Campeão de votos para a Assembleia Legislativa, Sergio Majeski é conhecido pela postura crítica em relação ao governo Paulo Hartung, postura essa que manteve mesmo enquanto filiado ao PSDB do vice-governador César Colnago. Agora, no PSB do governador eleito Renato Casagrande, pode não destoar muito. Um episódio do final da manhã desta quarta-feira (05) ilustra a relação entre o parlamentar e o futuro governo. A vice-governadora eleita Jacqueline Moraes e o coordenador da Fundação João Mangabeira no Espírito Santo, Odmar Péricles, bateram à porta do deputado com um convite, para que ele fosse o titular da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia. A resposta imediata: não.
Majeski já havia dito que apenas admitiria a possibilidade de chefiar a pasta da Educação. “Eles foram lá me oferecer a Secretaria de Ciência e Tecnologia. Não aceito de forma nenhuma. Ninguém vota numa pessoa pensando que vai ser secretário. Eu poderia pensar, não aceitar, a possibilidade da Secretaria de Educação, se as minhas condições fossem aceitas, mas nunca disse ‘eu quero’. Achei que isso estivesse claro”, afirmou o parlamentar à coluna.
“Eles ponderaram que as escolhas de secretários foram escolhas pessoais de Casagrande. Se foi escolha pessoal de Casagrande, não entendi porque neste caso foram os dois lá no meu gabinete”, questionou, em seu estilo mordaz.
“Por que não me convidaram para Educação, que eu entendo muito mais? Tem pessoas mais competentes que eu para Ciência e Tecnologia. No PSB não tem ninguém que saiba mais sobre educação do que eu. Desculpe a falta de modéstia”, complementou o deputado, aí destacando ele mesmo outra de suas características. A pasta da Educação foi para o professor e cientista político Vitor de Angelo, que não tem filiação partidária.
Majeski é uma espécie de lobo solitário entre os próprios colegas – e até correligionários – na Assembleia. O que lhe sobra em postura independente em relação ao Executivo e discurso combativo, na maior parte das vezes embasado em dados (o que por si só é mais que se pode dizer da maioria dos deputados estaduais), falta em articulação para tornar realidade algumas de suas propostas ou para ocupar lugares de destaque no Legislativo. “Não participo de nada na base da troca”, ressalta o socialista.
E o que se pode esperar de Majeski em relação ao futuro governo Casagrande? “Estarei como estou e sempre estive, disposto a contribuir. Agora, não abro mão da minha função de parlamentar. Ninguém elege alguém para ser aliado do partido acima de qualquer coisa. A pessoa te elege para você representá-la. Minha conduta vai ser essa. Eu sempre critiquei, por exemplo, o não cumprimento dos 25% aplicados na Educação, que também não foram aplicados por Casagrande (na gestão anterior do socialista). Como vou parar de cobrar isso? Cadê a minha coerência?”, responde Majeski.
Curiosamente, depois da visita de Jacqueline e Odmar, o deputado recebeu o futuro secretário da Casa Civil de Casagrande, Davi Diniz, numa missão diplomática, a quem caberá, como uma das principais funções, cuidar da relação entre Executivo e Legislativo.
“Debate”
Aliado de primeira hora de Renato Casagrande, Odmar Péricles diz que a conversa com Sergio Majeski não foi bem um convite e sim um “debate”: “Convite é só o governador que faz”. Ele conta que a ideia de procurar o deputado partiu dele e de Jacqueline Moraes enquanto militantes partidários, mas com aval de Casagrande. “A gente entende que o deputado prefira se manter no mandato em respeito aos eleitores. Vai nos ajudar de outra forma na Assembleia”, disse.
“Ah, é?”
Majeski pensa em lançar o nome para a presidência da Assembleia, mas imagina que teria dificuldades em compor uma chapa. Lembrado pela coluna que o colega de partido dele, Bruno Lamas, também já se colocou, o deputado se disse surpreso: “Nem sabia”.
Tucano-socialista
O presidente estadual do PSB, Luiz Carlos Ciciliotti, conta que teve uma conversa, um tanto superficial, com o secretário-geral do PSDB, Vandinho Leite. Deputado eleito, o tucano gostaria da união PSDB+PSB para 2020. “Talvez no sentido de fazer uma reaproximação do PSDB com o PSB lá na Serra”, diz Ciciliotti. Em 2016, o PSB esteve com Audifax Barcelos. Já Vandinho foi vice de Sérgio Vidigal.
Articulação
O deputado federal Carlos Manato, que ocupará uma secretaria na Casa Civil do governo Bolsonaro e já atua na transição, esteve ontem com o futuro ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, para articular uma conversa com Casagrande sobre a privatização do Aeroporto de Vitória e a ferrovia que poderia ligar Vitória ao Rio de Janeiro.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.