passou a treinar Jack Robinson, um dos cinco classificados à etapa derradeira. E fez a escolha de pausar a parceria, para não se expor à possibilidade de orientar um atleta no caminho do grande sonho de seu filho, o título mundial de surfe.
Robinson perdeu logo na primeira bateria e acompanhou o triunfo de Yago, o mais novo campeão do mundo. "Oh, meu Deus! É inacreditável! Estou muito feliz!", afirmou o campeão, ainda no mar, em entrevista à transmissão oficial da WSL. "Isso é fruto de muito trabalho, muita dedicação. Feliz demais de levar este título para o Brasil."
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