Com Trump ou sem Trump, não importa. As imposições de sobretaxas sequenciais a produtos da pauta exportadora capixaba já devem estar sendo suficientes para fortalecer a concepção de que o Espírito Santo não pode permanecer vulnerável a decisões tão imprevisíveis de quem quer que seja. Todo candidato deve ter esse pensamento consolidado para enfrentar qualquer intempérie econômica.
O que está dado é a urgência na reformulação das diretrizes exportadoras, deixando para trás, sobretudo, a dependência de um único mercado. E o Espírito Santo tem nos Estados Unidos o seu maior parceiro comercial, com quem comercializa fatias expressivas da produção de aço, rochas ornamentais e café.
Diversificação deixou de ser opção distante e passou a ser estratégia. A competitividade capixaba, quando exposta a arbitrariedades no âmbito internacional, comprova a própria fragilidade. Mas é possível revertê-la com uma agenda estratégica tanto na cartela de produtos quanto de expansão das fronteiras comerciais.
Isso passa por agregar valor à produção. A inovação também tem um papel primordial nesse processo, dentro das cadeias produtivas. O mercado internacional procura e absorve o que se destaca.
As novas parcerias econômicas podem ser aproveitadas na esteira de acordos como o Mercosul - União Europeia, assim como aproximações estratégicas com o mercado asiático e latino-americano. Novas pontes comerciais precisam ser construídas para que o alinhamento com os Estados Unidos deixe de ser quase exclusivo.
O Espírito Santo sofreu na pele os impactos da imprevisibilidade da política protecionista dos Estados Unidos e deve tirar lições disso: é preciso margem comercial para que os prejuízos sejam reparados por meio de outras parcerias, construídas pelas possibilidades a serem criadas por novos produtos. Depender de um único mercado é colocar o controle na mão desse mercado.
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