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Infecção rara

Síndrome de Fournier: entenda o que é a infecção que se alimenta das genitálias humanas

A doença costuma ter início a partir de pequenas lesões, abscessos, feridas ou procedimentos cirúrgicos e evolui de forma extremamente rápida, causando destruição dos tecidos

Publicado em 19 de Agosto de 2025 às 17:56

Redação de A Gazeta

Publicado em 

19 ago 2025 às 17:56
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O sintoma mais característico é lesão com dor intensa Crédito: Shutterstock/ Busra Ispir
A recente morte do funkeiro Leandro Rogério (40) gerou uma série de dúvidas sobre uma infecção que, popularmente, é descrita como capaz de “devorar” as genitálias dos pacientes. Diagnosticado com a síndrome de Fournier - uma infecção rara, agressiva e voraz capaz de transformar pequenas feridas em verdadeiros campos de batalha para bactérias - o caso despertou temor e questionamentos sobre a higiene íntima masculina. 
De acordo com a infectologista Eveline Vale, a síndrome de Fournier é um tipo de fasceíte necrosante que atinge a região genital, anal e perineal, podendo se estender até a pelve. “A doença costuma ter início a partir de pequenas lesões, abscessos, feridas ou procedimentos cirúrgicos e evolui de forma extremamente rápida, causando destruição dos tecidos”, afirma a professora de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB). Geralmente é causada por uma infecção polimicrobiana, ou seja, envolve a ação conjunta de diferentes tipos de bactérias que aceleram a destruição dos tecidos.
Entre as bactérias mais comuns, a especialista cita a Escherichia coli, presente no intestino, a Klebsiella pneumoniae e a Pseudomonas aeruginosa, além de microrganismos que habitam a pele, como Streptococcus pyogenes e Staphylococcus aureus. Segundo a médica, ainda estão presentes na síndrome as bactérias anaeróbias, com a Bacteroides fragilis e Clostridium. A síndrome é considerada rara e a incidência geral é de 1,6 para cada 100 mil homens, com maior ocorrência registrada na região Sul. A predominância é clara com 77% dos pacientes sexo masculino, com idade média de 51,7 anos, com pico entre 50 e 79.
A taxa de letalidade geral é de aproximadamente 7,5%, mas pode ser significativamente maior quando há sepse ou complicações como insuficiência renal e respiratória. Em casos mais graves, a necessidade de amputações parciais pode chegar a 30%. “Quando a doença aparece, a maioria dos pacientes carregam comorbidades, principalmente diabetes mellitus e hipertensão. Essas condições funcionam como combustível para o avanço rápido da infecção.”

Sintomas de alerta

O sintoma mais característico é lesão com dor intensa e desproporcional ao aspecto visível da área, podendo ocorrer inchaço, vermelhidão de rápida progressão, formação de bolhas e odor fétido característico da necrose tecidual. O diagnóstico é estabelecido a partir da avaliação clínica, histórico do paciente, exames laboratoriais e de imagem, como radiografia ou tomografia, que ajudam a identificar a extensão da infecção e a presença de gás ou necrose. “Dada a rápida evolução da doença, o início do tratamento não deve esperar o resultado definitivo dos exames”, recomenda.
O tratamento inclui procedimento cirúrgico para a retirada do tecido necrosado, uso de antibióticos intravenosos de amplo espectro, suporte intensivo hospitalar e controle rigoroso de condições associadas, como o diabetes. “A síndrome de Fournier é uma emergência médica. Sem intervenção imediata, pode evoluir para choque séptico e levar ao óbito”, alerta Eveline.
Entre as medidas preventivas, estão a higiene adequada da região genital e perineal, o tratamento precoce de infecções urinárias ou genitais, o controle rigoroso do diabetes e cuidados específicos após cirurgias ou traumas na área. “Reconhecer rapidamente os sinais e buscar atendimento médico imediato pode fazer toda a diferença entre a recuperação e as complicações graves”, finaliza.

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