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Opinião da Gazeta

Monitoramento da poluição na Grande Vitória não pode ficar no ar

Eficiência e transparência das informações sobre a qualidade do ar são o que a sociedade espera da rede de monitoramento operada pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema)

Publicado em 15 de Novembro de 2023 às 01:00

Públicado em 

15 nov 2023 às 01:00

Colunista

Pó preto
Estação de monitoramento do ar na Enseada do Suá, em Vitória Crédito: Carlos Alberto Silva
Não se pode ignorar a percepção dos moradores da Grande Vitória sobre a má qualidade do ar: as reclamações vêm de décadas e têm razão de ser, diante da proximidade de grandes empresas, Vale e ArcelorMittal, que operam no Complexo de Tubarão. A poeira, ou o popularmente chamado "pó preto",  nunca foi uma alucinação coletiva: causa transtornos ao dia a dia e riscos à saúde da população, confirmados por estudos.
A rede de monitoramento da qualidade do ar da Grande Vitória foi implantada em 2000, como contrapartida das Licenças de Instalação da Usina VII da Vale e do Alto Forno II da ArcelorMittal Tubarão. A pressão da sociedade e até mesmo as mudanças de posturas empresariais sobre as questões ambientais nas últimas décadas foram responsáveis por avanços consideráveis na busca de uma produção industrial sustentável.
A questão, apontada por levantamento da repórter Natalia Bourguignon nesta terça-feira (14), é que as nove estações que deveriam captar e medir o material particulado no ar — a parte do pó preto que fica em suspensão e, por isso, respirável  — tiveram perda de eficiência no monitoramento nos últimos cinco anos, por conta de defasagem nos equipamentos. A operação é responsabilidade do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), enquanto o financiamento, firmado em convênio e já efetivado, é feito pelas duas empresas.
A reportagem  mostrou que, enquanto em 2018 quase todas as estações mostraram ter mais de 90% de eficiência, ou seja, nove em cada dez análises feitas traziam algum resultado válido, em 2023 essa capacidade de operação chegou a zero. Atualmente também não é possível saber se a origem da poeira é das indústrias, do transportes ou da construção civil. Uma informação primordial para conter a poluição.
Há também um problema na transparência dos dados. A reportagem, no dia 7 deste mês, não encontrou no site do Iema informações sobre o monitoramento de abril a outubro deste ano. Depois da publicação, o órgão enviou nota para informar que havia dados disponíveis "até a data de 31 de outubro de 2023". Uma atualização feita após A Gazeta entrar em contato com o órgão solicitando esclarecimentos.
O convênio foi renovado em 2021, com novos investimentos já realizados pelas empresas (R$ 10,8 milhões da Arcelor e R$ 9,3 milhões da Vale) para atualizar os equipamentos e manter a rede funcionando. Tudo certo, portanto; mas a falta de resultados concretos das medições testemunhada nos últimos anos e a não divulgação, com regularidade e em tempo hábil, desses dados no site do Iema plantam a semente da dúvida na população, sem ferramentas que mostrem que os investimentos estão dando o retorno esperado. No fim das contas, fica tudo no ar, como a própria poeira que deveria ser combatida.

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