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Nova era

Cetaf na Liga Ouro e o hiato de 12 anos que mudou o basquete do ES

Como o período de mais de uma década influenciou todo o ecossistema do esporte no Estado, desde a base até o amador
Vinícius Lima

Publicado em 

22 fev 2026 às 07:35

Publicado em 22 de Fevereiro de 2026 às 10:35

Time profissional do Cetaf-Vila Velha
Time profissional do Cetaf-Vila Velha Crédito: Cetaf
Após mais de uma década longe das competições nacionais profissionais, o basquete capixaba começa a escrever um novo capítulo. O Cetaf-Vila Velha estreia nesta terça-feira (24) na Liga Ouro 2026, a divisão de acesso ao NBB, e marca a volta do Espírito Santo ao mapa brasileiro da modalidade.
Este retorno consolida o encerramento de um hiato de 12 anos sem um representante capixaba em uma competição nacional de basquetebol. Junto disso, o começo de uma nova era, após um período de resistência, reconstrução e marcada pela força de uma base que nunca deixou o esporte morrer.

Retorno após 12 anos

A última vez que o Estado esteve representado em uma competição desta categoria foi em 2014, com o próprio Cetaf. Na ocasião, o clube usou o nome de Espírito Santo Basquete, e jogava a NBB, principal torneio da modalidade do país. Filipinho Azevedo, atual gestor do Cetaf, esteve presente também como jogador durante os tempos em que o time frequentou a elite do basquete brasileiro, e falou sobre o momento que o clube está vivendo e esta retomada.
"A expectativa era enorme. Acho que não só nossa, mas de toda a comunidade do basquete do Espírito Santo. A gente viveu momentos grandiosos aqui, de participações no NBB. A gente sempre teve uma das maiores médias de público do Brasil, e sabemos o tanto que o pessoal abraça o esporte e o basquete aqui. A gente está feliz demais", contou Filipinho.
Espírito Santo Basquete contra o São José Basquete pelo NBB
São José Basquete e Espírito Santo - NBB Crédito: Danilo Sardinha/GloboEsporte.com

Fortalecimento da base

Vivendo longe dos holofotes no profissional, o basquete capixaba passou a apostar e fortalecer projetos de base, competições locais e iniciativas amadoras, que se tornaram os principais responsáveis por manter viva a prática do esporte. O Cetaf mesmo foi um destaque como clube formador, participando da Liga de Desenvolvimento (LDB) desde 2023, a principal competição de base do basquete nacional.
"Eu acho que esse tempo que a gente esteve ausente foi um bom período para o basquete do Espírito Santo. A gente consolidou um trabalho de base muito importante. Acho que isso, para o projeto profissional, é muito importante. Você tem raiz. Hoje, os campeonatos de base no Espírito Santo estão muito maiores do que eram naquela época. Aqui mesmo, no Cetaf, são quase três mil crianças praticando esporte. Então, esse trabalho é a base da pirâmide larga, e aí a gente consegue trabalhar a pontinha e trazer o projeto adulto como um espelho para essas crianças, o sistema se retroalimente", concluiu Filipinho.
O ex-jogador ainda ressaltou que os garotos que estão compondo o time profissional atual, são os mesmos que foram campeões brasileiros sub-15, sub-17 e sub-19. Isto reforça que a construção do projeto do Cetaf é baseado em atletas locais e no trabalho de uma base capixaba sólida ao longo dos anos.
Cetaf/Vila Velha voltou a disputar a competição após 10 anos
Cetaf/Vila Velha voltou a disputar a competição após 10 anos Crédito: Cetaf/Divulgação
Rogério Machado, presidente da Federação Capixaba de Basquete (FECABA), assume que o capixaba perdeu um pouco da referência do basquete profissional e da experiência de consumir a modalidade, mas também ressaltou a evolução da base e como este período foi importante para a formação de uma nova geração de atletas.
"Com o retorno do Cetaf a uma competição nacional, nós esperamos que tenha um novo olhar para o esporte capixaba. Mesmo fora do cenário profissional, a Federação, os clubes, e os projetos continuaram trabalhando bastante a garotada da base. É sinal que isso foi, inclusive, bem feito. O Estado foi celeiro de alguns jogadores que foram convocados para a seleção brasileira para disputar campeonatos na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo", disse o presidente.
Instituto Viva Vida está na final da Copa Sul-Americana de Basquete
Instituto Viva Vida está na final da Copa Sul-Americana de Basquete Crédito: Instituto Viva Vida/Divulgação

Crescimento de competições amadoras

Além da base, outro ponto de fortalecimento foi na estrutura fora do eixo profissional, com o fomento e ascensão de competições amadoras, como criação da Copa ES de Basquete, em 2015, e da Liga Capixaba de Basquete, em 2019. Os dois torneios, além do adulto, também organizam disputas em diversas categorias de forma regional e estadual.
"O basquete que tratamos como amador é o que alimenta essa cadeia de crescimento de atletas, desde o sub-12 até o sonho de chegar no basquete adulto. A gente pode falar dos jogos universitários também, falar que o basquete capixaba foi campeão 3x3 brasileiro no ano passado, e conseguimos também resultados importantíssimos no feminino, por exemplo", reforçou Rogério.
Kiko Scherer, idealizador da Copa ES de Basquete, reforçou o quanto esta falta de referência de ídolos recentes e grandes times capixabas no cenário nacional impactou na visão da nova safra de jogadores, mas que o basquetebol local nunca morreu, justamente pelo crescimento do esporte amador.
"A gente fundou em 2015 a Copa Espírito Santo Basquete, que hoje é a maior competição no Espírito Santo. Foram 24 equipes na última edição, disputando três divisões: série ouro, prata e bronze. Fomentamos uma base de mais de mil jogadores aqui no Estado, então basquete capixaba é muito vivo", disse Kiko.
Instituto Viva Vida é tricampeão da Copa ES de Basquete
Instituto Viva Vida é tricampeão da Copa ES de Basquete Crédito: Daniel Mattedi/Divulgação

Nova era e oportunidade de investimentos

O retorno do Cetaf à Liga Ouro também reacende um ponto fundamental para o crescimento sustentável do basquete capixaba: a atração de investimentos. A presença em uma competição nacional amplia a visibilidade do esporte no Estado, fortalece a marca dos patrocinadores e cria um ambiente mais atrativo para novas parcerias.
"Creio que essa entrada do Instituto Viva a Vida e CETAF vai ajudar bastante para a captação de novos recursos para as equipes, e que a gente possa enxergar em um futuro breve que as empresas e o governo olhem com muito carinho para que o basquete de alto rendimento", ressaltou o presidente Rogério.
Além disso, a retomada do protagonismo no cenário nacional pode impulsionar melhorias estruturais, como modernização de ginásios - que já está acontecendo no Estado, com a reforma do DED, por exemplo - melhores salários para os atletas, aumento de público nos jogos, e ampliação de projetos sociais vinculados ao esporte. O efeito tende a ser sistêmico: mais investimento gera mais competitividade, que por sua vez amplia o interesse do público e volta a fortalecer toda a cadeia do basquetebol no Espírito Santo.
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