A denúncia feita por empresários à coluna de Vilmara Fernandes repete um esquema já mostrado pela própria colunista anteriormente: a cobrança de pedágio para a permissão da prestação de serviços de internet. O que já havia sido relatado em bairros de Vitória e da Serra agora acontece na parte alta de Vila Garrido, em Vila Velha.
Uma empresa não deveria depender da licença de criminosos para ter a chance de prosperar, sobretudo em um país que já impõe tantas dificuldades a quem quer empreender. Não foi a primeira vez, e é uma daquelas situações que não podem continuar se repetindo, devendo estar obrigatoriamente na agenda de todo candidato nas eleições deste ano.
Há muito trabalho para todos: quem chegar ao Palácio Anchieta deve articular as políticas públicas de segurança, envolvendo a atuação das polícias, tanto na presença ostensiva da Polícia Militar quanto na atuação dos serviços de inteligência.
O Estado precisa estar um passo à frente, antecipando-se à sistematização dessas extorsões impostas por traficantes. E, principalmente, estabelecendo uma relação de confiança com os moradores. A força das instituições precisa se mostrar o tempo todo.
Deputados federais e senadores têm nas mãos o poder de aperfeiçoar as leis para que o arsenal legislativo seja efetivo contra essa atuação similar à praticada por milícias. Não é um desafio exclusivo do Espírito Santo. Mesmo assim, deputados estaduais também precisam se mobilizar em nível local.
Não pode haver brechas para a lei do mais forte. As imagens de homens cortando os cabos de internet das empresas que decidem não efetivar o pagamento são uma afronta à livre iniciativa e uma violência institucional desmedida. Traficantes não decidem o destino das pessoas. Isso não pode mudar no Espírito Santo.
Candidaturas comprometidas com o desenvolvimento do Estado devem estar cientes do problema e se posicionar de forma propositiva. Tentativas de controle de territórios devem ser cortadas pela raiz, com estratégia e planejamento.
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