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Medida protetiva

Lei Maria da Penha: mais de 300 agressores usam tornozeleira eletrônica no ES

Alteração na lei elevou o número de agressores monitorados eletronicamente no Estado; parte das vítimas recebe alerta imediato caso a medida protetiva seja descumprida

Publicado em 06 de Agosto de 2026 às 18:08

Maurílio Mendonça

Publicado em 

06 ago 2026 às 18:08

O governo do Espírito Santo monitora, por meio de tornozeleira eletrônica, 306 agressores de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. As decisões judiciais que determinam o uso desse monitoramento fazem com que 15,5% de todas as tornozeleiras usadas no Estado sejam oriundas de medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha.

O uso de tornozeleira eletrônica como medida protetiva foi estabelecida pela Lei nº 15.383, de 9 de abril de 2026, sendo mais uma forma de segurança para as vítimas. A legislação alterou a Lei Maria da Penha, que autorizava o monitoramento por tornozeleira apenas como opção.


Só no Espírito Santo, isso resultou  em um salto significativo do número de agressores monitorados eletronicamente. Entre 1º de maio e 5 de agosto, 187 decisões judiciais foram cumpridas pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus).

Já havia uso de tornozeleira antes da lei, e houve aumento na demanda depois de virar medida protetiva. Em janeiro, eram 100 monitorados. Desde que a lei foi alterada, esse número cresceu consideravelmente

Rômulo Praxedes, gerente de Alternativas Penais e Monitoramento Eletrônico da Sejus

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Isso significa que, ao ser verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, o agressor deve ser imediatamente submetido à monitoração eletrônica.

O maior ganho com essa decisão é que, se esse agressor não usar a tornozeleira, por exemplo, ou ultrapassar o limite determinado judicialmente, desrespeitando a distância entre ele e a vítima, ele poderá ser preso. Porque descumprir medida protetiva também é crime

Claudia Regina dos Santos Albuquerque Garcia, promotora de justiça do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e membro auxiliar da Corregedoria Nacional do Ministério Público

Em maio de 2026, foram 43 novas determinações judiciais para que o agressor passe a ser monitorado por tornozeleira eletrônica, com mais 84 decisões em junho, 52 em julho e outras oito nos primeiros dias de agosto. O resultado foi um salto de 119 agressores com o equipamento em abril para 306 em pouco mais de três meses.


A central que monitora esses equipamentos controla, atualmente, 1.975 usos de tornozeleiras em todo o Espírito Santo, todas efetivadas por meio de determinações judiciais. Desse total, 306 são oriundas de medidas protetivas por conta da mudança na Lei Maria da Penha, o que corresponde a 15,5% de toda a monitoração eletrônica.

Tornozeleira eletrônica da cor preta, a utilizada atualmente, inclusive em agressores de mulheres
Tornozeleira eletrônica utilizada atualmente, inclusive em agressores de mulheres Tiago Stille/Agência Brasil
Mulher Segura

Das 306 tornozoleiras associadas à Lei Maria da Penha, 15 estão ligadas ao Programa Mulher Segura, lançado pelo governo do Espírito Santo em novembro de 2025. Cabe à decisão judicial incluir ou não a mulher vítima da violência doméstica e familiar nesse programa, e os casos inseridos são de mulheres em situação de risco elevado.


O programa tem como objetivo principal prevenir novas violências e reduzir o risco de feminicídio, por meio da integração entre tecnologia, sistema de Justiça, forças de segurança e rede de atendimento às mulheres. Nesses casos, o monitoramento eletrônico do agressor, após determinação judicial, também pode ser acompanhado pela vítima.

Tela do celular mostra zonas de alerta do programa Mulher Segura
Tela do celular mostra zonas de alerta do programa Mulher Segura Reprodução

Ao fazer parte do Mulher Segura, a vítima recebe um smartphone que acompanha, 24 horas por dia, a distância que o agressor deve manter dela. Esse sinal também é obsevado pela Central de Monitoramento que fica na Sejus. Caso haja qualquer violação, os servidores dessa área devem manter contato com a vítima, além de acionar o agressor monitorado e as forças policiais, quando necessário.


Além desse controle, a Polícia Civil encaminha as informações sobre esses monitoramentos  para a Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar, bem como ao serviço socioassistencial do território onde a mulher reside. Isso acontece para que toda a rede de proteção se mantenha atualizada sobre os casos e garanta o funcionamento de todos os serviços prestados.

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