A maratona de convenções partidárias chega ao fim nesta quarta-feira (5) e consolida o cenário da disputa pelo governo do Espírito Santo nas eleições deste ano. Com o encerramento do calendário, iniciado em 20 de julho, cinco candidatos foram oficialmente lançados para concorrer ao Palácio Anchieta.
Entre os partidos que decidiram apresentar candidaturas
próprias ao governo estão duas estreantes em disputas majoritárias no Estado:
Missão e Unidade Popular (UP). As duas siglas optaram por chapas puro-sangue,
formadas exclusivamente por filiados da própria legenda, sem alianças.
Já entre os partidos tradicionais, PT, Republicanos e MDB
apenas confirmaram o que já era esperado nos bastidores políticos desde o
período de pré-campanha. As convenções oficializaram nomes que vinham sendo
tratados como favoritos pelas respectivas legendas ao longo dos últimos meses.
Porém, alguns pontos chamaram a atenção nos últimos dias de convenções. Um deles foi a ausência do ex-governador Paulo Hartung (PSD) nas chapas majoritárias. Filiado ao partido desde maio do ano passado, após mais de cinco anos sem vínculo partidário, Hartung era apontado como possível candidato tanto ao governo quanto ao Senado. A expectativa, porém, não se confirmou.
Em nota divulgada às vésperas do encerramento das convenções, o ex-governador comunicou que está fora da disputa eleitoral. Sem Hartung, o PSD decidiu conversar com os demais candidatos para definir o apoio ao governo do Estado. Porém, nesta quarta (5), o partido anunciou a posição de neutralidade na eleição para o Executivo estadual, descartando aliança com qualquer candidatura.
Missão estreia na disputa com chapa própria
O partido Missão foi o primeiro a oficializar candidatura ao
governo. Em convenção realizada em 22 de julho, a legenda lançou o engenheiro civil Breno
Barcelos, tendo Victor Oliveira como candidato a vice.
Fundada por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), a
legenda também terá Renan Santos como candidato à Presidência da República.
Aos 41 anos, Breno Barcelos disputa um cargo eletivo pela
primeira vez. Com trajetória na iniciativa privada, afirma defender a aplicação
de modelos de gestão inspirados no setor empresarial para tornar a
administração pública mais eficiente, citando como referências o
ex-primeiro-ministro de Singapura Lee Kuan Yew e o ex-prefeito de Nova York
Michael Bloomberg.
PT volta a disputar o Palácio Anchieta
A federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, homologou, em convenção realizada no dia 30 de julho, em Vitória, a candidatura
do deputado federal Helder Salomão ao governo do Estado.
Para a vice-governadoria, foi escolhida a vereadora de São
Mateus Professora Valdirene (PT), eleita para seu primeiro mandato em 2024.
Com a candidatura, o PT volta a disputar o comando do
Executivo estadual após ficar de fora da corrida em 2022. Naquele pleito, a
sigla abriu mão de candidatura própria para apoiar a reeleição do então
governador Renato Casagrande (PSB).
Unidade Popular lança primeiras candidaturas no Estado
Também estreante nas eleições capixabas, a Unidade Popular
pelo Socialismo (UP) oficializou suas primeiras candidaturas no Espírito Santo
durante convenção realizada no último domingo (2), em Vitória.
O partido escolheu como candidato ao governo Rafael Demuner,
servidor técnico-administrativo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), coordenador estadual e nacional do Movimento Luta de Classes e
dirigente sindical.
Segundo a legenda, a candidatura representa o compromisso de
construir uma alternativa política voltada para a defesa dos serviços públicos,
dos direitos dos trabalhadores e da soberania nacional. A vice será Dionary
Sarmento.
Republicanos confirma Pazolini e mantém vice em aberto
Em convenção realizada na noite de terça-feira (4), em
Vitória, o Republicanos oficializou a candidatura do ex-prefeito da Capital
Lorenzo Pazolini ao governo do Estado.
“O que nós fizemos por todos os bairros e pelas nove regiões de Vitória, eu tenho fé e convicção de que nós levaremos a todos os capixabas”, discursou Pazolini, na convenção.
A chapa, no entanto, foi apresentada sem candidato a vice. A primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos, chegou a ser cogitada, mas essa possibilidade foi descartada depois de o PSD ter anunciado, nesta quarta-feira (5), que adotará a neutralidade na disputa pelo governo. Assim, a indefinição permanece. Pazolini disputará a eleição com o apoio do Partido Liberal (PL), presidido no Espírito Santo pelo senador Magno Malta.
O agora candidato deverá garantir palanque no Estado para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência da República.
MDB aposta na continuidade da atual gestão
Representando a continuidade da administração iniciada por Renato Casagrande (PSB), o governador Ricardo Ferraço (MDB) teve a candidatura à reeleição homologada em convenção realizada na noite desta quarta-feira (5).
No discurso, Ricardo lembrou que seu grupo político conseguiu construir uma frente ampla de apoio ao seu projeto de seguir no comando do Executivo estadual. "Para isso (construir uma frente ampla de apoio), é preciso muito diálogo e humildade", afirmou.
A chapa será composta pelo vereador de Vitória Camillo Neves (PP) como candidato a vice-governador. A indicação partiu da superfederação formada por União Brasil e Progressistas (PP), que condicionou o apoio ao projeto governista à ocupação da vaga de vice na chapa encabeçada pelo MDB. A aliança foi confirmada em convenção realizada também nesta quarta (5), em Vitória, com a presença de Ricardo Ferraço (MDB).