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Letícia Gonçalves

Caso escabroso de vereador condenado por estupro de criança força Câmara de Vitória a ativar a Corregedoria

Colegiado ainda não foi instalado nesta legislatura. Maioria dos vereadores já é favorável à cassação de Baiano do Salão

Publicado em 17 de Julho de 2026 às 05:20

Públicado em 

17 jul 2026 às 05:20
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Vereador de Vitória Baiano do Salão
Vereador de Vitória Baiano do Salão Instagram/@baianodosalao.vereador



Nos bastidores, já há unanimidade entre os membros da Casa para que ele perca o mandato.

Antes de um ofício com pedido de providências à presidência da Câmara ter sido protocolado, houve uma certa pressão para que o próprio Baiano do Salão renunciasse ao cargo.

Em reunião com os pares realizada na tarde de quinta-feira (16), porém, ele sinalizou apenas que poderia se afastar temporariamente, tirar uma licença por motivo de saúde, por exemplo.

De acordo com o que a coluna apurou, isso não foi o suficiente. Dessa forma, 17 dos 21 parlamentares protocolaram o pedido. Outros dois vão subscrever a peça. O presidente, Anderson Goggi (Republicanos), não pode fazê-lo devido à função que exerce.

CADÊ A CORREGEDORIA?

Agora, cabe à Corregedoria-Geral abrir formalmente o procedimento disciplinar. Ocorre que, apesar de haver um corregedor-geral, o órgão ainda nem foi instalado nesta legislatura, que se iniciou em 1º de janeiro.

Com um caso rumoroso, escabroso, batendo à porta, os vereadores devem se movimentar nos próximos dias para indicar os membros do colegiado.

Ao todo, são cinco, entre eles o corregedor-geral, Leonardo Monjardim (Novo). Os membros vão ser definidos de acordo com o tamanho das bancadas partidárias.

Via de regra, ocupar um assento na Corregedoria não é algo que os vereadores almejam. 

Vigiar os atos dos colegas é considerado uma espécie de incômodo.

Agora, porém, não há para onde correr.

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De acordo com Monjardim, os outros membros do colegiado devem ser indicados em breve, possivelmente na próxima segunda-feira (20).


O mandato dos corregedores no cargo é de dois anos.


Não há previsão de quanto tempo o procedimento disciplinar vai demorar para tramitar na Corregedoria. Baiano do Salão vai ter direito a defesa.


Após a votação do relatório no colegiado (um relator vai ser designado por sorteio), o caso vai ao plenário.


Para que um vereador perca o mandato, é preciso ao menos 2/3 dos votos, ou seja, 14 dos 21 vereadores devem ser favoráveis à cassação. Hoje, já há votos mais que suficientes, ao menos de acordo com a intenção dos parlamentares ouvidos pela coluna.


A sentença condenatória proferida pela 10ª Vara Criminal de Vitória deve balizar a tramitação do procedimento disciplinar.


O processo judicial, contudo, tramita em segredo de justiça, para preservar a vítima.


Como a decisão é de primeira instância, Baiano do Salão pode recorrer, mas devido à natureza do crime de estupro de vulnerável, não há clima na Câmara de Vitória para a manutenção dele na cadeira de vereador.


"A inexistência de trânsito em julgado da decisão criminal não afasta o dever institucional da Câmara Municipal de examinar, por meio do procedimento juridicamente adequado, eventual repercussão dos fatos sobre a dignidade do mandato parlamentar, o decoro da Câmara Municipal e a confiança pública depositada no Poder Legislativo", diz o ofício assinado pela maioria dos vereadores.


"O art. 7º, inciso III, do Decreto-Lei nº 201, de 27 de fevereiro de 1967, estabelece que a Câmara poderá cassar o mandato do Vereador quando este proceder de modo incompatível com a dignidade da Câmara ou faltar com o decoro em sua conduta pública, devendo eventual processo observar o procedimento legalmente estabelecido, sem prejuízo da incidência das normas ético-disciplinares previstas no Regimento Interno e no Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Vitória", diz ainda o texto.


O OUTRO LADO


A coluna entrou em contato com a defesa do vereador e com o próprio Baiano do Salão na quinta-feira, mas não houve resposta. O espaço segue aberto para eventual manifestação.


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Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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