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Oportunidade

Quando R$ 1 vira R$ 5: a matemática que falta nas reuniões de condomínio

Quando o prédio envelhece, e ninguém percebe: o etarismo imobiliário em Vitória; empreendimentos antigos podem se transformar em oportunidade de valorização e qualidade de vida
Renato Avelar

Publicado em 

03 dez 2025 às 01:58

Publicado em 03 de Dezembro de 2025 às 04:58

Praia do Canto
Pequenas ações, com baixo investimento mudam a dinâmica de vida e o valor patrimonial de um condomínio Crédito: Ricardo Medeirtos
A idade chega para todos. E isso é um privilégio, não um direito. Como disse Nando Reis na música “Eu e a Felicidade”, a felicidade é um direito, e quem nasceu já conquistou. Poesia feita, vamos à prosa. Hoje o tema é duro, mas necessário: o etarismo dos prédios da nossa Capital.
Seja no Centro, seja em Bento Ferreira, seja em Jardim da Penha, seja na Praia do Canto, seja em Jardim Camburi, seja no Barro Vermelho, a história se repete. Empreendimentos erguidos nas décadas de 1970, 1980, 1990 e início dos anos 2000 carregam pontos frios que, se analisados com estratégia e visão de futuro, podem se transformar nas maiores oportunidades de valorização e de qualidade de vida.
Podemos recorrer à “Estratégia do Oceano Azul”, livro de Kim e Mauborgne: pequenos investimentos com alto impacto. No mercado imobiliário, isso significa que não é preciso derrubar o prédio para transformá-lo. Basta acertar o alvo.
Vamos dividir o assunto em dois temas: valorização e usabilidade.
Começando pela valorização, que agrada a quase todos, inclusive aos síndicos mais resistentes. A reunião de condomínio muitas vezes se transforma em arena de gladiadores, onde vaidade e ego falam mais alto que o senso coletivo. Porém, um dado raramente apresentado pode mudar completamente o rumo da conversa: em média, a cada R$ 1 investido em benfeitorias de modernização, retornam até R$ 5 na valorização do imóvel.
Um exemplo recente na Praia do Canto: prédio antigo, com um apartamento por andar, cada um com mais de 300 metros quadrados. Investimento de aproximadamente R$ 250 mil por unidade em modernização das áreas comuns. Antes, o metro quadrado era vendido a R$ 11 mil. Após a reforma e reestruturação, alcançou quase R$ 16 mil.
O imóvel continuava com a mesma planta, mas o condomínio se transformou. Como costumo dizer, é muito melhor comprar um apartamento detonadíssimo em um prédio estruturado e bem administrado do que um reformado dentro de um condomínio decadente. E aquela regra que nunca falha: para conhecer um prédio antigo, visite a garagem.
Agora falemos de usabilidade. Vivi isso na pele. Morava em um edifício de 37 anos na Praia do Canto. O salão de festas estava abandonado, com uma mesa de sinuca servindo mais como depósito de poeira do que como lazer. Depois de muita luta e algumas reuniões históricas, aprovamos a transformação do espaço em academia. Hoje é a área mais frequentada do condomínio e se tornou ponto de conexão entre os moradores, que se encontram cuidando do corpo e da alma.
Quantos prédios de Jardim da Penha possuem salões ociosos que podem virar academias funcionais, sem grandes investimentos? Vivemos a era do wellness. Academia não precisa de tecnologia de ponta. Bastam equipamentos básicos para gerar uso e bem-estar. Outra possibilidade é transformar espaços em coworking, ou até negociar internet coletiva com um provedor reduzindo custos para todos.
São pequenas ações, com baixo investimento, que mudam a dinâmica de vida e o valor patrimonial. Depois da pandemia, os imóveis passaram a ser vistos com um novo olhar. Antes era comum ver alguém morar em um apartamento ruim e ter um carro importado zero quilômetro na garagem. A pandemia virou o jogo. Como afirmam os estoicos, a vida é agora.
Fica aqui uma reflexão direta a proprietários, síndicos e moradores: muitos estão ocupados discutindo a formiga, enquanto o elefante da valorização e da qualidade de vida atravessa a sala. Prédios também envelhecem. A diferença está em quem permite que eles vivam com dignidade.
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