A dermatologista conta que a criança fica com aquela sensação de que tem algum bichinho andando pelo couro cabeludo, fica irritada, com dificuldade de dormir. Em casos mais graves, a coceira constante pode causar feridas no couro cabeludo que, sem tratamento adequado, evoluem para infecção bacteriana secundária. Por isso, o recomendado é observar o couro cabeludo das crianças pequenas com frequência e reagir rápido ao identificar qualquer sinal.
O piolho não voa nem nada. Ele rasteja, e é exatamente por isso que a transmissão ocorre pelo contato direto entre couro cabeludo. "É no abraço, é na brincadeira, é no contato que ele vai infectar a outra criança", explica a especialista.
O compartilhamento de objetos pessoais como escovas e pentes também pode ser uma via de transmissão, já que o parasita pode se deslocar de um utensílio para outra cabeça. Um ponto importante: o piolho humano não é transmitido por animais domésticos.
O ciclo tem três fases: ovo, ninfa e piolho adulto. A fêmea adulta coloca os ovos, popularmente chamados de lêndeas, que ficam grudados nos fios de cabelo. Após cerca de sete dias, os ovos eclodem e nascem as ninfas, os piolhinhos ainda em desenvolvimento. Eles crescem, se desenvolvem e se alimentam do sangue humano.
"É importante saber sobre esse período de sete dias porque, dependendo do produto usado no tratamento, pode ser necessário repetir a aplicação, já que alguns não eliminam as lêndeas", alerta Priscila.
De acordo com a dermatologista, o tratamento combina duas abordagens. A primeira é o uso de produtos específicos para pediculose, indicados pelo médico. A segunda é a extração mecânica com pente fino, que remove as lêndeas ainda presas nos fios.
"Nunca use receitas caseiras como querosene, álcool ou vinagre na cabeça da criança. Esses produtos podem causar queimaduras e intoxicação, sendo prejudiciais à saúde", adverte.
Outro passo essencial é comunicar a escola ou creche para que outras famílias possam verificar e, se necessário, tratar. Todos os moradores da casa também devem ser avaliados, não apenas a criança com sintomas.
A prevenção passa por atenção constante e alguns hábitos simples: observar regularmente o couro cabeludo das crianças, evitar o compartilhamento de escovas, pentes e acessórios de cabelo, e orientar as crianças desde cedo sobre esses cuidados.