Brasília - O presidente Lula (PT) declarou em seu registro de candidatura no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) um patrimônio de valor R$ 2,6 milhões menor em relação ao apresentado em 2022, quando concorreu ao terceiro mandato.
O total de bens declarados em 2022, na eleição em que ele derrotou o então presidente Jair Bolsonaro (PL), era de R$ 7,4 milhões. Agora, na tentativa de reeleição, ele afirma que seu patrimônio é de R$ 4,7 milhões.
O principal fator da queda são planos de previdência privada. Em 2022, ele tinha um único VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) no valor de R$ 5,5 milhões.
Na declaração de 2026 são dois planos de previdência privada, mas em valor menor: somados, dão R$ 3,3 milhões.
Outro motivo são "créditos decorrentes de empréstimo pessoal" que não constam mais na declaração de 2026, assim como uma "devolução de valores bloqueados por determinação judicial".
Procurada para comentar a mudança no valor declarado à Justiça Eleitoral, a campanha de Lula ainda não se manifestou.
Também houve outras alterações no patrimônio do petista: em 2022 havia três apartamentos declarados — dois de R$ 19 mil e um de R$ 94 mil em São Bernardo do Campo (SP). Só restou esse último na declaração de 2026, com a retificação que o valor representa 50% do imóvel.
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O número de veículos também diminuiu: de dois, no valor de R$ 48 mil e de R$ 85 mil, para um só Chevrolet 2010/2011, no valor de R$ 50 mil.
A declaração de bens do presidente também incluiu em 2026 aplicações financeiras novas, em um fundo imobiliário e em um "fundo de curto prazo".
Outros bens permaneceram inalterados. Ele declarou três terrenos e uma casa em construção em São Bernardo do Campo, além de um crédito ligado à Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários).
Esse crédito se refere à compra de um apartamento em Guarujá (SP), no prédio onde fica o tríplex que foi alvo de ação penal na Operação Lava Jato.
Nos anos 2000, Lula pagou cotas para um imóvel no edifício, que posteriormente foi assumido pela empreiteira OAS. À época, a equipe da Lava Jato dizia que a construtora favoreceu o hoje presidente ao reservar uma unidade de valor muito superior no prédio. A defesa de Lula sempre negou essa versão e afirmava que pediu a devolução das cotas pagas anos antes.
Também há, na declaração ao TSE, cotas na empresa de palestras e eventos L.I.L.S., batizada com as iniciais do nome completo de Lula.
Na eleição de 2018, Lula declarou patrimônio de R$ 8 milhões, em valores da época. Naquele ano, em que estava preso, ele teve a candidatura barrada pela Lei da Ficha Limpa e foi substituído por Fernando Haddad (PT).
Já Geraldo Alckmin (PSB), candidato a vice na chapa de Lula, declarou ter R$ 3,3 milhões, um aumento em relação a 2022, quando indicou patrimônio de R$ 1 milhão.
Além dos bens já declarados em 2022, que incluem um apartamento de R$ 324 mil em São Paulo e terrenos em Pindamonhangaba (SP), Alckmin agora lista um carro no valor de R$ 41 mil e uma série de aplicações financeiras.
Em planos de previdência privada no modelo VGBL, Alckmin soma cerca de R$ 1 milhão ante R$ 316 mil há quatro anos. O maior montante, contudo, está investido em aplicações de renda fixa, num total de R$ 1,48 milhão.
Além da prestação de contas em relação aos seus bens, Lula também entregou ao TSE seu plano de governo para um eventual quarto mandato. O texto traz propostas de mudanças no sistema de emendas parlamentares e um reforço a temas caros para a sigla, como defesa da soberania, regulamentação das redes e o fim da escala 6x1.
Até a tarde deste sábado (8), além de Lula, já foram apresentadas ao TSE as informações sobre as candidaturas à Presidência da República de Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo), Hertz Dias (PSTU) e Samara (UP).
Zema declarou o maior valor total de bens, somando R$ 178,8 milhões.
Em 2022, o TSE restringiu a divulgação de informações sobre os bens dos candidatos. Agora, apenas dados genéricos sobre o patrimônio ficam disponíveis no sistema oficial, o que impede saber a localização de imóveis e modelos de veículos, por exemplo.
A medida, que tem como base a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), é apontada por especialistas como um grave retrocesso na transparência eleitoral.
Os dados de pedido de registro de candidaturas são divulgados a qualquer cidadão no site Divulgacand, da Justiça Eleitoral.
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