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Saúde ocupacional

Escala 6x1 e outras jornadas: veja as mais exaustivas e os riscos ao trabalhador

Entre as situações mais críticas estão jornadas acima de 10 ou 12 horas diárias, muitas vezes acompanhadas de horas extras recorrentes

Publicado em 01 de Maio de 2026 às 11:31

Diná Sanchotene

Publicado em 

01 mai 2026 às 11:31
Escritórios administrativos adotam escala 5x2
Escritórios administrativos adotam escala 5x2. Frepik

O despertador toca pela manhã, mas a sensação é de que o corpo ainda não se recuperou da última jornada. O descanso insuficiente é uma realidade para milhares de profissionais que enfrentam escalas extenuantes, marcadas por cargas horárias excessivas que ultrapassam os limites físicos e mentais.


O principal problema é a falta de tempo para a desconexão total do trabalho, o que acaba resultando em fadiga e desgaste.


Para a psicóloga e diretora de Liderança, Cultura e Diversidade do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (Ibef-ES), Gisélia Freitas, o problema vai além do relógio: esses regimes exaustivos envolvem uma combinação de fatores que comprometem a saúde física e mental dos trabalhadores.


Entre as situações mais críticas estão jornadas acima de 10 ou 12 horas diárias, muitas vezes acompanhadas de horas extras recorrentes e poucos intervalos para descanso, como analisa Gisélia.

A escala 6x1 é considerada uma das mais problemáticas. O tema está em discussão na Câmara dos Deputados após o governo federal enviar uma proposta para acabar com esse modelo, juntamente com outros dois projetos que já estavam em tramitação.


Gisélia destaca que essa jornada entra na lista de preocupações por concentrar alta carga de trabalho e reduzir o tempo de recuperação dos trabalhadores.


A advogada especialista em Direito Trabalhista Paloma Vallory, do escritório Ferreira Borges Advogados, explica que o modelo 6x1 está presente no comércio, em supermercados, farmácias, restaurantes e serviços em geral. Nele, o trabalhador atua seis dias consecutivos e folga apenas um.

A folga pode variar durante a semana, conforme a programação da empresa. Esse modelo costuma ser alvo de debates porque pode gerar desgaste físico e mental quando não há boa organização das jornadas e dos descansos

Paloma Vallory  Advogada especialista em Direito Trabalhista

Outro ponto considerado problemático são os turnos noturnos contínuos e as escalas com rotatividade desorganizada, que afetam diretamente o descanso e o equilíbrio biológico, conforme aponta a psicóloga.


Além da duração da jornada, Gisélia destaca que a intensidade emocional do trabalho também pode tornar uma escala extenuante, mesmo quando a carga horária está dentro dos limites legais. Nesse caso, estão profissionais da saúde, do atendimento ao público e de setores de emergência, que convivem diariamente com situações de pressão psicológica elevada.

A sobrecarga de funções e a cobrança por metas consideradas excessivas também contribuem para o desgaste dos trabalhadores, principalmente quando as exigências ultrapassam a capacidade real de execução dentro do tempo disponível.

Gisélia Freitas Psicóloga

Ela comenta ainda que o que caracteriza uma escala extenuante não é apenas o número de horas trabalhadas, mas a combinação entre duração da jornada, intensidade do trabalho, previsibilidade da rotina e possibilidade de recuperação física e mental.


“Os impactos podem atingir diferentes áreas. Entre os principais riscos, estão problemas de saúde física e mental, aumento de erros e acidentes de trabalho, queda de produtividade, afastamentos frequentes, alta rotatividade de funcionários e até riscos jurídicos para as empresas. O cenário também gera reflexos sociais, especialmente diante do avanço de doenças relacionadas ao esgotamento profissional”, ressalta.


As chamadas folgas móveis, como as aplicadas na escala 5x1 — em que o profissional trabalha cinco dias e folga um —, aparecem com frequência em indústrias e operações contínuas. O problema é que, em uma semana, a folga pode ocorrer na segunda-feira e, na outra, no domingo, tornando quase impossível manter uma vida social regular, frequentar cursos com dias fixos ou conciliar o lazer com o restante da família.

“São ciclos sucessivos. Nesse formato, as folgas mudam de dia ao longo do mês, permitindo que eventualmente o trabalhador folgue nos fins de semana, mas também exigindo adaptação constante”, comenta Paloma Vallory.


