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Rosto mudou depois de perder muito peso? Entenda por que isso pode acontecer

Especialista explica como a redução de gordura e as mudanças na sustentação da pele podem alterar o contorno e a aparência da face

Publicado em 11 de Setembro de 2026 às 12:14

Portal Edicase

Publicado em 

11 set 2026 às 12:14
A perda de peso pode trazer satisfação com o corpo, mas também causar estranhamento diante das mudanças percebidas no rosto (Imagem: Marina Demeshko | Shutterstock)
A perda de peso pode trazer satisfação com o corpo, mas também causar estranhamento diante das mudanças percebidas no rosto Crédito: Imagem: Marina Demeshko | Shutterstock

Depois de uma grande perda de peso, a transformação pode não se limitar ao corpo. Apesar da satisfação com o resultado na balança, há quem se depare com uma sensação de estranhamento ao olhar no espelho e perceber as mudanças no rosto. Têmporas e olheiras mais evidentes, perda de volume nas maçãs do rosto, flacidez e alterações no contorno da mandíbula estão entre as principais queixas.

O fenômeno ganhou visibilidade com a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, mas não começou com elas. Pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, por exemplo, já relatavam transformações semelhantes muito antes da atual geração de medicamentos para obesidade.

“O que vemos não é uma alteração exclusiva de um medicamento, nem necessariamente causada pelo medicamento em si. É muito mais coerente falar em alterações faciais associadas à grande perda de peso”, explica aDra. Erika Kugler Nóbrega, cirurgiã-dentista, especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial e em Harmonização Orofacial.

Bariátricos já conheciam essas mudanças

Segundo a especialista, pacientes bariátricos há anos chegam aos consultórios relatando perda de volume, flacidez e percepção de envelhecimento facial após emagrecimentos expressivos. “Esses pacientes nos ensinaram algo importante: não é necessário usar semaglutida para desenvolver essas alterações. O rosto responde à transformação corporal e à perda importante de tecido adiposo independentemente do método utilizado para chegar a esse emagrecimento.”

A explicação está, em parte, na anatomia. O rosto possui compartimentos de gordura que participam de seu volume, sustentação e contorno. Com uma perda expressiva de peso, o tecido adiposo facial também pode diminuir. Se a pele não se retrai na mesma proporção, a flacidez pode ficar mais evidente.

Fatores como idade, genética, anatomia facial, qualidade da pele, exposição solar, hábitos de vida, estado nutricional, quantidade e velocidade do emagrecimento também interferem. Por isso, duas pessoas que perdem o mesmo número de quilos podem apresentar resultados faciais bastante diferentes.

O que a ciência mostra?

A revisão sistemática “Soft Tissue Facial Changes Following Massive Weight Loss Secondary to Medical and Surgical Bariatric Interventions: A Systematic Review” , publicada em 2024 na National Library of Medicine, encontrou associação entre grandes perdas de peso obtidas por intervenções médicas ou cirúrgicas, redução regional da gordura facial e maior flacidez.

Outro estudo intitulado “Radiographic Midfacial Volume Changes in Patients on GLP-1 Agonists” , publicado em 2025 na National Library of Medicine, analisou exames de imagem de 20 pacientes em uso de medicamentos agonistas de GLP-1.

No modelo estatístico utilizado pelos pesquisadores, cada 10 quilos perdidos estiveram associados, em média, a uma redução de aproximadamente 7% do volume superficial da região média da face. Por se tratar de uma amostra pequena, o achado ainda precisa ser confirmado por estudos maiores.

Além disso, a revisão científica “GLP-1-Induced Weight Loss and the Face: Anatomical Mechanisms and Rationale for Collagen-Stimulating and Volumizing Aesthetic Treatments”, publicada em 2026 na National Library of Medicine, também descreveu alterações de volume, flacidez e contorno facial relacionadas ao emagrecimento associado a medicamentos que atuam no receptor de GLP-1.

Após uma grande perda de peso, o rosto pode apresentar mudanças e transmitir uma aparência mais envelhecida (Imagem: BearFotos | Shutterstock)
Após uma grande perda de peso, o rosto pode apresentar mudanças e transmitir uma aparência mais envelhecida Crédito: Imagem: BearFotos | Shutterstock

“Emagreci, mas parece que meu rosto envelheceu”

No consultório, a mudança pode aparecer acompanhada de uma contradição: satisfação com o emagrecimento e estranhamento diante do próprio rosto. “São pacientes felizes porque emagreceram, melhoraram a saúde e recuperaram a autoestima corporal, mas que olham para o rosto e dizem: ‘parece que eu envelheci'”, relata Erika Kugler Nóbrega.

Para a cirurgiã-dentista, isso não significa questionar os benefícios do tratamento adequado da obesidade. As alterações estéticas também não devem levar pacientes a interromper ou modificar medicamentos sem orientação do profissional responsável.

Preencher tudo não é a solução

A perda de volume facial também não significa que todo o tecido perdido deva ser substituído por preenchimentos. “Não precisamos tratar um rosto emagrecido simplesmente enchendo-o de ácido hialurônico. O objetivo é identificar o que realmente está causando aquele aspecto cansado ou envelhecido. Em alguns pacientes predomina a flacidez; em outros, a perda de volume; em outros, as duas coisas”, explica.

Dependendo de cada caso, podem ser avaliadas estratégias voltadas à qualidade da pele, estímulo de colágeno, tratamento da flacidez e reposições pontuais de volume. Quando existe excesso significativo de pele, uma avaliação cirúrgica pode ser necessária.

“O que eu não recomendo é tentar compensar cada perda de volume colocando preenchimento progressivamente. O rosto ainda está mudando, e existe o risco de perdermos a referência de proporção e acabarmos com uma face artificial”, acrescenta a Dra. Erika Kugler Nóbrega.

Da balança para o espelho

Para a Dra. Erika Kugler Nóbrega, a discussão representa uma nova maneira de enxergar as grandes perdas de peso. “Durante muito tempo, o sucesso do tratamento da obesidade foi representado quase exclusivamente pelo número da balança. Hoje começamos a entender que existe uma transformação muito mais ampla”.

A especialista destaca que, com a maior frequência de grandes perdas de peso, também cresce a necessidade de compreender como preservar a saúde, a identidade e a harmonia facial ao longo desse processo.

Por Elisangela Evangelista

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