Morar, trabalhar ou conviver a 400 metros de distância de um destacamento da
Polícia Militar deveria ser motivo de relativa tranquilidade em relação à segurança, certo? Deveria, mas em Vitória parece que a proximidade com as forças policiais não está sendo suficiente para levar paz e tranquilidade às pessoas.
É o que está acontecendo na Ilha do Príncipe, onde uma grande pichação na entrada principal do bairro ameaça, de forma descarada, quem passa por ali: “Abaixe o farol. Sujeito a bala”. Um Estado dentro do Estado?
A ousadia dos criminosos é ainda mais chocante ao se constatar que o recado ameaçador está estampado a 400 metros, a pé, do Destacamento da Polícia Militar da
Vila Rubim, inaugurado há pouco mais de um ano, em cerimônia que contou a presença do governador Casagrande (PSB) e do então prefeito Luciano Rezende (Cidadania).
A Ilha do Príncipe, definitivamente, está cercada pela violência. No ano passado, o tradicional bairro na entrada Sul de Vitória foi palco de cinco homicídios. O local é tão violento que faz parte do Programa Estado Presente, menina dos olhos da
administração Casagrande e que tem como meta combater a violência com programas sociais e ação policial em regiões de grande vulnerabilidade social.
Mas parece que os bandidos não estão sabendo de nada disso. E nem os moradores, que continuam refém dos criminosos, como mostra a vergonhosa e humilhante pichação na parede logo no início da Avenida Jurema Barroso, no acesso principal ao bairro.
E é na Ilha do Príncipe que o governo do Estado começou, em agosto do ano passado, uma das suas obras mais vistosas: o
Portal do Príncipe, um conjunto de intervenções viárias e urbanísticas, no valor de R$ 42 milhões, que tem como objetivo solucionar o gargalo de trânsito na entrada Sul da Capital. A obra deve ser concluída no primeiro semestre do ano que vem.
Que bom, a Ilha do Príncipe terá uma nova entrada para a Ilha de Vitória, mas o que os moradores querem mesmo é uma saída para essa onda de terror e criminalidade que traz tanta insegurança à comunidade. Que a Ilha do Príncipe se torne - pelo menos - uma ilha de paz.