Neste primeiro final de semana das férias de julho, pelo menos oito pessoas perderam a vida no Espírito Santo nas estradas. Vale repetir incessantemente até que haja alguma mudança consistente de comportamento nas vias: não dá para continuar testemunhando tantas mortes no trânsito sem alguma reação organizada da sociedade.
Em um dos casos, um motociclista morreu na madrugada de sábado (11) em uma colisão com um carro, na BR 101 em Linhares. Em outro, um homem de 53 anos morreu em um acidente na manhã de sábado envolvendo um carro e um caminhão na ES 315, em São Mateus.
As estatísticas motram o tamanho do problema. Mais uma vez, desde 2024, as mortes no trânsito superaram os homicídios em território capixaba, uma diferença que vem crescendo desde então. No primeiro semestre de 2026, as perdas humanas em ruas, avenidas e rodovias (496 mortes) superaram em mais de 37% o total de vítimas de assassinatos e feminicídios (361 mortes) no mesmo período, como mostrou a colunista Vilmara Fernandes.
É uma carnificina que, para ser superada, depende não somente de rodovias mais seguras, mas principalmente do comportamento dos condutores. O que se testemunha no trânsito é o abandono da civilidade, em que impera a lei do mais forte. Quando ninguém admite ser passado para trás, a imprudência e a negligência acabam sendo os maiores algozes.
Em período de férias, há mais veículos nas vias, o que deveria ser motivo suficiente para adotar um comportamento mais cuidadoso e prudente. E isso vale para todo mundo. Mais fiscalização é essencial, o Estado precisa se fazer presente para que as regras de trânsito sejam cumpridas. Mas o que pode evitar um destino trágico é sempre a decisão pessoal por uma direção mais segura.
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