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Após decisão judicial

Secretário municipal é exonerado por violência psicológica contra procuradora no ES

Desligamento ocorre após ser revelada denúncia do MPES contra chefe da Secretaria de Serviços Urbanos de São Gabriel da Palha; secretário exonerado diz ser alvo de perseguição

Publicado em 22 de Abril de 2026 às 14:59

Tiago Alencar

Publicado em 

22 abr 2026 às 14:59
Sede da Prefeitura de São Gabriel da Palha
Sede da Prefeitura de São Gabriel da Palha: exoneração de secretário ocorreu nesta quarta (22). PMSGP/Divulgação

 A Prefeitura de São Gabriel da Palha exonerou o secretário municipal de Serviços Urbanos, Fernando Oliveira, poucos dias após ser revelada denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), em que o agora ex-chefe da pasta é acusado de violência psicológica contra Jussara Lourrainy Frederico, então procuradora-geral do município do Noroeste do Estado.


O ato de exoneração do secretário foi publicado na edição do Diário Oficial dos Municípios desta quarta-feira (22), com assinatura do prefeito Tiago Rocha (PL).


Conforme mostrou reportagem de A Gazeta, na sexta-feira (17) com base da denúncia do MPES, a Justiça havia determinado a suspensão de Fernando Oliveira das atividades na secretaria, como parte de uma série de medidas aplicadas contra ele pelo juiz da 2ª Vara de São Gabriel da Palha, Roberto Wolff.


Além do afastamento imediato do cargo, a Justiça havia imposto ao agente a proibição de acesso a qualquer repartição pública municipal, de participação em eventos da prefeitura e o contato com a vítima, devendo manter distância mínima de 200 metros. No texto decisório, o magistrado destaca que o descumprimento das medidas poderia levar à prisão preventiva.


Ainda na sexta-feira, o secretário foi procurado pela reportagem para comentar o caso. Por nota, ele afirmou, na ocasião, que não havia sido informado e que estava surpreso com a decisão do juiz. Disse ainda que seu advogado recorreria do entendimento da Justiça, além de sustentar que o caso se trata de perseguição pessoal contra ele e contra o trabalho desenvolvido no município.


Na tarde desta quarta-feira (22), a reportagem voltou a procurar Fernando, via ligações telefônicas e mensagens de texto, para mais detalhes sobre sua exoneração do cargo. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.

Episódio ocorreu quando procuradora estava grávida, afirma MP

De acordo com o Ministério Público, o caso ocorreu em outubro de 2025, durante uma reunião na prefeitura. O secretário teria gritado com a procuradora, mandado que ela “calasse a boca” e deixasse a sala, em atitude considerada intimidatória e constrangedora. A vítima estava grávida de 37 semanas na ocasião.


A denúncia aponta que a conduta causou abalo emocional e teria como objetivo desestabilizar a atuação profissional da procuradora, configurando, em tese, os crimes de constrangimento ilegal e violência psicológica contra a mulher.


Ao analisar o caso, o juiz destacou o risco de o investigado usar o cargo para intimidar servidores ou cometer novas infrações. Também mencionou registros anteriores de comportamento agressivo dele.

Justiça reconhece indícios para abertura de ação penal

Segundo a decisão, há indícios suficientes de autoria e materialidade para a abertura da ação penal, com base em depoimentos, boletim de ocorrência e relatos de testemunhas do ocorrido. 


Em conversa com a reportagem de A Gazeta no fim da tarde da sexta-feira (17), a agora ex-procuradora afirmou que, diante da tensão criada após os ataques sofridos, decidiu pedir exoneração do cargo. Ela teve o desligamento do Executivo municipal publicado no Diário Oficial da cidade no último dia 14.

 

Evitando dar mais detalhes sobre o ocorrido, a ex-procuradora afirmou que o episódio que gerou a denúncia se trata de algo pontual, uma vez que nunca havia se indisposto com o secretário em ocasiões anteriores. "Tem a ver com a insatisfação acerca de um parecer assinado por mim", disse.

 

Na denúncia, o MPES destaca que o parecer em questão se tratava de um ato administrativo analisado pela Procuradoria-Geral da prefeitura, cujo entendimento jurídico contrariava supostos interesses do secretário.


A Prefeitura de São Gabriel da Palha informa que, após tomar conhecimento da decisão judicial, o prefeito procedeu com a exoneração em consonância com a decisão do juízo. "A administração municipal reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições", completa a nota.

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