As eleições, muito mais do que a guerra EUA-Israel x Irã, motivam o governo federal a lançar um "superpacote de bondades”, como se costuma chamar no meio político as medidas que visam angariar votos com a prática do populismo.
No pacote estão incluídas a subvenção extra para o gás de cozinha e o diesel, a suspensão de tributos federais para o diesel, a isenção do PIS/Cofins para o querosene de aviação e a jornada 5x2 com 40 horas semanais de trabalho. Sem falar no crédito extraordinário para o setor aéreo.
Some-se ainda a nova versão do “Desenrola” para renegociar as dívidas das famílias e aliviar o endividamento, as medidas que visam a redução nos preços da energia elétrica, o programa pé-de-meia (poupança de incentivo financeiro para estudantes de baixa renda do ensino médio público) e o acesso dos idosos de baixa renda a passagens gratuitas ou com desconto no transporte interestadual.
Qual é o custo total das “bondades”? Ninguém sabe ao certo. Há quem estime em R$ 100 bilhões em 2026. Mas há também especialistas que acham que essa conta pode chegar a R$ 700 bilhões. Para um país que está com as contas desequilibradas há muito tempo, com o “arcabouço fiscal” desmoralizado e com o endividamento chegando a 80% do PIB, a única certeza que há é sobre quem pagará essa conta. O pagador, naturalmente, ninguém desconhece, será o contribuinte brasileiro.
A conta virá, é claro, com a maior inflação e mais impostos. Os impostos terão que ser aumentados porque senão o país vai à falência, correndo o risco de não poder mais remunerar os encargos da dívida pública.
E a maior inflação também cairá nos ombros dos brasileiros, ricos ou pobres. Só a jornada 5x2, segundo cálculos da Confederação Nacional da Indústria, representará uma alta média de 6,2% nos preços de produtos ao consumidor final, além da perda de competitividade da indústria brasileira o que pode inviabilizar atividades especialmente em setores que dependem de produção contínua.
O “pacote de bondades” está diretamente ligado à conjuntura eleitoral. O Governo Lula, segundo o Datafolha, é reprovado por 40% (em dezembro eram 37%) e aprovado por 29% dos brasileiros (eram 32% em dezembro).
A reprovação, segundo a pesquisa, é motivada principalmente pelo custo de vida, com a maioria preocupada com a economia e o endividamento. O Datafolha constatou, em março, que 46% dos pesquisados consideram que a economia piorou nos últimos 24 meses (em dezembro eram 41%). As mais recentes pesquisas de intenção de voto confirmam um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Com a alta probabilidade de o cenário de polarização entre os dois candidatos se manter até as eleições, é possível que o “pacote de bondades” seja ampliado ainda mais. É sinal de que a conta que virá, para ser paga pelos contribuintes, poderá ser ainda maior.
Prepare então o seu bolso porque, como disse Milton Friedman, não há almoço grátis. Se alguém está sendo beneficiado, é sinal que outro alguém vai pagar essa conta. E o que é pior: mesmo o alguém supostamente beneficiado também será chamado a pagar já que a inflação e os impostos, no final das contas, não poupam ninguém.