Segundo ela, a discussão sobre escalas deve ir além da quantidade de dias trabalhados e considerar o respeito aos direitos básicos garantidos por lei, como intervalos, descanso semanal remunerado e limites de jornada. Na visão jurídica trabalhista, qualquer escala só é válida quando preserva a saúde do trabalhador e observa a legislação vigente.

“Embora existam diferentes modelos tradicionais no mercado brasileiro, a melhor escala tende a ser aquela que concilia produtividade da empresa, qualidade de vida do empregado e conformidade legal”, conclui Gisélia.

Saiba como funcionam as escalas de trabalho

Escala 6×1

É o modelo adotado nos setores de comércio e serviços (shoppings, supermercados, restaurantes). O profissional trabalha seis dias e folga um. O limite é de 44 horas semanais, ou seja, com jornada diária de 7h20. A proposta do governo federal é limitar essa jornada a 40 horas semanais. Além disso, a legislação atual determina que pelo menos uma vez a cada sete semanas (para homens) ou a cada 15 dias (para mulheres e comércio em geral), a folga deve coincidir com o domingo.

Escala 5×2

O formato é adotado em escritórios e no setor administrativo, onde o colaborador trabalha cinco dias e folga dois dias, geralmente sábado e domingo. A jornada diária costuma ser de 8h48 para compensar o sábado não trabalhado e completar as 44 horas semanais, ou de 8 horas diárias quando a carga é de 40 horas semanais.

Escala 5×1

Este modelo determina que, a cada cinco dias trabalhados, o funcionário tem um dia de folga. Neste caso, o descanso é rotativo e cai em dias diferentes a cada semana. O modelo é usado em empresas que operam 24 horas e precisam de mão de obra constante.

Escala 4×2

O formato determina que o funcionário trabalhe quatro dias consecutivos, com folga de dois dias. Geralmente, tem turnos mais longos (como 11 ou 12 horas) para compensar as folgas extras. É muito utilizado em indústrias que não podem parar suas máquinas.

Escala 4x3

É um modelo de trabalho mais recente, com quatro dias de trabalho e três de descanso. Para cumprir as 44 horas semanais, seria necessário ter uma jornada de 11 horas por dia, ou seja, acima do limite legal que é de 10 horas (8 horas regulares mais até duas horas extras). Geralmente, esse formato está associado a uma carga semanal reduzida, como 36 horas (com 9 horas diárias), e depende de negociação coletiva ou acordo. Pode ser usada em setores de tecnologia e serviços administrativos, por exemplo.

Escala 12×36

O formato é usado principalmente nas áreas da saúde (enfermeiros) e segurança (vigilantes), com 12 horas consecutivas de trabalho e 36 horas de descanso. A reforma trabalhista (Lei 13.467/2017), entretanto, determinou que essa escala fosse ajustada conforme acordo individual escrito, não dependendo mais apenas do sindicato.

Escala 12×60

O modelo é utilizado em categorias específicas da área da saúde ou plantonistas. Nesse caso, o profissional trabalha 12 horas e folga 60 horas (dois dias e meio de descanso). Trata-se de um regime excepcional que depende de negociação coletiva forte.

Escala 12×72

É semelhante ao modelo anterior, porém com período de descanso maior. O profissional trabalha 12 horas e folga 72 horas (três dias inteiros). Essa escala é mais vista em alguns regimes estatutários ou acordos muito específicos.

Escala 24×48

É a escala utilizada por policiais, bombeiros e alguns porteiros, com plantão de 24 horas, seguido de 48 horas de descanso. Esta é considerada uma escala exaustiva que exige cuidado com a saúde ocupacional e o pagamento correto dos adicionais noturnos.

Escala 40×48

Também é um modelo de trabalho muito específico, voltado quase exclusivamente para o setor industrial pesado ou petroleiro. O objetivo é cobrir turnos ininterruptos de revezamento com compensação longa de descanso.

Escalas especiais de trabalho

Algumas categorias contam com leis próprias. Aeronautas (pilotos e comissários) têm limites rígidos de horas de voo e folgas em solo. Já os motoristas precisam ter controle de tempo de direção e descanso obrigatório a cada quantidade de horas ao volante. Outro grupo é o de jornalistas e operadores de telemarketing, que contam com jornadas reduzidas (5h ou 6h) por conta do estresse da função.

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