A praticidade é um bom motivo para se abrir mão de todo o ritual que envolve "passar" um café. Por isso, há quem prefira o café solúvel. E essa opção pela economia de tempo é a ponta final de todo um processo que beneficia a economia do Espírito Santo.
Em 2022, a exportação capixaba de café solúvel teve um aumento de 122% de 2021 para 2022: o crescimento corresponde a US$ 108 milhões de dólares, o maior valor já registrado na série histórica. No Brasil, esse aumento foi de 29%.
Os números levam o Espírito Santo ao protagonismo nacional. Em 2021, o Estado era responsável por 11,4% de todo volume de café solúvel exportado no país. Já no ano passado essa participação foi a 19,4%, quase o dobro.
De todo o volume de café exportado no Espírito Santo em 2022, quase 10% foi de café solúvel. No cenário nacional, essa porcentagem da exportação do produto em comparação com o total de café caiu de 10,4% em 2019, para 6,9% em 2022. Os dados são da AgrosStat e Comex Stat, que reúnem estatísticas do comércio exterior do agronegócio.
O secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, explica que esse crescimento nas exportações de café solúvel significa mais geração de renda para o Estado. Segundo ele, alguns países são importantes para o ramo cafeeiro, mesmo sem ter uma cultura agrícola da planta, comprando grão cru e o submetendo aos processos industriais. Esses, por sua vez, geram emprego e renda.
“Exportamos o grão cru até hoje. Dentro de um contexto maior, é muito importante que a gente exporte produto com valor agregado, gerando renda local”, disse Bergoli. O secretário destacou a vantagem logística do Estado, que é o principal produtor de café conilon, matéria prima para o café solúvel.
De acordo com o secretário, esses números são reflexos de investimentos da indústria, que buscam ampliar a capacidade de produção, e da chegada de mais empresas. Atualmente, o Espírito Santo ocupa o terceiro lugar na produção de café solúvel. “A tendência é que, no médio prazo, o Estado alcance o segundo ou até mesmo o primeiro lugar, já que é o maior produtor de conilon do Brasil, base para a fabricação do café solúvel”, afirma o secretário de Agricultura.
De acordo com Enio, esse crescimento da indústria alavanca também toda a cadeia de insumos e movimentações tributárias. Ele também ressaltou que a cafeicultura é a principal atividade agrícola no Estado.
De acordo com informações da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), o café solúvel de origem capixaba é comercializado diretamente em 42 países, sendo Indonésia e os Estados Unidos como principais mercados, consumindo 38,68% e 24,22%, respectivamente. Os derivados de café do Espírito Santo são consumidos em mais de 100 países.