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Vitor Vogas

Enivaldo defende acordo de Hartung com Casagrande e Ricardo: “Inteligente”

Para o prefeito de Barra de São Francisco, reaproximação estratégica agora seria um movimento inteligente das duas partes, até por uma questão de sobrevivência política de líderes que têm história e serviços prestados ao ES

Publicado em 27 de Julho de 2026 às 05:00

Públicado em 

27 jul 2026 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Renato Casagrande e Enivaldo dos Anjos
Renato Casagrande e Enivaldo dos Anjos

Aos 76 anos, Enivaldo dos Anjos (PSB) tem experiência política de sobra. Mais longevo líder em atividade na Região Noroeste do Estado, foi deputado estadual nos anos 1980 e prefeito de Barra de São Francisco de 1989 a 1992. Nos anos seguintes, foi secretário do Interior no governo Albuíno e voltou a ser deputado estadual. Depois, tornou-se conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCES). Em 2015, retornou à Assembleia Legislativa, onde chegou a ser líder do governo Casagrande. Em 2021, completando a trajetória circular, voltou a governar sua cidade.


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Na condição de prefeito de Barra de São Francisco, ele se firmou como um dos maiores aliados de Ricardo Ferraço (MDB), articulando a campanha do atual governador na região. Com toda essa autoridade, Enivaldo defende abertamente, nesta semana de definições, um acordo político-eleitoral de Casagrande e Ricardo com o ex-governador Paulo Hartung (PSD) – adversário histórico de ambos.


Enivaldo também vê com bons olhos eventual candidatura e retorno de Hartung ao Senado, ao lado de Casagrande.


“Eu defendo isso! Acho inteligente. E vejo como algo natural na política. O Congresso ficaria com uma representação bem mais sólida, bem mais qualificada. E isso harmonizaria o processo político do Espírito Santo, que, desde esses dois governos, vem se comportando de maneira equilibrada econômica e financeiramente, com muito desenvolvimento. Basta ver os números.”


Na visão do prefeito francisquense, uma reaproximação estratégica agora seria um movimento inteligente das duas partes, até por uma questão de sobrevivência política de líderes que têm história e longa folha de serviços prestados ao Espírito Santo.


Sem mencionar Lorenzo Pazolini, concorrente de Ricardo na corrida ao Palácio Anchieta, Enivaldo opina que o ex-prefeito de Vitória viria para esta campanha não só com discurso de renovação política, mas também com um projeto de “exclusão” e “negação da história” de políticos que o antecederam.


“Acho que é um comportamento inteligente das duas partes, já que a candidatura que está sendo colocada contra o Ricardo tem a intenção de excluir todos os políticos que já têm história dentro da política. Eles propõem desconhecer todos os políticos. E, embora um dos candidatos tenha recebido vários sinais do ex-governador Paulo Hartung, ele nunca respondeu. Então, essa forma como ele está se comportando para se inserir na campanha a governador mostra claramente que ele quer começar do zero.”


Ainda na avaliação do ex-líder de Casagrande na Assembleia, “políticos com história” deveriam unir forças contra esse “procedimento”.


“É natural que os políticos que já têm uma história política se juntem contra esse procedimento, porque essa aí é a negação da política, é a negação da história de todos eles, principalmente a negação do governador Renato, de três mandatos, do ex-governador Paulo Hartung, de três mandatos, do Ricardo, que já foi o senador mais votado do Espírito Santo. É um tipo de proposta do Hércules: eu sou eu, e todo mundo não é nada mais.”


Perguntamos a Enivaldo se ele acredita mesmo ser possível uma reconciliação que soa muito improvável.


“Acredito, pela proposta do candidato adversário a governador, que propõe eliminar todo mundo. Ou os ‘eliminados’ se juntam ou eles vão correr o risco de entrar uma candidatura nova que vai zerar a vida política de todo mundo. É questão de sobrevivência”, respondeu o veterano prefeito. 

Contexto

O Partido Social Democrático (PSD), agremiação de Paulo Hartung, é presidido no Espírito Santo pelo prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos. Outro político famoso filiado à sigla é o deputado estadual e ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli, filiado em março deste ano e pré-candidato declarado a senador.


Até a última segunda-feira (20), o PSD estava fechadinho no apoio a Pazolini para governador e na coligação encabeçada pelo Republicanos, partido do ex-prefeito de Vitória.


Entretanto, a chegada do Partido Liberal (PL) a essa coligação, pela maneira como se deu, levou o PSD a reavaliar os planos. Na manhã do dia 20, em nota oficial, Renzo afirmou que o partido abriria diálogo com outros pré-candidatos a governador e que não descarta lançar chama majoritária própria, com candidato ao governo e ao Senado.


Na manhã da última quarta-feira (22), após ser procurado por Renzo, Ricardo Ferraço o recebeu na Residência Oficial da Praia da Costa. Renzo manifestou interesse em levar o PSD para a chapa majoritária de Ricardo e Casagrande, mas pediu espaço para o partido na chapa. Ricardo ficou de avaliar com os dirigentes dos outros partidos que já estão com ele.


As declarações de Enivaldo à coluna foram dadas na manhã do último sábado (25), durante a convenção estadual do PSB que homologou a candidatura de Casagrande ao Senado. Filiado à mesma sigla, o “Coronel do Noroeste” – como é apelidado no meio político – compôs a mesa de autoridades.


Logo após a convenção, em entrevista coletiva, Casagrande defendeu a atração do PSD para a coligação governista. Disse considerar importante que o partido esteja com eles. Mas esclareceu que ainda não conversou com Renzo, que essa bola está com Ricardo e que tal diálogo não se dará em nível pessoal, mas partidário e institucional.


Seguindo a mesma linha ditada pela cautela, Ricardo fez questão de separar as duas coisas: partido de indivíduo; pessoa jurídica de pessoa física. “Nós não estamos conversando com CPFs. Estamos conversando com CNPJs”, afirmou o candidato à reeleição, escolhendo bem as palavras.


Diretamente indagados sobre a possibilidade de reconciliação política com Hartung, conforme propõe Enivaldo, tanto Ricardo como seu antecessor se esquivaram da pergunta. Nenhum dos dois falou em “reconciliação” com o ex-governador. 

Os incentivadores e as dificuldades

Como já discorremos aqui, entre outros pontos, eventual ingresso do PSD na chapa governista esbarra justamente nesse “detalhe paquidérmico” (o “elefante na sala”): o fato de que se trata do partido de Hartung.


O acordo de paz propugnado por Enivaldo se mostra muito difícil, dado o histórico de desavenças, atritos e disputas políticos que os separa de maneira abissal e que se estende até hoje, no presente processo eleitoral.


Em mais de uma oportunidade, Hartung já deu declarações públicas de apoio a Pazolini. Além disso, os últimos meses têm sido marcados por críticas e ataques indiretos entre os dois lados.


No entanto, como a colunista Letícia Gonçalves detalhou aqui, Enivaldo não é o único entusiasta da tese de união de forças de Hartung com Casagrande & Ricardo.


“Acredito que essa aliança faria bem para o Espírito Santo”, opinou, por exemplo, o prefeito da Serra, Weverson Meireles (PDT), “ferragrandista” que governa o maior colégio eleitoral do Espírito Santo.

Aliás, no ano passado, o ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal (PDT), antecessor de Weverson no cargo e seu padrinho político, chegou a ir ao encontro de Hartung no escritório do advogado e professor Henrique Herkenhoff para incentivá-lo a se candidatar novamente ao Senado neste ano.


Por outro lado, a absorção do PSD na chapa esbarra em outra dificuldade: a pré-candidatura já estabelecida de Rose de Freitas ao Senado, pelo MDB. No último sábado, durante a convenção do PSB, a ex-senadora se disse aberta a dialogar, mas deixou muito claro que não abre mão de ser candidata, conforme tem reiterado nos últimos meses.


Até o momento, o ex-governador Paulo Hartung não se manifestou sobre as recentes movimentações do PSD.

A história de Enivaldo no PSD

Coincidentemente, Enivaldo dos Anjos já passou pelo PSD e ajudou a organizar o partido de Gilberto Kassab no Espírito Santo, logo após sua fundação, em meados da década passada.


Ele havia acabado de antecipar sua aposentadoria do TCES e voltou à vida política e partidária pelo PSD. Pela mesma legenda, foi líder de Casagrande na Assembleia. Depois, entrou no PSB, onde segue até hoje. 

Enivaldo x Pazolini

Ao longo de 2019 (primeiro ano do segundo governo Casagrande), como líder no plenário, Enivaldo travou acalorados embates verbais com ninguém menos que Pazolini, então um dos poucos deputados de oposição, em seu ano de estreia na política. No ano seguinte, o delegado elegeu-se prefeito de Vitória.


Num dos mais memoráveis, Enivaldo chegou a dizer a Pazolini que colocaria o dedo em sua ferida e apertaria para ver até onde ele aguentava. Pazolini replicou citando o Barão de Itararé: “O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro”.  

Pazolini no Sambão do Povo

As declarações de Enivaldo acerca de Pazolini nos remetem a outra do próprio ex-prefeito de Vitória, ainda no cargo, no começo de fevereiro deste ano, durante a abertura do Carnaval de Vitória.


Discursando diante das câmeras, com Casagrande e Ricardo de um lado, e Arnaldinho Borgo do outro, disse o então prefeito da Capital:


“Temos a certeza absoluta que, assim como fizemos a revolução do samba, respeitando a velha guarda [apontou, sem olhar, para o lado de Casagrande], respeitando a ancestralidade e respeitando aqueles que nos antecederam no passado, mas trazendo a modernidade, é que nós vamos, Arnaldinho, reescrever essa história. Respeitando o passado, os que estiveram antes de nós, mas com a certeza absoluta de que o futuro será de paz e prosperidade!”

Para constar

Arnaldinho, àquela altura, ensaiava parceria com Pazolini. Acabou optando por apoiar Ricardo. 

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Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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